quarta-feira, 31 de março de 2010

Uma resposta ao The New York Times.

O jornal New York Times, em 25 de março, acusou o cardeal Joseph Ratzinger, agora Papa Bento XVI, de intervir para impedir que um padre, Lawrence Murphy, enfrentasse sanções para os casos de abuso sexual de menores.

A história é falsa.
É suportado por sua própria documentação. Na verdade, ela dá todos os indícios de fazer parte de uma campanha coordenada contra o Papa Bento XVI, ao invés de jornalismo responsável.

Antes de abordar o fundo falso da história, as seguintes circunstâncias são dignas de nota:

• A história do New York Times teve duas fontes. Primeira, advogados que atualmente têm ação civil pendente contra a Arquidiocese de Milwaukee. Um dos advogados, Jeffrey Anderson, também tem casos pendentes no Supremo Tribunal dos Estados Unidos contra a Santa Sé. Ele tem um direto interesse financeiro na matéria que está sendo relatada.

• A segunda fonte foi o arcebispo Rembert Weakland, arcebispo emérito de Milwaukee. Ele é o bispo mais desacreditado e desonrado nos Estados Unidos, conhecido por descuidar de casos de abuso sexual durante sua posse, e culpado de usar $ 450.000 de fundos arquidiocesanos para pagar suborno a um ex-amante homossexual que lhe estava chantageando. O arcebispo Weakland tinha a responsabilidade pelo caso de padre Murphy entre 1977 e 1998, quando o padre Murphy morreu. Ele estava amargurado que a sua má administração da Arquidiocese de Milwaukee lhe valeu o desagrado do Papa João Paulo II e Joseph Ratzinger, muito antes de ter sido revelado que ele tinha usado o dinheiro dos paroquianos para pagar seu amante clandestino. Ele é prima facie, não uma fonte confiável.

• Laurie Goodstein, a autora da história do New York Times, teve uma história recente com o arcebispo Weakland. No ano passado, após o lançamento da autobiografia do infeliz arcebispo, ela escreveu uma história invulgarmente simpática que enterrou todas as acusações mais graves contra ele (New York Times – 14 de maior de 2009).

• Uma demonstração ocorreu em Roma na sexta-feira, coincidindo com a publicação da história do New York Times. Alguém poderia perguntar se seria coincidência que ativistas americanos em Roma estivessem distribuindo os mesmos documentos referidos naquele dia no New York Times. A aparência aqui é de uma campanha coordenada, ao invés de relatórios desinteressados.

É possível que más fontes possam providenciar a verdade. Mas fontes comprometidas pedem por um maior controle. Em vez de um maior controle da história original, no entanto, os editores de notícias de todo o mundo simplesmente repetiram o New York Times. O que nos leva ao problema mais fundamental: a história não é verdadeira, segundo a sua própria documentação.
O New York Times disponibiliza em seu próprio site a documentação de apoio para a história. Nesses documentos, o próprio cardeal Ratzinger não toma qualquer decisão que, alegadamente, frustra o julgamento. As cartas são dirigidas a ele; as respostas vêm de seu vice. Mesmo deixando isso de lado, porém, a acusação aqui – de que o escritório do cardeal Ratzinger impediu alguma investigação – está provada ser totalmente falsa.


Os documentos mostram que o processo penal ou processo canônico contra o padre Murphy nunca foi interrompido por ninguém. Na verdade, ele só foi abandonado dias antes do padre Murphy morrer. O cardeal Ratzinger nunca tomou uma decisão sobre o caso, de acordo com os documentos. Seu vice, o arcebispo Tarcisio Bertone, sugeriu que, já que o padre Murphy estava com a saúde debilitada e um julgamento canônico seria um assunto complicado, o mais correto seria removê-lo de todo o ministério.

Repetindo: a acusação de que o cardeal Ratzinger alguma coisa errada não é suportada pela documentação em que a história foi baseada. Ele não aparece no registro como tomando qualquer decisão. Seu escritório, na pessoa do seu vice, Dom Bertone, concordou que deve haver um completo julgamento canônico. Quando se tornou evidente que o padre Murphy estava com a saúde debilitada, Dom Bertone sugeriu que o mais correto seria removê-lo de todo o ministério.

Além disso, segundo o direito canônico na época, a principal responsabilidade de casos de abuso sexual ficava com o bispo local. O arcebispo Weakland tinha, a partir de 1977, a responsabilidade de administrar as sanções ao padre Murphy. Ele não fez nada até 1996. Foi nesse momento que o gabinete do Cardeal Ratzinger se envolveu, e, posteriormente, não fez nada para impedir o processo local.

O New York Times conta a história errada, segundo a sua própria evidência. Os leitores podem querer especular sobre o motivo.
Aqui está o cronograma dos fatos mais relevantes, extraídos dos documentos do New York Times postados em seu próprio site.

15 de maio de 1974

É alegado um abuso pelo padre Lawrence Murphy por um ex-aluno da Escola para Surdos de S. João em Milwaukee. Na verdade, as acusações contra o Padre Murphy remontam há mais de uma década.

12 de setembro de 1974

É concedido ao padre Murphy uma “licença para tratamento de saúde” oficial da Escola para Surdos de S. João. Ele deixa Milwaukee, Wisconsin e muda-se para o norte, na Diocese do Superior, onde ele mora numa casa de família com sua mãe. Ele não tem atribuição oficial a partir deste ponto até a sua morte em 1998. Ele não volta a viver em Milwaukee. Nenhuma sanção canônica é exercida contra ele.

9 de julho de 1980

Funcionários da Diocese do Superior escrevem aos funcionários da Arquidiocese de Milwaukee sobre que ministério o padre Murphy poderia fazer no Superior. O arcebispo Rembert Weakland, arcebispo de Milwaukee desde 1977, foi consultado e disse que seria prudente ter o padre Murphy de volta para o ministério com a comunidade surda. Não há indicação de que o arcebispo Weakland prevê outras medidas a serem tomadas no caso.

17 de julho de 1996

Mais de 20 anos após as alegações de abusos originais, o arcebispo Weakland escreve ao cardeal Ratzinger, afirmando que só agora ele descobriu que o abuso sexual do padre Murphy envolvia o sacramento da confissão – um crime canônico ainda mais graves. As acusações sobre o abuso do sacramento da confissão estavam nas alegações de 1974. A esta altura, Weakland já havia sido arcebispo de Milwaukee por 19 anos.
Deve-se notar que, com relação a acusações de abusos sexuais, o arcebispo Weakland poderia ter procedido contra o padre Murphy a qualquer momento. A questão da solicitação no sacramento da confissão requereu notificar Roma, mas que também poderia ter sido feito nos anos 1970.

10 de setembro de 1996

O padre Murphy é notificado de que um processo canônico irá proceder contra ele. Até 2001, o bispo local tinha autoridade para agir em tais assuntos. A Arquidiocese de Milwaukee vai agora começar o julgamento. É de salientar que, neste momento, nenhuma resposta foi recebida em Roma, indicando que o arcebispo Weakland sabia que ele tinha autoridade para prosseguir.

24 de março de 1997

O Arcebispo Tarcisio Bertone, secretário adjunto do cardeal Ratzinger na Congregação para a Doutrina da Fé, aconselha um processo canônico contra o padre Murphy.

14 de maio de 1997

O arcebispo Weakland escreve ao arcebispo Bertone para dizer que o processo penal contra o padre Murphy foi lançado, e observa que a Congregação para a Doutrina da Fé aconselhou-o a prosseguir, mesmo que o estatuto de limitações expire. Na verdade, não existe estatuto de limitações para a solicitação no sacramento da confissão.
Durante todo o resto de 1997, a fase preparatória do processo penal ou processo canônico está em andamento. Em 5 de Janeiro de 1998, o Tribunal da Arquidiocese de Milwaukee diz que um processo acelerado deve ser concluído dentro de poucos meses.

12 de janeiro de 1998

O padre Murphy, agora menos de oito meses de sua morte, apela para o cardeal Ratzinger que, dada a sua saúde frágil, ele deve ser autorizado a viver os seus dias em paz.

6 de abril de 1998

O arcebispo Bertone, observando a saúde frágil do padre Murphy e que não houve novas acusações em quase 25 anos, recomenda a utilização de medidas pastorais para garantir que o padre Murphy não exerça ministério, mas sem a acusação completa de um processo penal. É apenas uma sugestão, como o bispo local mantém o controle.

13 de maio de 1998

O Bispo do Superior, onde o processo foi transferido para e onde o padre Murphy tem vivido desde 1974, rejeita a sugestão de medidas pastorais. Inicia-se um julgamento pré-formal em 15 de maio de 1998, continuando o processo já iniciado com a notificação de que tinha sido emitida em setembro de 1996.

30 de maio de 1998

O arcebispo Weakland, que está em Roma, reúne-se com os membros na Congregação da Doutrina da Fé, incluindo o arcebispo Bertone, mas não incluindo o cardeal Ratzinger, para discutir o caso. O processo penal está em curso. Nenhuma decisão é tomada para pará-lo, mas dadas as dificuldades de um julgamento depois de 25 anos, outras opções são exploradas que iriam remover mais rapidamente o padre Murphy do ministério.

19 de agosto de 1998

O arcebispo Weakland escreve que ele parou o processo canônico e o processo penal contra o padre Murphy e foi imediatamente iniciado o processo para tirá-lo do ministério – uma opção mais rápida.

21 de agosto de 1998

Morre o padre Murphy. Sua família desafia as ordens do arcebispo Weakland para um funeral discreto.- O padre Raymond J. de Souza é um capelão na Queen’s University, em Ontário.

Pelo Pe. Raymond J. de Souza
(http://corner.nationalreview.com)
Tradução: Emerson de Oliveira

Pedofilia, um complô contra o Papa.

D. Henrique Soares da Costa
Bispo auxiliar de Aracaju, SE

Caro Internuta, leia este texto da cronista italiana Benedetta Sangirardi. Não gosto de insistir sobre certos assuntos sensacionalistas, mas aqui, penso é preciso deixar as coisas o mais claro possível! O texto é muito bom e deve ser lido. Vejamos que escândalos vão ainda tirar do baú contra o Papa e contra a Igreja. Uma coisa é certa: Bento XVI vai aparecendo cada vez mais como um gigante homem de fé de moral admirável! Que Papa, que grande Pastor, o Senhor os concedeu!

O que está acontecendo? Há um complô contra a Igreja?
Os casos de pedofilia se sucedem nas páginas dos jornais. Quase um por dia.
O que há de verdadeiro e de falso nesta questão? E por que estão aparecendo agora todos os casos (gravíssimos) de pedofilia dentro da Igreja?
Alguém está querendo colocar para fora Bento XVI? Segundo quanto parece a Affaritaliani.it colhido de fontes críveis vizinhas ao Vaticano, a vontade é exatamente de jogar na lama a Igreja. trata-se, em suma, de uma verdadeira e própria campanha midiática contra o Papa.

Um complô, uma trama anticatólica vinda de certa cultura presente no Ocidente. A voz da Igreja, aos olhos desta cultura, sendo livre e não manipulável, cria não poucos problemas (basta pensar na constante defesa da vida e da dignidade da pessoa contra os interesses de alguns). Não é por acaso que muitos desses “episódios” e acusações de pedofilia venham do Exterior. E não é por acaso que a palavra “lobby” tenha sido cunhada exatamente nos países nos quais é mais presente esta matriz cultural. Mas, vamos por ordem.

Estamos assistindo a um verdadeiro e próprio ataque que objetiva desacreditar a Igreja e o Pontífice através das armas principalmente midiáticas. Basta tomar os casos que estão enchendo as páginas dos jornais.

Têm todas as características de ser episódios do passado, já encerrados e conhecidos, em grande parte já tratados antes pela mídia. E agora são colocados a público um a um, com certa cadência , para produzir o máximo de efeito.

Desde o início a manobra foi clara: chegar ao Pontífice. Partiu-se da tentativa de envolver o irmão do Papa, noticiando os dois casos de abuso sexual no coro de Ratisbona, que na realidade aconteceram anos antes do trabalho de Georg Ratzinger e, sobretudo, eram já conhecidos e encerrados juridicamente. Mas, o nome “Ratzinger” permaneceu lá, nos títulos dos jornais. Depois, trouxeram à luz outro caso já conhecido e encerrado, o do assim chamado “padre H”, na Arquidiocese de Munique, nos inícios dos anos 80.
Também este um caso já tratado a seu tempo, no qual era já havia sido constatada - até pelo tribunal que julgou o acusado - a total falta de ligação com o então Arcebispo Ratzinger.

O último caso aparecido no New York Times é mais uma tentativa: também aqui os documentos dizem que a Congregação para a Doutrina d a Fé, consultada 20 anos depois dos fatos (os abusos tinham ocorrido nos anos 70), convidou a conservar o sacerdote em questão, mas distante das atividades pastorais, mesmo tendo se passado tantos anos sem evidência de outros crimes e apesar de a justiça civil já ter arquivado o caso.

Os números – Ao estalar dos casos singulares (sempre os mesmos de décadas tirados agora do baú) une-se o inchaço das cifras para dar a idéia se um fenômeno extenso e incontrolável. Um exemplo iluminante é a cifra de 4000 casos de abuso nos Estados Unidos que continuamente é repetida. O que se omite dizer é que das 4000 acusações (não sentenças), as que diziam respeito a pedofilia eram 950, que resultaram em 54 condenações, em um período de quarenta anos. Os sacerdotes nos Estados Unidos são 109.000.

Os documentos – Um outro elemento é a citação imprópria dos documentos como se existissem redigidos secretamente para encobrir os crimes dos pedófilos. A realidade é que nos dois documentos mais importantes, (públicos e consultáveis também online) o “Crimen sollicitationis”, de 1922 reeditado em 1962 por João XXIII e o “De delictis gravioribus”, de 2001 assinado pelo então Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o Cardeal Ratzinger, está escrito em alto e bom tom que os crimes devem ser pontualmente denunciados e julgados canonicamente. O problema é que os documentos são redigidos em latim e algumas péssimas traduções, unidas à má fé, levaram a confundir frases dando-lhes o sentido contrário. Mas, também aqui, nos títulos dos jornais, ficou a impressão de que as altas esferas mandavam ocultar os casos.

A Igreja e, de modo particular, um papa, não podem e não devem ficar preocupados em aparecer de modo belo diante da imprensa mundial e muito menos buscar os seus aplausos, ainda que, atualmente, poucas realidades do nosso mundo globalizado sobretudo midiaticamente tenham um poder ao menos próximo daquele dos meios de comunicação.

E, no entanto, não deixa de ser porco, realmente nojento – a expressão é esta e não há outra – a campanha desses meios de comunicação contra a Igreja e, de modo específico, contra o Papa Bento XVI. Todos aqueles que são bem informados sabem que esses meios nunca gostaram do Cardeal Ratzinger. Recordam as manchetes quando da sua eleição? Lembram do rosto do Papa dentro dum bloco de gelo, para dizer que a Igreja agora estava congelada? Foi a capa da Veja. Há jornais que são particularmente desonestos e maquiavélicos quando se trata de Bento XVI: penso no The New York Times, um jornal patologicamente anticatólico; penso no italiano La Reppubblica, que é a voz de tudo quanto na Itália possa causar dano à Igreja, penso no Le Monde francês e no El Pais espanhol.

Por que esta minha conversa? Por causa desse assunto já saturado da pedofilia de alguns sacerdotes. Esses órgãos de comunicação fazem o possível para incriminar o Papa de algum modo! Até agora fracassaram e fracassarão sempre, mas como desgastam! Primeiro, inspirados pela BBC (hoje controlada pelo lobby gay), tentaram acusar o então Cardeal Ratzinger de orquestrar todo um programa de acobertamento dos casos de pedofilia.

A TV Record – nunca se esqueça a quem ela pertence e como foi comprada! – fez questão de apresentar esse programa no Brasil, mesmo quando as acusações já tinham sido refutadas e desmascaradas na Europa. Agora, com os casos que vieram à baila, tentaram insinuar que o irmão do Papa era pedófilo. Ficou provado que era mentira. Que o irmão do Papa maltratava crianças. Também ficou assentado que não era verdade: ele era rígido e castigava corporalmente as crianças, como qualquer mestre na Alemanha e nas nossas escolas há quarenta, cinqüenta anos atrás.

Na Alemanha, certa imprensa marrom tentou afirmar que Ratzinger, quando era Arcebispo de Munique, protegeu um padre pedófilo. Foi provado que a acusação era falsa: o então Arcebispo havia deixado que o referido sacerdote ficasse hospedado na casa paroquial enquanto se submetia a tratamento psicológico, somente como hóspede e sem atividade pastoral alguma.

Agora, o The New York Times, por pura maldade e desonestidade, acusou o Papa, quando Cardeal, de encobrir a caso de um padre que teria abusado de 200 crianças. Também é mentira. Aliás, foi Bento XVI quem, assim que assumiu o trono de Pedro, mandou reabrir o caso do Pe. Marcial Maciel e o suspendeu de modo definitivo. A linha de Bento XVI nesses casos sempre foi clara, simples e reta: tolerância zero. O que nos desilude profundamente é perceber de modo claro a desonestidade desses meios midiáticos, que não buscam a verdade, mas usam a informação como puro jogo de poder e de interesses. Mundo cão, o nosso! Mundo marcado profundamente pelo pecado, pela mentira, passando por cima da boa fama dos outros e da retidão de caráter de homens como o Santo Padre! Veremos o que ainda haverão de inventar contra esse homem manso e reto, esse homem de consciência moral elevadíssima, que é Bento XVI. Que Deus o proteja e o livre das mãos de seus tremendos, desonestos e ímpios inimigos.

http://costa_hs.blog.uol.com.br/arch2010-03-21_2010-03-27.html

terça-feira, 30 de março de 2010

Imprensa e carta do Papa sobre abusos sexuais.

“Sem precedentes”, concordam os jornais de diferentes tendências.

Favoráveis, contrários ou internamente divididos, os meios de comunicação do mundo inteiro acolheram a Carta pastoral de Bento XVI aos católicos da Irlanda como um documento “sem precedentes”, não somente por ser o primeiro texto de um papa sobre o tema dos abusos sexuais por parte do clero, mas também pela dor com que foi escrito.

O interesse superou amplamente as costas da ilha irlandesa, como demonstrou o fato de que, poucos minutos depois da publicação no Vaticano, ao meio-dia do sábado, 20 de março, já era possível ler a carta em sites de jornais como Süddeutsche Zeitung, The New York Times, Le Monde, The Telegraph, El Mundo, Le Figaro, El Universal, Los Angeles Times, The Washington Post e El País. As primeiras manchetes se concentraram na petição de perdão que o Papa dirige, em nome da Igreja, às vítimas de abusos cometidos por clérigos:

“Sofrestes tremendamente e por isso sinto profundo desgosto. Sei que nada pode cancelar o mal que suportastes. Foi traída a vossa confiança e violada a vossa dignidade”.

Respostas das vítimas

Após a apresentação do documento, os primeiros comentários publicados pela imprensa se centraram em declarações de associações de vítimas de abusos sexuais por parte de sacerdotes, entre as quais também houve diferenças de opinião.

Entre as organizações criticadas, destacam-se, por exemplo, o comentário negativo de Maeve Lewis, diretora executiva de One in Four, e o comunicado divulgado no mesmo sábado às redações dos jornais pela Survivors Network of those Abused by Priests (SNAP).
Em particular, esta nota critica dura e ironicamente o fato de que Bento XVI não tenha tomado, neste documento, medidas concretas para enfrentar os escândalos, particularmente por não exigir nele a renúncia de mais pessoas que, de alguma maneira, possam ter estado envolvidas nos escândalos. Críticas semelhantes foram feitas por outras associações de vítimas, em geral com tons duros.

A esta crítica já havia respondido o Pe. Federico Lombardi, SJ, diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, na apresentação do documento aos jornalistas, ao explicar que se trata de uma carta pastoral e, portanto, não indica medidas administrativas e jurídicas, como, por exemplo, a renúncia de outros bispos irlandeses. Tais decisões, de qualquer maneira, competem ao Pontífice e aos interessados.

Em algumas ocasiões, estas mesmas associações reconheceram que não compreendem o alcance dos anúncios que o Papa faz na carta, por abordarem questões técnicas do Direito Canônico: a convocação de uma visita apostólica, isto é, uma espécie de auditoria nas dioceses da Irlanda, assim como nos seminários e congregações religiosas, com a ajuda de expoentes da Cúria Romana.

O próprio Papa compreende, no documento, a dificuldade que supõe para as vítimas destes abusos aceitar suas palavras: “É compreensível que vos seja difícil perdoar ou reconciliar-vos com a Igreja. Em seu nome, expresso abertamente a vergonha e o remorso que todos sentimos”.
Por sua parte, a Irish Survivors of Child Abuse Organization (Irish-SOCA) considerou que a carta contém “um reconhecimento evidente de que a Igreja na Irlanda pecou da maneira mais grave contra jovens durante muitas décadas”.


O porta-voz vaticano, em sua apresentação aos jornalistas, também respondeu à crítica lançada por jornais alemães, que esperavam alusões por parte do Papa à situação do seu país. Cada país, segundo o Pe. Lombardi, tem sua especificidade. O Santo Padre decidirá quando e como intervir no caso da sua pátria, garantiu.

Culpados diante de Deus e diante dos tribunais

Outro trecho muito citado pelos jornais e pelas vítimas, particularmente por Irish-SOCA, foi o dirigido “aos sacerdotes e religiosos que abusaram dos jovens”, para garantir-lhes que “traístes a confiança que os jovens inocentes e os seus pais tinham em vós. Por isto deveis responder diante de Deus onipotente, assim como diante de tribunais devidamente constituídos”.

Ao sublinhar estes trechos, a imprensa insistiu em que, para a Igreja, não é possível aceitar nunca mais o encobrimento: “A justiça de Deus exige que prestemos contas das nossas ações sem nada esconder. Reconhecei abertamente a vossa culpa, submetei-vos às exigências da justiça”, assegura o Papa aos clérigos manchados por estas culpas.

Por este motivo, uma das manchetes mais comuns para ilustrar a carta foi “Os sacerdotes pedófilos devem responder diante de Deus e dos tribunais”.

Uma carta sem precedentes.

No entanto, há um aspecto em que o Papa obteve o consenso entre as associações de vítimas e a imprensa em geral: as “desculpas sem precedentes” que aparecem na carta, com tons sinceros e humildes.

“Não posso deixar de partilhar o pavor e a sensação de traição que muitos de vós experimentastes ao tomar conhecimento destes atos pecaminosos e criminais e do modo como as autoridades da Igreja na Irlanda os enfrentaram”, reconhece o Pontífice em sua missiva.

“Papa sente vergonha pelos casos de pederastia” foi a manchete de alguns jornais.

O que a imprensa não abordou: a penitência.

Foi interessante constatar que os meios de informação deixaram de lado a primeira medida adotada pelo Papa, totalmente excepcional para um documento com estas características: a penitência comunitária que a Igreja propõe para esse país.

O Pontífice convida os católicos irlandeses a oferecerem “as vossas penitências da sexta-feira, durante todo o ano, de agora até à Páscoa de 2011, (...) para obter a graça da cura e da renovação para a Igreja na Irlanda”.

Tampouco ocupou espaço nos jornais o trecho no qual o Bispo de Roma incentiva a “redescobrir o sacramento da Reconciliação”, assim como a “adoração eucarística”, e aquele em que convoca “uma Missão a nível nacional para todos os bispos, sacerdotes e religiosos”.

O descuido destes trechos levou a imprensa a ignorar a frase central da carta do Papa, frente ao futuro: “Tenho esperança em que este programa levará a um renascimento da Igreja na Irlanda na plenitude da própria verdade de Deus, porque é a verdade que nos torna livres”.

Lobby laicista contra Papa: grande boato do “New York Times”.

Se existe um jornal que me vem à mente quando se fala de lobbies laicistas e anticatólicos, este é o New York Times. No dia 25 de março de 2010, o jornal de Nova York confirmou esta vocação sua com um incrível boato relativo a Bento XVI e ao cardeal secretário de Estado, Tarcisio Bertone.

Segundo o jornal, em 1996, os cardeais Ratzinger e Bertone teriam ocultado o caso – indicado à Congregação para a Doutrina da Fé pela arquidiocese de Milwaukee – relativo a um padre pedófilo, Lawrence Murphy. Incrivelmente – após anos de esclarecimentos e depois que o documento foi publicado e comentado amplamente em meio mundo, desvelando as falsificações e erros de tradução dos lobbies laicistas –, o New York Times ainda acusa a instrução Crimen sollicitationis, de 1962 (na verdade, 2ª edição de um texto de 1922) de ter agido para impedir que o caso Murphy fosse levado à atenção das autoridades civis.

Os fatos são um pouco diferentes.

Por volta de 1975, Murphy foi acusado de abusos particularmente graves e desagradáveis em um colégio para menores surdos. O caso foi imediatamente denunciado às autoridades civis, que não encontraram provas suficientes para proceder contra Murphy. A Igreja, nesta questão mais severa que o Estado, continuou com persistência indagando sobre Murphy e, dado que suspeitava que ele fosse culpado, limitou de diversas formas seu exercício do ministério, apesar de que a denúncia contra ele tinha sido arquivada pela magistratura correspondente.
Vinte anos depois dos fatos, em 1995 – em um clima de fortes polêmicas sobre os casos dos “padres pedófilos” –, a arquidiocese de Milwaukee considerou oportuno indicar o caso à Congregação para a Doutrina da Fé. A indicação era relativa a violações da disciplina da confissão, matéria de competência da Congregação, e não tinha nada a ver com a investigação civil, que havia sido levada a cabo e que havia sido concluída 20 anos antes. Também é preciso observar que, nos 20 anos precedentes a 1995, não houve nenhum fato novo nem novas acusações feitas a Murphy. Os fatos sobre os quais se discutia eram ainda aqueles de 1975.


A arquidiocese indicou também a Roma que Murphy estava moribundo. A Congregação para a Doutrina da Fé certamente não publicou documentos e declarações 20 anos depois dos fatos, mas recomendou que se continuasse limitando as atividades pastorais de Murphy e que lhe fosse pedido que admitisse publicamente sua responsabilidade. Quatro meses depois da intervenção romana, Murphy faleceu.

Este novo exemplo de jornalismo lixo confirma como funcionam os “pânicos morais”.

Para desonrar a pessoa do Santo Padre, desenterra-se um episódio de 35 anos atrás, conhecido e discutido pela imprensa local já na década de 70, cuja gestão – enquanto era da sua competência e 25 anos depois dos fatos – por parte da Congregação para a Doutrina da Fé foi canônica e impecável, e muito mais severa que a das autoridades estatais americanas.

De quantas destas ‘descobertas’ ainda temos necessidade para perceber que o ataque contra o Papa não tem nada a ver com a defesa das vítimas dos casos de pedofilia – certamente graves, inaceitáveis e criminais, como Bento XVI recordou com tanta severidade –, mas que tenta desacreditar um pontífice e uma Igreja que incomodam os lobbies pela sua eficaz ação de defesa da vida e da família?

A vocação de custodiar um milagre eucarístico.

O sacerdote franciscano Paolo Spring tem desde 1997 uma missão que está plenamente relacionada com sua vocação: cuidar do milagre eucarístico que se encontra na basílica de São Francisco na cidade de Siena, localizada na região da Toscana, ao norte da Itália.

Semanalmente, recebe dezenas de grupos de peregrinos, desde crianças que se preparam para a primeira comunhão, até estrangeiros que aproveitam sua viagem para visitar essa cidade cheia de arte, história e espiritualidade, para ver um dos milagres eucarísticos mais impressionantes, o milagre das 223 hóstias consagradas há 280 anos que até agora estão intactas em uma das capelas laterais da basílica.

Ao acolher os fiéis, o padre lhes conta a história do milagre em inglês ou italiano, e ele mesmo, ao narrá-la, maravilha-se diante desse feito, como se fosse a primeira vez que escuta a história.

“Eles vêm de todo o mundo, onde há católicos. Vêm para ver o milagre. Quando chegam, cantam, comovem-se e choram de alegria”, disse o sacerdote.

Uma alegria que contagia e renova até mesmo o sacerdote, mas ele conhece a história há muito tempo. Ainda recorda a primeira vez que viu estas hóstias:

“No final dos anos 70, em uma peregrinação, quando vim aqui e conheci o milagre, pensei: deve permanecer bem protegido, deve ser divulgado, devemos trabalhar para quem vem até aqui entender, e ir embora com esse milagre em seu coração”.

Milagre diário

Foi em 1730, em 14 de agosto, véspera da festa da assunção da Virgem Maria, em todas as igrejas de Siena, os sacerdotes consagraram hóstias adicionais para quem quisesse receber o Corpo de Cristo no dia seguinte.
À noite, todos os sacerdotes de Siena se reuniram na catedral principal dessa cidade para fazer uma vigília e deixaram suas respectivas igrejas sozinhas. Alguns ladrões aproveitaram e entraram na basílica de São Francisco para roubar o copo de ouro com as hóstias consagradas.
Na manhã seguinte se deram conta de que as hóstias não estavam e, no meio da rua, um paroquiano encontrou a parte de cima do copo. Confirmou assim que o corpo de Cristo havia sido roubado. Os habitantes de Siena começaram a rezar para que aparecessem as hóstias.
Três dias depois, enquanto um homem estava orando na igreja de Santa Maria em Provenzano, muito próximo da Basílica de São Francisco, notou que havia algo de cor branca dentro de uma caixa destinada para doação dos pobres. Imediatamente informaram ao arcebispo e chegaram para ver do que se tratava.
Abriram a caixa, eram as 351 hóstias consagradas - o mesmo número de hóstias que foram roubadas.

“Esses três dias foram como os dias entre a Crucificação e a Ressurreição”, disse o padre Spring.

Estavam cheias de poeira e teia de aranha. Os sacerdotes as limparam cuidadosamente.
Então houve um dia de adoração e reparação. Milhares de fiéis foram até a basílica para agradecer a descoberta. Essas não foram distribuídas, ao que parece, porque os franciscanos queriam que os peregrinos as adorassem até o momento em que se deteriorassem (porque ao se deteriorar, desaparece a presença real de Cristo).
Mas as hóstias permaneciam intactas e com um odor muito agradável. As pessoas começaram a considerá-las milagrosas e cada vez iam mais peregrinos para orar diante delas. Algumas poucas foram distribuídas em ocasiões especiais.
Hoje, 280 anos depois, permanecem 223 hóstias que apresentam o mesmo estado que tinham no dia em que foram consagradas.

“Em diversas etapas foram examinadas e fisicamente conservam todas as características de uma hóstia recém-feita”, explica o padre Paolo.

Em 1914, foi feito um exame mais rigoroso desse milagre, por disposição do Papa São Pio X.

“As Sagradas Partículas resultaram em perfeito estado de consistência, lúcidas, brancas, perfumadas e intactas” , disse padre Spring.

Também foi concluído nesse exame que as hóstias roubadas foram preparadas sem precauções científicas e guardadas em condições normais, e em circunstâncias normais a deterioração deveria ter sido rápida.

Em 14 de setembro de 1980, o Papa João Paulo II viajou a Siena para celebrar os 250 anos desse Milagre Eucarístico. Ao ir, disse: “é a Presença”. Também foram orar diante dessas hóstias santas, personagens como São João Bosco e o beato Papa João XXIII.

Para o padre Spring, o Milagre Eucarístico de Siena “representa uma prova do amor de Deus para nós e a presença para nos sustentarmos contra as dúvidas e dificuldades, o milagre com o qual Deus Pai está ajudando a Igreja a não ter medo, para viver a presença de seu fundador enviado pelo Pai para fazer sua vontade”.

“Aqui existem duas coisas milagrosas”, diz o padre Spring, apontando as hóstias consagradas há quase três séculos. “O tempo não existe, se deteve”.

E o sacerdote explica o segundo milagre: “os corpos compostos e as substâncias orgânicas estão sujeitos a murchar”. É um milagre vivo, contínuo, não sabemos até quando o Senhor o permitirá”, conclui o sacerdote.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Bispos da França e Inglaterra saem em defesa do Papa nos casos de pedofilia.

Os bispos da França expressaram nesta sexta-feira vergonha e pesar ante os atos abomináveis de pedofilia dentro da Igreja Católica, em carta dirigida ao Papa Bento XVI, ao término de sua assembleia geral realizada em Lourdes (sudoeste).

"Todos sentimos vergonha e pesar ante os atos abomináveis cometidos por alguns padres e religiosos", afirmaram os bispos franceses - que, na mesma carta, defenderam o Papa contra os ataques que sofreu neste caso.
"Constatamos também que estes fatos inadmissíveis são utilizados em uma campanha para atacar o senhor e sua missão à serviço da Igreja", destacaram os prelados.

Também enviaram "uma cordial mensagem de apoio no difícil período que atravessa nossa igreja".

Os bispos manifestaram adesão às palavras do Papa "destinadas às vítimas dos crimes" e consideraram que as pessoas que cometem esses atos "desfiguram nossa Igreja".

"Mesmo que estes atos sejam resultado de um grupo muito pequeno de sacerdotes - e já é demais - os que vivem com alegria e fidelidade seu compromisso a serviço da Igreja também são afetados", afirma ainda a mensagem.

O chefe máximo dos católicos da Inglaterra e de Gales também negou que a Igreja tenha acobertado os abusos sexuais em um artigo publicado no jornal Times.
O arcebispo de Westminster, Vincent Nichols, considerou inadmissível a atitude das pessoas que abusaram sexualmente de menores.

"O abuso de crianças cometidos dentro da Igreja católica romana e seu acobertamento são profundamente chocantes e totalmente inadmissíveis", afirma o prelado.

"Envergonho-me do ocorrido e compreendo a ira e horror que estes casos produziram", enfatiza.

Bento XVI se encontra no centro de um escândalo ocasionada pela matéria do jornal The New York Times divulgando informações de que, nos anos 90, o então cardeal Joseph Ratzinger encobriu um padre americano suspeito de ter abusado de 200 crianças com deficiência auditiva.
O Vaticano saiu em defesa do Papa afirmando que ele só teve conhecimento dos fatos quando era tarde, quando o idoso sacerdote já estava muito doente.

Segundo o NYT, Joseph Ratzinger, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé nos anos 1990, abriu mão de iniciar os trâmites contra o padre acusado de ter abusado de quase 200 crianças surdas em uma escola do Wisconsin (norte dos Estados Unidos) entre 1950 e 1972.
Os documentos, mantidos em sigilo durante muitos anos, revelam uma correspondência de 1996 entre o padre Lawrence C. Murphy e o então cardeal Joseph Ratzinger, que presidia a Congregação para a Doutrina da Fé antes de virar Papa, afirma o Times.

Ratzinger também teria sido alertado sobre as acusações contra o padre Murphy pelo arcebispo de Wisconsin, que teria escrito duas cartas sobre a questão. Murphy trabalhou na escola para crianças surdas e com deficiências auditivas do estado de Wisconsin entre 1950 e 1974.
Este novo caso, revelado pelo New York Times, diz respeito a julgamentos contra o arcebispo de Milwaukee, iniciados por cinco homens cujos advogados entregam ao jornal documentos referentes ao padre de Wisconsin. Um julgamento a portas fechadas ante um tribunal eclesiástico contra o padre Murphy foi arquivado depois de uma carta redigida por ele a Ratzinger pedindo que impedisse o processo, acrescenta o jornal. (Jornalismo anticatolico, grifo meu. como ele, o jornal teria acesso a esses documentos? E Tornar publico um acontecimento de 1950 e 1974 é algo ao meu ver sensacionalista e com proposito de envolver o Papa neste escandalos).

"Simplesmente quero viver o tempo que me resta na dignidade de meu sacerdócio", escreveu Murphy ao então cardeal Ratzinger. "Peço sua ajuda neste caso", prossegue o religioso americano. Nenhuma resposta de Ratzinger figura entre esses documentos, e Murphy faleceu dois anos mais tarde, em 1998, quando ainda era padre.

Na resposta ao jornal, o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, ressalta em um comunicado que se recorreu à Congregação pela primeira vez no fim dos anos 90, "quando já haviam transcorrido mais de duas décadas desde que os abusos foram denunciados aos dirigentes da diocese e da polícia". Pe. Lombardi recordou que as autoridades civis americanas investigaram o padre Lawrence Murphy nos anos 70, após as acusações das vítimas, mas acabaram abandonando o processo.
Obs: Leavantam-se frentes que agora querem atacar o Papa Bento 16 com o proposito não sei pra que. Mais como diz na canção "se bons combates não combater, minha coroa não vou conquistarei ... se perseguido aqui eu não for, sinceramente um bom cristão não sou" e ser CATOLICO É MUITO DIFICIL MAIS SALUTAR, PELO CAMINHO ESTREITO CHEGAREMOS AO CÉU, porque tem que se defender dia apos dia de nossa fé de ataques como esse. Papa Bento 16 o senhor não esta sozinho nesta batalha.

DOM ODILO: CARTA DO PAPA É PARA TODOS OS FIÉIS.

O Cardeal-Arcebispo Odilo Pedro Scherer, disse que ficou impressionado “com a clareza e a firmeza” do Papa Bento XVI na carta que escreveu aos católicos da Irlanda sobre os abusos sexuais praticados por padres contra crianças e adolescentes daquele país.
Na carta, divulgada no sábado, 20, Bento XVI expressou em nome da Igreja “a vergonha e o remorso que todos sentimos”.

“A carta do Papa é dirigida diretamente aos católicos da Irlanda, mas vale para os católicos de todo o mundo”, diz Dom Odilo.

“Não podemos ser coniventes com crimes dessa natureza”, completa.

De acordo com o Cardeal o Papa indica os caminhos para a Irlanda superar os problemas.

“Os remédios vão desde a chamada à penitência e à conversão, à responsabilização perante a justiça civil e canônica; mas (o Papa) também fala da ajuda às vítimas e suas famílias e a uma grande ação missionária no país, da qual ele próprio quer participar, indo à Irlanda”.

Leia aqui a íntegra da entrevista:

O São Paulo - Dom Odilo com que disposições de alma deve ser acolhida a Carta do Papa aos católicos da Irlanda?

Dom Odilo: A carta do Papa é realista e muito forte; deveria ser lida com atenção e acolhida como uma palavra clara sobre a posição da Igreja em relação aos tristes problemas abordados, isto é, o abuso sexual de crianças e adolescentes por pessoas da Igreja, mas também por pessoas não pertencentes a ela. A Igreja não ensina, não incentiva e não aprova isso, mas reprova e condena firmemente tais tristes fatos. E quem os comete, deve cair na conta da própria responsabilidade diante de Deus e diante dos homens. Os abusos causaram sérios danos a pessoas e também à Igreja.

O São Paulo - A carta é marcada pelo espanto, pela dor, pela indignação diante dos abusos e pelo desejo de reparar o mal cometido. Como o senhor tem lido as reações a ela?

Dom Odilo: Fiquei impressionado com a clareza e a firmeza com que o Papa abordou as questões e lembrei-me das palavras do Evangelho: “A verdade vos libertará”. O Papa quis transmitir a todos os responsáveis pela Igreja (bispos, padres, superiores religiosos) essa mesma firmeza na busca de estabelecer a verdade sobre os fatos; e também deixou claro que a Igreja, de forma alguma, está de acordo com tais crimes. O 6° mandamento da lei de Deus precisa ser levado a sério novamente.

O São Paulo - Bento 16 não mede palavras na condenação dos crimes nem no reconhecimento dos erros cometidos. Uma medida ao mesmo tempo dura, dolorosa, honesta e necessária, entende o senhor?

Dom Odilo: Sim, e não poderia ser diferente. Não podemos ser coniventes com crimes dessa natureza. Mas é preciso acrescentar mais algo: o Papa também toma sobre si a dor das vítimas e chama os responsáveis por tais crimes à conversão, ao arrependimento, à penitência e a buscar o perdão e de Deus.

O São Paulo - A Igreja presente em todo o mundo sofre com esses escândalos. Existe, porém, a tentação de achar que o problema está localizado só na Irlanda. A carta do Papa tem múltiplos destinatários, além dos sacerdotes, das vítimas dos abusos, dos pais e de todos os católicos desse país?

Dom Odilo: A carta do Papa é dirigida diretamente aos católicos da Irlanda, mas vale para os católicos de todo o mundo. Os fatos, infelizmente, não acontecem apenas lá na Irlanda; e nem somente nos ambientes da Igreja. A tentação e a fragilidade da “carne” está por toda parte.
Os abusos sexuais sobre crianças são muito mais abundantes que se possa imaginar e em todos os ambientes do convívio social. Acontecem em maior número debaixo dos tetos familiares. Isso não diminui em nada a gravidade de crimes cometidos por representantes da Igreja, mas faz pensar que ninguém deveria ficar com a alma lavada porque foram denunciados e admitidos casos na Igreja. O mal é bem mais amplo e profundo e requer uma revisão de posturas culturais do nosso tempo. O relaxamento e o desprezo pelos valores e conceitos ético-morais é uma das causas principais e a vítima é sempre a pessoa mais frágil e desprotegida.

O São Paulo - Bento 16 oferece o remédio para a cura do problema do abuso de crianças e adolescentes e das feridas causadas na vítimas, nas famílias e na própria Igreja? Em que consiste este remédio?

Dom Odilo: O Papa indica na carta uma série de medidas a serem adotadas para a superação do problema na Irlanda; tais “remédios” vão desde a chamada à penitência e à conversão, à responsabilização perante a justiça civil e canônica; mas também fala da ajuda às vítimas e suas famílias e a uma grande ação missionária no país, da qual ele próprio quer participar, indo à Irlanda. Interessante é que o Papa chama o povo da Irlanda, que foi tradicionalmente muito católico, a retomar forças da sua própria história religiosa, dos seus mártires e santos, a começar por São Patrício, dos seus missionários, que contribuíram muito para a evangelização em várias partes do mundo ao longo da história.

O São Paulo - Que sinais de esperança podem ser identificados neste momento de dor que não atinge apenas a Igreja da Irlanda mas a toda a Igreja?

Dom Odilo: Antes de tudo, fica uma grande chamada de alerta: não podemos perder a noção da seriedade e gravidade dos fatos. O relaxamento dos costumes e da moral é o chão no qual nascem e se desenvolvem, na maior normalidade”, todos os vícios. Por outro lado, a carta é um chamado à vigilância: os pais estejam atentos à educação dos seus filhos e às companhias que freqüentam. Uma vez, as companhias eram apenas os amigos ou as pessoas próximas; hoje, a “companhia” mais perigosa pode estar dentro de casa, na internet. Por outro lado, na Igreja, a dolorosa verificação dos fatos é o caminho necessário para a purificação e a retomada do seu autêntico serviço prestado à humanidade. O poder da graça de Deus é maior que as insídias do Maligno, que semeia a erva ruim no campo da Igreja. Foi Jesus quem falou e isso nos dá esperança.

Antipapas e perigos do magistério paralelo.

A tentativa da imprensa de envolver Bento XVI na questão da pedofilia é só o mais recente dos sinais de aversão que muitos nutrem com relação ao Papa. É necessário perguntar-se como este Pontífice, apesar de sua mansidão evangélica e da sua honradez, da clareza das suas palavras unida à profundidade do seu pensamento e dos seus ensinamentos, suscita em alguns lugares sentimentos de antipatia e formas de anticlericalismo que pareciam superadas.

E – isso é preciso dizer – suscita ainda mais assombro e inclusive dor quando aqueles que não seguem o Papa e denunciam seus supostos erros são homens de Igreja, sejam teólogos, sacerdotes ou leigos. As inusitadas e claramente forçadas acusações do teólogo Hans Küng contra a pessoa de Joseph Ratzinger, teólogo, bispo, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e agora Pontífice, por ter causado, segundo ele, a pedofilia de alguns eclesiásticos mediante sua teologia e seu magistério sobre o celibato nos entristecem profundamente. Nunca havia acontecido que a Igreja fosse atacada dessa maneira.

Às perseguições contra muitos cristãos, crucificados em sentido literal em muitas partes do mundo, às múltiplas tentativas de desarraigar o cristianismo nas sociedades antes cristãs, com uma violência devastadora no âmbito legislativo, educativo e dos costumes, que não pode encontrar explicações no bom senso, acrescenta-se há tempos uma ferocidade contra este Papa, cuja grandeza providencial está diante dos olhos de todos.

Estes ataques, tristemente, são ecoados por aqueles que não escutam o Papa, também eclesiásticos, professores de teologia nos seminários, sacerdotes e leigos. Os que não acusam abertamente o Pontífice, mas silenciam seus ensinamentos, não leem os documentos do magistério, escrevem e falam sustentando exatamente o contrário do que ele diz, dão vida a iniciativas pastorais e culturais, por exemplo, no campo da bioética ou do diálogo ecumênico, em aberta divergência com relação ao que ele prega. O fenômeno é muito grave, já que está muito difundido.

Bento XVI ofereceu ensinamentos sobre o Vaticano II que muitíssimos católicos rebatem abertamente, promovendo formas de magistério paralelo sistemático, guiados por muitos “antipapas; ele ofereceu ensinamentos sobre os “valores não-negociáveis”, que muitíssimos católicos minimizam ou reinterpretam, e isso acontece também por parte de teólogos e comentaristas da fama hospedados na imprensa católica, além da leiga; ele ofereceu ensinamentos sobre a primazia da fé apostólica na leitura sapiencial dos acontecimentos e muitíssimos continuam falando da primazia da situação, da práxis, dos dados das ciências humanas; ele ofereceu ensinamentos sobre a consciência e sobre a ditadura do relativismo, mas muitíssimos antepõem a democracia ou a Constituição ao Evangelho. Para muitos, Dominus Iesus, a nota sobre os católicos na política, de 2002, o discurso de Ratisbona, de 2006, e a Caritas in veritate são como se nunca houvessem existido.

A situação é grave, porque esta brecha entre os fiéis que escutam o Papa e aqueles que não o escutam se difunde por todos os lados, até nos seminários diocesanos e nos institutos de ciências religiosas, e incentiva duas pastorais muito diferentes, que já quase não se entendem, como se fossem expressão de duas Igrejas diversas, e provocam insegurança e extravio em muitos fiéis.
Neste momento muito difícil, nosso observatório sente o dever de expressar sua filial proximidade de Bento XVI.

Oramos por ele e permaneceremos fiéis em seu seguimento.

Dom Giampaolo Crepaldi é arcebispo de Trieste e presidente do Observatório Internacional Cardeal Van Thuân.