terça-feira, 19 de junho de 2012

A sacralidade do amor matrimonial


Prof. Ricardino Lassadier

Em todas as culturas grande importância é conferida ao casamento, a data do enlace é um dia muito festejado, o povo hebreu, por exemplo, comemorava por dias. A Igreja não somente vê no casamento um acontecimento cultural importante, mas compreende-o como Matrimônio, como sacramento. Para a fé católica o Matrimônio não apenas reconhece o caráter natural do enlace entre homem e mulher, mas eleva este enlace a uma dimensão sagrada. Vamos entender, ainda que brevemente, a particularidade da sacralidade matrimonial. Deus nos é dado a conhecer por São João da seguinte forma: “Deus é amor: quem permanece no amor, permanece em Deus, e Deus permanece nele” (1Jo 4,16).  E a Igreja nos ensina que “homem é criado por Deus e para Deus; e Deus não cessa de atrair o homem a si, e somente em Deus o homem há de encontrar a verdade e a felicidade” (CIC,27). Ora, se Deus é Amor e o homem foi criado por Ele e para Ele, então podemos entender que o homem foi feito pelo Amor e para o Amor e neste Amor permanecer.


A partir dessa podemos, legitimamente, compreender o significado inicial do Matrimônio: homem e mulher criados por Deus e chamados a viverem o Amor. Segundo a Escritura “O Senhor Deus disse: ‘Não é bom que o homem esteja só. Vou fazer uma auxiliar que lhe corresponda (assemelhe)” (Gn 2,18). Essa “correspondência” ou “semelhança” está na comum natureza:“Então, o Senhor Deus fez vir sobre o homem um profundo sono, e ele adormeceu. Tirou-lhe uma das costelas e fechou o lugar com carne. Depois, da costela tirada do homem, o Senhor Deus formou a mulher e apresentou-a ao homem. E o homem exclamou: ‘Esta sim é osso dos meus ossos, é carne da minha carne! Ela será chamada mulher, porque foi tirada do homem!’Por isso deixará o homem o pai e a mãe e se unirá à sua mulher e eles serão uma só carne” (Gn 2, 21-24). Homem e mulher têm a mesma natureza que implica no reconhecimento da  diferença: masculino e feminino. Eis o que a união matrimonial nos mostra: a doação-união de dois seres diferentes que compartilham a mesma natureza frutificando em um terceiro ser: o filho. Nessa acepção, o amor matrimonial é chamado a sinalizar o Amor Trinitário. Ao mesmo tempo, a realidade matrimonial reflete a doação amorosa recíproca Cristo-Igreja (sua esposa). Ele entregou a vida por Ela. Ela vive por Ele (cf. Jo 19, 34-35).

Na cotidianidade da vida isso significa que o Matrimônio é o “local” em que o casal católico aprende a exercitar-se no amor visto que a necessária coexistência exige paciência, acolhimento, doação de si, renúncia. Em outras palavras, a vida matrimonial possibilita ao casal desenvolver-se nas duas dimensões do Amor: éros e ágape. A primeira dimensão é marcada pelo desejo de conquista, de posse. A segunda dimensão se caracteriza pela capacidade de sair de si, de doar-se. Nesse sentido, ensina o Santo Padre Bento XVI em sua encíclica DEUS CARITAS EST (DCE, 7) que eros e agape “nunca se deixam separar completamente um do outro. Quanto mais os dois encontram a justa unidade, embora em distintas dimensões, na única realidade do amor, tanto mais se realiza a verdadeira natureza do amor em geral”. Um matrimônio que não busque construir-se nesses dois sentidos do amor está fadado à frustração, pois se não há doação, não há comunhão e a sacralidade não é vivenciada. 
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Professor Ricardino Lassadier é graduado em Filosofia. Especialista em Filosofia e Teologia. Leciona no IRFP e na Rede Pública Estadual, é ministrante de cursos no CCFC (Centro de Cultura e Formação Cristã).

Cidades Sustentáveis e o Branding de Políticas e Lugares

O exemplo do Programa Cidades Sustentáveis é o que me motivou a escrever este post, por já começar a mostrar frutos de um trabalho notável de articulação da sociedade civil, mídia e iniciativa privada. Recomendo uma visita ao site do programa, que em poucas palavras, consiste em uma agenda de ações e iniciativas do governo local para a sustentabilidade, estruturada em 12 eixos temáticos:
  • Governança
  • Bens Naturais Comuns
  • Equidade, Justiça Social e Cultura de Paz
  • Gestão Local para a Sustentabilidade
  • Planejamento e Desenho Urbano
  • Cultura para a Sustentabilidade
  • Educação para a Sustentabilidade e Qualidade de Vida
  • Economia Local Dinâmica, Criativa e Sustentável
  • Consumo Responsável e Opções de Estilo de Vida
  • Melhor Mobilidade, Menos Tráfego
  • Ação Local para a Saúde
  • Do Local para o Global
LIÇÃO DE ARTICULAÇÃO
O Programa Cidades Sustentáveis tem um número grande de participantes (que preferi não enumerar aqui pois são muitos, mas você encontra no site do programa), da iniciativa privada ao terceiro setor. O que achei oportuno destacar é que há uma lição de articulação de atores sociais que é um belo exemplo a ser seguido em qualquer localidade que queira empreender um trabalho de Place Branding. Não importa de quem seja a iniciativa de promover a localidade, seja para a revitalização de um bairro ou o desenvolvimento econômico de um estado, haverá sempre a necessidade de envolver outros setores, outros atores, outras perspectivas, pois no final, sozinho, nem mesmo o poder público consegue implantar um projeto de marca-localidade que seja relevante a seus públicos. No caso do ‘Cidades Sustentáveis’, o Poder Público está sendo convidado a assumir-se parte do programa através do compromisso público que os pré-candidatos e os partidos estão fazendo. Ao assinar a carta-compromisso eles se comprometem em seguir a agenda de ações e a publicarem uma prestação de contas baseada nos indicadores elaborados para o ‘Cidades Sustentáveis’.
BRANDING E A POLÍTICA DE INFLUÊNCIA
Um segundo ponto que eu gostaria de destacar, e está relacionado a alguns assuntos que retomaremos em outros momentos do blog, é em relação ao tipo de política que será praticada com mais frequência nesta eleição (palpite meu). Há paralelos entre princípios que identificamos em branding (criação e gestão de marcas) e o que estou chamando de uma política de influência.
A marca é uma construção simbólica e, na sua criação e proposição de valor para seus públicos, a matéria-prima é o conjunto de percepções e associações que são entrelaçados e administrados conforme a influência que exercem sobre seus públicos-alvo. O mundo em que vivemos hoje já está saturado de uma linguagem apelativa / argumentativa / racional com a qual muitos produtos / serviços / marcas se apresentam como sendo os melhores e merecedores da sua preferência. Grandes marcas são construídas de maneira mais complexa e sutil, tornando-se capazes de influenciar seus públicos em diversos níveis de percepção.
Anúncio - Voto SustentávelAgora pense na linguagem usada na construção de uma plataforma política. Se estabelecermos um paralelo entre a criação de marcas – branding – e a construção de uma plataforma política, veremos que ambos têm se utilizado ultimamente de ferramentas mais soft, onde a força está na capacidade de influenciar seus públicos através de diversos níveis de percepção e emoção, conduzindo a uma projeção das aspirações das pessoas na marca.
Ao assinar o compromisso público de seguir a agenda ‘Cidades Sustentáveis’, os políticos não estão sendo coagidos pela força da lei a seguirem tais ações, nem estão submetidos aos tradicionais meios de ‘comando e controle’. A força que os moverá a assumir e honrar este compromisso é a necessidade de se gerar valor para sua ‘marca-política’. Esta imagem percebida, ou podemos chamar de imagem de sua ‘marca-política’, é um ativo importante na sociedade em que vivemos. Já sabemos que discurso e promessas acrescentam muito pouco ou quase nada a essa ‘marca-política’, e muitas vezes nem mesmo a assinatura de um político significa um compromisso real (pelo menos é assim que as pessoas percebem).  Como incluir na agenda de campanha o tema sustentabilidade indo além das palavras de um discurso com jeitão de blábláblá?
O programa ‘Cidades Sustentáveis’ entende esta necessidade e oferece visibilidade para incrementar a marca dos que quiserem se comprometer com o programa . O programa construiu uma consistente plataforma para sustentabilidade das cidades, escapando da superficialidade com que o termo tem sido empregado e, ao articular a mídia e a sociedade de maneira consciente, oferecem a plataforma sobre a qual muitos políticos poderão se apoiar. Fazem uso dos meios de comunicação para divulgar a plataforma e distinguir os que aderirem ao programa. Mas as mesmas plataformas que podem promover a imagem dos políticos que nelas se apoiarem, podem também oferecer um belo tombo aos oportunistas, que não levarem a sério essa enorme mobilização de pessoas sérias que há em torno do programa.
Vida longa a esta e a outras iniciativas cidadãs em prol de maior participação na vida pública.

sábado, 16 de junho de 2012

Ponto de Vista

A recente entrevista do psicanalista George Gouvêa, presidente da ONG Grupo Pela Vida, ao portal de notícias UOL é, no mínimo, estranha. Ao comentar o surto de aids no Brasil, Gouvêa comete o erro crasso de responsabilizar a Igreja e setores conservadores pelo fracasso das políticas públicas de prevenção da doença. Declara o psicanalista: “Há uma intromissão em políticas públicas de saúde no Estado laico de determinados setores religiosos. Se o Estado é laico, o nosso ordenamento político, com todo respeito, não é a Bíblia, é a Constituição”.


George Gouvêa parece não saber que a Constituição Federal foi promulgada “sob as bênçãos de Deus”. Os direitos, em geral, pressupõem um fundamento. E o que seria esse fundamento, senão a lei natural? A Igreja, sendo uma instituição formada por cidadãos, deve opinar e zelar para que os governos democraticamente instituídos respeitem a dignidade e o valor da vida humana em suas ações.

Todavia, o respeito à dignidade da pessoa humana é o que mais está em falta nos projetos do governo, inclusive os de combate à aids. O enfoque exclusivo na irresponsável distribuição de camisinhas e outros contraceptivos já se mostrou um verdadeiro fracasso. É antes o problema do que a solução. Além de não ser cem por cento segura, a camisinha estimula o sexo casual e a banalização dos relacionamentos humanos. Não é à toa que o Brasil é o país onde os adolescentes perdem a virgindade mais cedo.

Fechar os olhos para isso é contraproducente. Até mesmo a Universidade Harvard já reconheceu que a melhor maneira de se combater as doenças sexualmente transmissíveis é a apresentada pela Igreja: castidade e fidelidade conjugal. Uganda, por exemplo, conseguiu reduzir de 30% para 7% o número de soropositivos no país, através de campanhas que incentivam a abstinência e a monogamia.

Contudo, a atitude desonesta de Gouvêa em se eximir de suas responsabilidades e colocar a culpa em outrem, no caso, na Igreja, não é novidade. A prática remonta o primeiro século, quando Nero, após atear fogo em Roma, responsabilizou os cristãos pela tragédia. A ordem é essa: na dúvida, culpe a Igreja.

Assim, um skinhead mata um homossexual e a culpa é do Padre Paulo Ricardo; uma mulher é estuprada e a culpa é da Igreja; crianças morrem de fome na África e a culpa é do trono do Papa. E ai daquele que se atrever a contestar. Corre o risco de ser amordaçado e xingado de xiita por gente tão “tolerante” que faz campanha para criminalizar opiniões alheias.

O filósofo Luiz Felipe Pondé, em uma recente entrevista sobre o conceito de “politicamente correto”, declarou que “o único preconceito que no jantar inteligente é aceito é contra católico”. Há alguns anos, isso soaria como uma bobagem do filósofo. Hoje, no entanto, a declaração de Pondé não poderia ser mais lúcida!

Renan Cunha é estudante de Jornalismo na UEL.

O PAPA, OS JOVENS E A ALEGRIA.


OS JOVENS E O FUTURO DA IGREJA
As pesquisam cientificas comprovam que o ser humano precisa viver em comunidade. E em comunidade se encontra a felicidade. E a família é a primeira e mais importante delas. Mas, a vida na Igreja nos coloca na família de Deus, em convivência com os irmãos de fé. Jesus Cristo nunca ficava sozinho, a não ser nos momentos de oração pessoal. Ele estava sempre rodeado por muitas pessoas que buscavam alívio para os sofrimentos, sabedoria, conhecimento a respeito de Deus, da vida, do céu e dos mistérios da fé. E Jesus preenchia o coração de todos que O buscavam. E tudo isso nós encontramos na Santa Madre Igreja. Deus Pai, em sua infinita misericórdia, está sempre de braços abertos esperando por cada um de nós, seus filhos. Ele quer nos dar a verdadeira fonte da felicidade. Basta abrir o coração para que optarem pelos caminhos santo do nosso bondoso Pai Celestial.
A ESIRITUALIDADE DO AMOR
A espiritualidade cristã é a vivência sob a direção do Divino Espírito Santo, ao máximo possível o amor a Deus, sobre todas as coisas, e ao próximo como Cristo nos amou (Jo15,12). Nesta espiritualidade estão inseparavelmente a fé, a esperança e a caridade. O amor é, afinal, o motor, a força propulsora de nossa vida de discípulos missionários de Jesus Cristo. E não há amor sem o desejo e nada de grande conseguimos fazer sem o desejo e o amor. Aqui está a raiz da santidade, isto é, viver em Deus e para Deus, para fazer sua santa vontade. “A vontade de Deus é a nossa santificação” (1Ts 4,3). 
O PAPA, OS JOVENS E A ALEGRIA.
O Papa Bento XVI manifestou o desejo de confiar aos jovens o futuro da Igreja e do mundo. Durante a sua visita ao Brasil, em 2007, ele disse: “O meu apelo de hoje, a vós jovens, é que não desperdiceis a vossa juventude. Não tenteis fugir dela. Vivei-a intensamente. Consagrai-a aos elevados ideais da fé e da solidariedade humana. Vós, jovens, não sois apenas o futuro da Igreja e da humanidade, como uma espécie de fuga do presente. Pelo contrário: vós sois o presente jovem da Igreja e da humanidade, sois  seu rosto jovem. A Igreja precisa de vós, como jovens, para manifestar ao mundo o rosto de Jesus Cristo, que se desenha na comunidade cristã. Sem o rosto jovem a Igreja apresentar-se-ia desfigurada.”
Saibam, meus amados jovens, que ser Igreja não anula o ser jovem. Um complementa o outro, um precisa do outro, um preenche o outro. Através da Igreja os jovens chegam ao conhecimento de Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida; através dos jovens, a Igreja ganha vida nova, perpetuando a verdade do Evangelho Jesus Cristo. Jovem, procure Jesus Cristo, procure a Igreja e veja sua vida tomar uma direção que você jamais pensou ou idealizou. Como diria o Papa João Paulo II: “Não tenham medo”. A verdadeira felicidade, ou seja, o sentido real, eficaz e eterno da vida, só se encontra em Cristo e Sua Santa Igreja.
“Exorto todos vocês a serem missionários da alegria. Não se pode ser feliz se os outros não são: a alegria deve ser partilhada. Contem aos outros jovens a alegria de ter encontrado o tesouro precioso que é o próprio Jesus. Não podemos guardar para nós a alegria da fé: para que ela possa permanecer nós, devemos transmiti-la”. (Papa Bento XVI).

Pe. Inácio José do Vale / Pregador de Retiros Espirituais
Doutor e Professor de História da Igreja / Instituto Teológico Bento XVI
Sociólogo em Ciência da Religião / E-mail: pe.inacio.jose@gmail.com

Por que o Católico não pode ser Espírita?


Por que o Católico não pode ser Espírita?
Cada religião possui seus dogmas, seus artigos de fé. Se duas religiões possuíssem os mesmos pensamentos e dogmas não seriam duas, mas apenas uma. Por isso, uma pessoa não pode participar de duas religiões, pois não cumprirá honestamente nem uma, nem outra.
O católico não pode ser espírita porque:
1. O católico admite a possibilidade do Mistério e aceita Verdades sempre que tem certeza que foram reveladas por Deus.
2. O espírita proclama que não há mistérios e tudo o que a mente humana não pode compreender é falso e deve ser rejeitado.
3. O católico instruído crê que Deus pode e faz milagres.
4. O espírita rejeita a possibilidade de milagres e ensina que Deus também deve obedecer as leis da natureza.
5. O católico crê que a Bíblia foi inspirada por Deus e, portanto, não pode conter erros em questão de fé e moral.
6. O espírita declara que a Bíblia está cheia de erros e contradições e que esta nunca foi inspirada por Deus.
7. O católico crê que Jesus enviou o Espírito Santo aos apóstolos e seus sucessores para que pudessem transmitir fielmente a sua doutrina.
8. O espírita declara que os apóstolos e seus sucessores não entenderam os ensinamentos de Cristo e que tudo quanto transmitiram está errado ou foi falsificado.
9. O católico crê que o papa, sucessor de São Pedro, é infalível em questões de fé e moral.
O espírita declara que os papas só espalharam o erro e a incredulidade.
10. O católico crê que Jesus instituiu a Igreja para continuar a sua obra.
O espírita declara que até a vinda de Allan Kardec, a obra de Cristo estava inutilizada e perdida.
11. O católico crê que Jesus ensinou toda a Revelação e que não há mais nada para ser revelado.O espírita proclama que o Espiritismo é a terceira revelação, destinada a retificar e até mesmo substituir o Evangelho de Cristo.
12. O católico crê no mistério da Santíssima Trindade.
13. O espírita nega esse augusto mistério.
14. O católico crê que Deus é o Criador de tudo, Ser pessoal, distinto do mundo.
O espírita afirma que os homens são partículas de Deus (verdadeiro panteísmo).
15. O católico crê que Deus criou a alma humana no momento de sua união com o corpo.
O espírita afirma que nossa alma é resultado de lenta e longa evolução, tendo passado pelo reino mineral, vegetal e animal.
16. O católico que o homem é uma composição substancial entre corpo e alma.
O espírita afirma que é composto entre perispírito e alma e que o corpo é apena um invólucro temporário, um "alambique para purificar o espírito".
17. O católico obedece a Deus que, sob severas penas, proibiu a evocação dos mortos.
O espírita faz desta evocação uma nova religião.
18. O católico crê na existência de anjos e demônios.
19. O espírita afirma que não há anjos, mas espíritos evoluídos e que eram homens; que não há demônios, mas apenas espíritos imperfeitos que alcançarão a perfeição.
20. O católico crê que Jesus é verdadeiramente o Filho Unigênito de Deus, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade.
21. O espírita nega esta verdade fundamental da fé cristã e afirma que Cristo era apenas um grande médium e nada mais.
22. O católico crê também que Jesus é verdadeiro homem, com corpo real e alma humana.
Grande parte dos espíritas afirma que Cristo tinha apenas um corpo aparente ou fluídico.
23. O católico crê que Maria é a Mãe de Deus, Imaculada e assumpta ao céu.
O espírita nega e ridiculariza todos os privilégios de Maria.
24. O católico crê que Jesus veio para nos salvar, por sua Paixão e Morte.
O espírita afirma que Jesus não é nosso Redentor, mas apenas veio para ensinar algumas verdades e de modo obscuro; e que cada pessoa precisa remir-se a si mesma.
25. O católico crê que Deus pode perdoar o pecador arrependido.
O espírita afirma que Deus não pode perdoar os pecados sem que se proceda rigorosa expiação e reparação feita pelo próprio pecador, sempre em novas reencarnações.
26. O católico crê nos Sete Sacramentos e na graça própria de cada Sacramento.
O espírita não aceita nenhum Sacramento, nem mesmo o poder da graça santificante.
27. O católico crê que o homem vive uma só vez sobre a Terra e que desta única existência depende a vida eterna.
28. O espírita afirma que a gente nasce, vive, morre e renasce, e progride continuamente (reencarnação).
29. O católico crê que após esta vida exista o céu e o inferno.
30. O espírita nega, pois crê em novas reencarnações.
Professor Felipe Aquino

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Ponto de Vista

A recente entrevista do psicanalista George Gouvêa, presidente da ONG Grupo Pela Vida, ao portal de notícias UOL é, no mínimo, estranha. Ao comentar o surto de aids no Brasil, Gouvêa comete o erro crasso de responsabilizar a Igreja e setores conservadores pelo fracasso das políticas públicas de prevenção da doença. Declara o psicanalista: “Há uma intromissão em políticas públicas de saúde no Estado laico de determinados setores religiosos. Se o Estado é laico, o nosso ordenamento político, com todo respeito, não é a Bíblia, é a Constituição”.


George Gouvêa parece não saber que a Constituição Federal foi promulgada “sob as bênçãos de Deus”. Os direitos, em geral, pressupõem um fundamento. E o que seria esse fundamento, senão a lei natural? A Igreja, sendo uma instituição formada por cidadãos, deve opinar e zelar para que os governos democraticamente instituídos respeitem a dignidade e o valor da vida humana em suas ações.


Todavia, o respeito à dignidade da pessoa humana é o que mais está em falta nos projetos do governo, inclusive os de combate à aids. O enfoque exclusivo na irresponsável distribuição de camisinhas e outros contraceptivos já se mostrou um verdadeiro fracasso. É antes o problema do que a solução. Além de não ser cem por cento segura, a camisinha estimula o sexo casual e a banalização dos relacionamentos humanos. Não é à toa que o Brasil é o país onde os adolescentes perdem a virgindade mais cedo.


Fechar os olhos para isso é contraproducente. Até mesmo a Universidade Harvard já reconheceu que a melhor maneira de se combater as doenças sexualmente transmissíveis é a apresentada pela Igreja: castidade e fidelidade conjugal. Uganda, por exemplo, conseguiu reduzir de 30% para 7% o número de soropositivos no país, através de campanhas que incentivam a abstinência e a monogamia.


Contudo, a atitude desonesta de Gouvêa em se eximir de suas responsabilidades e colocar a culpa em outrem, no caso, na Igreja, não é novidade. A prática remonta o primeiro século, quando Nero, após atear fogo em Roma, responsabilizou os cristãos pela tragédia. A ordem é essa: na dúvida, culpe a Igreja.


Assim, um skinhead mata um homossexual e a culpa é do Padre Paulo Ricardo; uma mulher é estuprada e a culpa é da Igreja; crianças morrem de fome na África e a culpa é do trono do Papa. E ai daquele que se atrever a contestar. Corre o risco de ser amordaçado e xingado de xiita por gente tão “tolerante” que faz campanha para criminalizar opiniões alheias.


O filósofo Luiz Felipe Pondé, em uma recente entrevista sobre o conceito de “politicamente correto”, declarou que “o único preconceito que no jantar inteligente é aceito é contra católico”. Há alguns anos, isso soaria como uma bobagem do filósofo. Hoje, no entanto, a declaração de Pondé não poderia ser mais lúcida!


Renan Cunha é estudante de Jornalismo na UEL.

domingo, 10 de junho de 2012

Origem de Corpus Christi


As procissões com a Eucaristia são um testemunho público de fé e piedade a Jesus Cristo

Eucarístico. Mas, nosso amor pela Eucaristia não se comprova na hora das procissões:

comprova-se na hora do Banquete Eucarístico (missa)


Qual o sentido da adoração eucarística?

A Igreja Católica sempre conservou como tesouro preciosíssimo o mistério da fé presente no dom da Eucaristia. Ao longo da história exprimiu a fé eucarística não só através de uma atitude interior de devoção, mas também mediante várias expressões exteriores. Disto surge a devoção eucarística, explicitada na adoração ao Santíssimo Sacramento (na vigília da Sexta-feira Santa e, sobretudo, na Solenidade de Corpus Christi).

Origem do Corpus Christi

A origem desta solenidade começa quando a Ir. Juliana de Mont Cornillon teve visões de Cristo demonstrando o desejo de que o mistério da Eucaristia fosse celebrado com maior destaque. Após apurada investigação das visões, estas foram acolhidas e oficializadas. Outro milagre eucarístico ocorreu durante uma missa, quando o Pe. Pietro de Praga duvidou da presença real de Cristo; imediatamente todos viram brotar sangue da hóstia consagrada por ele. Esta hóstia consagrada foi levada a Oviedo, na Espanha, em grande procissão, sendo recebida solenemente pelo Papa Urbano IV e levada para a Catedral de Santa Prisca. Esta foi a primeira procissão do Corpo Eucarístico. Dentro deste contexto, o Papa Urbano IV instituiu a Festa de Corpus Christi em 11 de agosto de 1264, para ser celebrada na quinta-feira após a Festa da Santíssima Trindade.

Os frutos da devoção eucarística

A exposição da Eucaristia é ao mesmo tempo uma proclamação pública da presença real de Cristo nas espécies do pão e do vinho, bem como uma devoção revelada por Deus e ensinada pela Igreja. Esta prática é edificante para os fiéis, conduzindo-os à comunhão mais perfeita com Deus e ao testemunho social. São notáveis os frutos da piedade eucarística. Todos os fiéis (comungantes ou não) que se aproximam da Eucaristia recebem graças para dominar a concupiscência, lavar as culpas leves cotidianas e prevenir as faltas graves.

Na presença da Eucaristia reconhecemos que Jesus Cristo é Emanuel (Deus-conosco). Não só durante a missa, mas também depois, quando a Eucaristia é conservada no sacrário ou exposta à adoração. Ali o Senhor permanece no meio de nós, habita conosco, ouve pacientemente nossas orações, consola os aflitos, educa os costumes, alimenta as virtudes, fortifica os fracos e cura as feridas da alma.

Na oração diante do Santíssimo Sacramento os fiéis abrem o coração e pedem por si e por suas famílias, rogam pela paz e salvação do mundo. Oferecem com Cristo sua vida ao Pai no Espírito Santo, e recebem o aumento da fé, esperança e caridade. Assim fomentam as disposições devidas que lhes permitem celebrar com devoção o Memorial do Senhor (missa).

O que ensina a Igreja?

O fim primeiro e primordial da eucaristia fora da missa é a administração do viático (aos enfermos acamados). Como fim secundário estão a distribuição da comunhão fora da missa e a adoração de Jesus Cristo, velado sobre as mesmas espécies (Eucharisticum Misterium 49).
A Eucharisticum Mysterium ensina que todo culto de adoração eucarística deve manifestar sua relação com a missa, portanto não deve ser um ato isolado, fora de contexto litúrgico. Algumas práticas ambíguas e abusivas, por melhor intenção que se tenha, devem ser evitadas porque não harmonizam com o caráter próprio da devoção eucarística. A liturgia nunca é propriedade privada de alguém, nem do presidente da celebração, nem da comunidade onde é celebrada, e nem do pregador/condutor.

É importante que os fiéis que adoram a Cristo presente na Hóstia Sagrada sejam instruídos que esta presença real provem do sacrifício na missa e se ordena à comunhão com todas as outras dimensões eucarísticas (comunitária, social, sacrificial). Exorta ainda que está proibida a celebração da missa diante do Santíssimo exposto, para evitar ambiguidade e confusão na fé. O documento ressalta a dimensão comunitária, celebrativa e originária da eucaristia na missa, porque Cristo instituiu a eucaristia numa refeição, antes de tudo, para que fosse nosso alimento, consolo e remédio.

As procissões com a Eucaristia são um testemunho público de fé e piedade a Jesus Cristo Eucarístico. Mas, nosso amor pela Eucaristia não se comprova na hora das procissões: comprova-se na hora do Banquete Eucarístico (missa). Quando cumprimos o mandato: “Fazei isto em memória de mim”, nós atualizamos nosso compromisso de amar como Ele amou. A participação ativa e consciente na Santa Missa frutifica em bênçãos ao fiel, e este, por sua vez, compromete-se a ser uma bênção de Deus no mundo e para o mundo. As procissões manifestam valor quando testemunham a nossa comum união, seja na Igreja ou nos desafios vividos na família, no trabalho, na escola entre outros.

O compromisso social

A piedade que impulsiona os fiéis a adorarem o Cristo Eucarístico os leva também a promover a presença Dele nos desvalidos: “Tudo o que fizerdes a um destes pequeninos, foi a mim que o fizestes” (Mt 25,40). Os verdadeiros adoradores (Jo 4) são aqueles que (re)conhecem o Cristo nos pobres: preocupam-se em ter um templo bonito, mas também que os pobres tenham moradia digna; que o altar tenha uma linda toalha e o ostensório seja grande e brilhante, mas que todos tenham agasalhos no inverno; pessoas que se alimentam do Corpo e do Sangue em todas as missas, mas também preocupam-se em dar de comer a quem tem fome; são aqueles que passam horas diante do Santíssimo, mas também são capazes de passar alguns minutos com os enfermos.

O adorador eucarístico é um promotor da vida! Santo Agostinho fala de um amor “social” (Comen. Psl 98), que nos leva a antepor o bem comum ao bem particular, a fazer nossa a causa da comunidade, da paróquia e da Igreja universal, e a dilatarmos este amor a Cristo até abraçarmos o mundo inteiro, pois em toda parte há membros de Cristo (Mysterium Fidei 71).
A Igreja, Mãe misericordiosa, ensina que mesmo os fiéis que estão canonicamente impossibilitados de comungar sacramentalmente, não estão isentos da graça de Deus.

O Guia Litúrgico-pastoral da CNBB n.9 orienta que: “Não podendo vivenciar e assimilar, no contexto da celebração, todos os aspectos da Ceia do Senhor, quem se coloca em oração silenciosa diante da Eucaristia retome as diversas partes da ação litúrgica, por exemplo, o prefácio, a oração eucarística, a oração do dia ou a oração após a comunhão, as leituras proclamadas na liturgia da Palavra. Ou então, repetir no silêncio do coração: ‘Eis o mistério da fé’; ‘Felizes os convidados para a Ceia do Senhor’; ‘Ele está no meio de nós!’; ‘Demos graças ao Senhor nosso Deus!’ e outras expressões ou aclamações próprias da celebração eucarística.”

Só é possível amar o que conhecemos. É necessário conhecer sempre mais o valor e a adoração para participar dela com mais consciência, e assim, colher as graças que de Cristo provém. Bom encontro com Deus!

Padre Fernando Garcia (fernandoteos@hotmail.com)
Paróquia Nossa Senhora de Fátima
Marialva - PR