A cantora protestante Ana Paula Valadão da denominação religiosa igreja da Lagoinha em show, em Salvador, BA, profetizou o fim da Igreja Católica Apostólica Romana.
Em determinado momento de sua apresentação a cantora baseando-se em passagem bíblica repete diversas vezes a palavra tambores como numa invocação, ao mesmo tempo em que a percussão da banda acelera a batucada.
Momentos seguintes, a palavra de ordem de Valadão é “receba o tambor, receba o tambor, é a ruína dos falsos deuses, é a ruína do povo idólatra”, diz.
Adiante pede ao conjunto que toquem os tambores em ritmo baiano, as bailarinas dançam se debatendo, algumas pelo chão. Muitos internautas compararam a apresentação às manifestações da macumba.
A cantora parecia fora de si e de um lado para o outro do palco soltou as palavras:
“ (Aqui em Salvador) Aonde a idolatria chegou, aonde chegou o culto aos deuses. Onde entrou a influência de toda mariolatria no nosso Brasil, desde as primeiras missas efetuadas em solo brasileiro, o Senhor fará tocar novos tambores nesta nação”, proclamou.
Ana Paula Valadão é de uma corrente protestante proselitista, que associa o culto dos católicos à Virgem Maria como idolatria e parece se ofender com a religião que novamente mostra toda sua potência na nação brasileira, isso está bem claro quando a artista se diz falar em nome de Deus e proclama a suposta profecia da queda da idolatria tendo como expoente a Igreja Católica, como se fossemos idolatras.
Tomar a palavra em nome do Criador é algo sério e nos recorda os falsos profetas citados na Bíblia que são como lobos em pele de cordeiro. O mandado evangélico de Jesus tem como primazia o amor, o que nos leva responder à cantora imbuídos dessa caridade e não de outros sentimentos. Portanto, desconsideramos o entendimento da protestante que nos vê como idólatra e dignos do castigo eterno e acolhemos suas palavras que diz na mesma apresentação:
"A Igreja Católica Apostólica Romana do Brasil será invadida por uma onda de conversão, haverá entre os padres, entre os seminaristas um espírito de ousadia para tomarem posição diante do Senhor”, falou.
De fato uma onda de graça e de conversão invade a Igreja Católica desde seus inícios quando foi fundada por Jesus Cristo e confiada aos cuidados de Pedro e da sucessão apostólica. Diferente dos protestantes, pregamos que precisamos de conversão continuamente e não ostentamos o título de salvo por vanglória e presunção, mas como um dom de Deus feito a nós por Cristo Jesus na Cruz, não é resultado de voluntarismo humano.
Como católicos não possuímos nenhum rancor contra nossos irmãos protestantes, apenas gostaríamos de sermos respeitados assim como respeitamos sua fé, seus cultos, seu apreço aos pastores que se identifica com nosso respeito às autoridades eclesiásticas; sua admiração à formiguinha – o Smiliguido – que, quem diria, ganhou o formato de escultura, artigo reprovado por eles no culto católico.
Obs: Diante disso venho dá o meu testemunho. Eu, na minha sede de Deus, eu fui em várias denominações protestantes. Eu, vendo falarem tanto da Igreja Católica, resolvi ir um dia, guiado por Deus é claro ir conhecer. Foi num grupo de oração da RCC proximo o meu bairro, Um reino para todos, gente, eu pensei que eu estava doido, porque tudo que falaram lá, eu não via nada na Igreja Católica. O "pastor" dizia assim no culto: Nossa Senhora (ele disse Nossa Senhora) é causadora de todas as desgraças que acontecem no mundo. Eu não sei porque incomodamos tanto a eles. Paciência orante. Talvez querem que o Brasil seja uma Irlanda divida por religião. Lamentavél a atitude dessa "ministra" de louvor.
sábado, 20 de março de 2010
sexta-feira, 19 de março de 2010
O Santo Sacerdócio.
“Cristo é a origem de todo sacerdote: pois o sacerdote da [Antiga] Lei era figura dele, ao passo que o sacerdote da Nova Lei age em sua pessoa”. Santo Tomás de Aquino (122-1274) - Doutor da Igreja.
O ofício do sacerdote é o sinal indelével ou caráter impresso na alma do sacerdote pela recepção do Sacramento da Ordem. O sacerdote é o homem escolhidos dentre os homens, para representá-los em suas relações para com Deus.
No tempo dos patriarcas, Deus não tinha ainda escolhido homens para esta função.
Os sacrifícios eram oferecidos pelo chefe de família, como Noé (Gn 8,20), Abraão (Gn 22,13), Jacó (Gn 31,54), ou pelo chefe da tribo, como Melquisedec (Gn 14,18) ou Jetro (Ex 18,12).
No tempo da lei mosaica, Deus estabeleceu uma hierarquia de três ordens:
1) Os levitas que eram varões da tribo de Levi, não descendente de Aarão. Alguns assistiam os sacerdotes oficiantes, outros se encarregavam da música durante a cerimônia e outros eram os porteiros superintendentes. Só lhes era permitido entra no pátio interior do Templo não porém no Templo, pois não era sacerdotes.
2) Os sacerdotes que eram os descendentes masculinos de Aarão, distribuídos em 24 classes (1Cr 24, 1 – 9) para servir semanalmente, por turnos, no Templo , onde deviam oferecer o sacrifício diário, no altar dos holocaustos (Ex 29,38; Hb 7,27; 10,11), queimar o incenso pela manhã e a tarde no “Santo” do Templo (Ex 30,7; Lc 1,9),e cuidar dos pães da proposição (Lv 24,5-9; Mt I2,4; Lc 17,13).
3) O sumo sacerdote, que era a autoridade suprema em matéria de religião. Aarão foi o primeiro sumo sacerdote, devendo o cargo passar aos primogênitos, dele descendente em linha reta. O cargo era vitalício. Pouco antes de Cristo, porém, os sumo sacerdotes passaram a ser eleitos e demitidos á vontade de Herodes e depois á dos procuradores romanos. Só o sumo sacerdote podia oferecer o grande sacrifício da expiação (Ex 30,10; Lev I6; Hb 9,7) e somente ele podia entra no Santo dos Santos, no Templo. Era investido no ofício por unção ou por uma imposição das vestes próprias e sagradas do sumo sacerdote. O sacerdócio judaico cessou com a instituição do verdadeiro sacerdócio de Nosso Senhor Jesus Cristo, do qual não era outra coisa senão a imagem e, finalmente, desapareceu no ano 70 d.C, com a destruição do Templo de Jerusalém.
No tempo do Novo Testamento, em que estamos, Cristo é o sumo sacerdote (Hb 5,10), e eterno sacerdote, consagrado pela encarnação do verbo.
Exerceu seu sacerdócio na instituição da Eucaristia (Mt 26,26,-29; Lc 22,15,-20; 1Cor 11,23-25; Hb 9,22) e na sua morte sacrifical sobre a cruz (Hb 7,27;9,12.25s).
Por suas santas palavras: “Fazei isto em memória de mim” (Lc 22, I9; 1 Cor 11, 24s) conferiu o sacerdócio aos apóstolos, habilitando-os a oferecer o sacrifício da Santa Missa, porquanto, cada sacerdote é ordenado para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados (Hb 5, 1).
Os apóstolos, por sua vez, ordenaram outros sacerdotes, para cumprirem a ordem de Cristo:
“Fazei isto em memória de mim” e para perpetuar a aplicação dos méritos da Paixão e Morte de Cristo a todos os homens (At I4,22; Tito I,5).
O sacerdote é, por seguinte, um ministro de Jesus Cristo (I Cor 4, 1), representando-O junto do povo e representando o mesmo povo diante do bom Deus. Os fiéis participam do sacerdócio de Cristo num sentido lato, mas não no sentido estrito da hierarquia sacerdotal. Nós somos um povo sacerdotal (1 Pd 2,5; Ap I, 6).
ALTO CONCEITO DO SACERDÓCIO
O poeta, bispo e Doutor da Igreja São Gregório Nazianzeno (330-389) tinha altíssimo conceito do sacerdócio e aceitou ser ordenado somente para ir ao encontro das necessidades urgentes da Igreja e seguindo os conselhos insistentes dos amigos, fugindo de todo sentimento de vanglória ou de poder. Por si mesmo, considerava-se indigno, porque o sacerdócio exige pureza de coração e entrega total. Por isso, ele escreveu:
“Ninguém é digno da grandeza de Deus da Vítima e do Sacerdote, a não ser que já se tenha oferecido a si mesmo a Deus como hóstia viva e santa a menos que já se tenha imolado a Deus em sacrifício de louvor e com espírito humilde, as únicas coisas que o autor de todos os dons pede que lhe ofertemos”.
O alto conceito do sacerdote para o padroeiro dos sacerdotes do mundo inteiro São João Maria Vianney, o Cura d’Ars, ultrapassa a de qualquer autoridade terrestre e até mesmo a dos santos:
“A Santa Virgem Maria não pode fazer descer seu divino Filho na hóstia. Ainda que vocês tivessem duzentos anjos, eles não poderiam absorvê-lo. Um sacerdote pode fazer isso. O sacerdote é algo de grande”.
O queridíssimo Papa João Paulo II tinha um elevado conceito pelos sacerdotes e um zelo todo especial aos sacerdotes. Anualmente, por ocasião da Quinta-feira Santa, publicava uma “Carta a todos os sacerdotes da Igreja”. Para cada ano, escolhia um tema especial. Sua primeira carta, de 08 de Abril de 1979, começava assim:
“Nos inícios de meu novo ministério na Igreja, sinto profundamente a necessidade de me dirigir a vós, (...), sacerdotes, que sois meus irmãos em virtude do sacramento da ordem”.
João Paulo II escreveu de forma abissal sobre a dignidade do sacerdote:
“O sacerdócio exige particular integridade de vida e serviço; tal integridade conduz muito bem com nossa identidade e a sacerdotal”. Nela se exprimem a grandeza da nossa dignidade e a “disponibilidade” que lhe é própria: a prontidão humana para aceitar os dons do Espírito Santo e distribuir ao outros o frutos do amor e da paz. (Carta n.4).
MINISTÉRIO E PERFIL DO SACERDOTE
“No serviço eclesial do ministro ordenado, é o próprio Cristo que está presente à sua Igreja enquanto Cabeça de seu Corpo, Pastor de seu rebanho, Sumo Sacerdote do sacrifício redentor, Mestre da Verdade. A Igreja expressa dizendo que o sacerdote, em virtude do sacramento da ordem, age “in persona Chrristi Capitis”, na pessoa de Cristo Cabeça". (Catecismo da Igreja Católica n.1545).
“Os sacerdotes são consagrados para pregar o Evangelho, apascentar os fiéis e celebrar o culto divino como verdadeiros sacerdotes do Novo Testamento” (CIC n. 1564).
“O perfil do sacerdote configurado pelo amor tem traço que assinalamos: homem de Deus, com (experiências viva de Deus), e homem dos homens, (com entranhas de misericórdia), humilde, (é sacramento de Cristo), e forte, “Sei em quem acreditei” - 2 Tm1 - 12, receptivo (é sacerdote em Cristo) e ativo (é para os demais e vai atrás da ovelha perdida), colaborador (não é pastor independente) e protagonista (tem responsabilidade própria), em permanente relação (a conotação relacional pertence á sua identidade) e em alteridade (atua em nome de Cristo e da Igreja), sensível ás diferentes situações das ovelhas e firme na resposta (é o pastor), confiante (propenso a crê nas pessoas) e realista, transparente (não pratica a duplicidade) e fiel ao que lhe foi confiado, frágil (em sua vida) e seguro (dá segurança em seu ministério: “Teu bastão e teu cajado me dão segurança” - Sl 23, 4), é de cada um (assim o percebem aqueles com eles falam) e é para todos, vive a Cruz e a Ressurreição (é pessoa pascal)”.
“Fica á consideração de todos que a pessoa do sacerdote, vista na chave do amor, é uma figura singular; implica uma dose de mistério – que existe – e que se torna atraente de perto, é a perspectiva mais objetiva para contemplar a pessoa. Objetiva para contemplar a pessoa. O sacerdote ou é amor ou não é nada”, afirma o reverendíssimo padre Saturnino Gamarra, escritor e sacerdote diocesano em Vitória, Espanha.
Santa Teresinha do Menino Jesus que era uma ardente intercessora dos sacerdotes dizia:
“Enfim encontrei minha vocação na Igreja no coração da Igreja serei o amor, assim serei tudo”.
O ministério sacerdotal tem na sua formação intelectual a sabedoria de conhecer a si mesmo e ao seu semelhante e muito mais do que isso tem a virtude transcendental para as coisas abissais do espírito. O perfil do sacerdote tem como fundamento o amor, e é explicito em sua missão.
Conclusão
Realmente, o fundamento para viver verdadeiramente o ministério sacerdotal é o amor, e esse amor se vive pela graça maravilhosa de Nosso Senhor Jesus Cristo.
O amor é tudo para uma alma fazer a vontade de Deus. Já foi dito por São Paulo Apóstolo:
“O amor de Deus está derramando em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5,5). É pela misericórdia do bom Deus que respondemos em atos concretos o nosso chamado ao santo sacerdócio. O nosso sacerdócio é o nosso fiel sentido da vida feliz escolhido por Deus.
A misericórdia do Pai Eterno nos coroou com a nossa vontade livre em prol de um desejo maior do que nossa razão. Só Deus sabe o melhor com segurança e duradoura alegria para seus filhos: hoje, amanhã e sempre!
“Todo dom precioso e toda dádiva perfeita vêm do alto e desse do Pai das luzes” (Tg 1,16).
Como é ínclito esse dom precioso do nosso santo sacerdócio. Receber essa dádiva perfeita por graça de um Pai que é todo santo, amor e Justiça em um ministério que é incomensurável!
Pe. Inácio José do Vale - Professor de História da Igreja
Pregador de Retiro Espiritual - Especialista em Ciência Social da Religião
E-mail: pe.inaciojose.osbm@hotmail.com
Fonte: Revista Beneditina, Julho/ agosto de 2009, pp.15 e16.
Pepe, Enrico. Mártires e santos do calendário romano, São Paulo: Editora Ave–Maria, 2008, p.24.
O ofício do sacerdote é o sinal indelével ou caráter impresso na alma do sacerdote pela recepção do Sacramento da Ordem. O sacerdote é o homem escolhidos dentre os homens, para representá-los em suas relações para com Deus.
No tempo dos patriarcas, Deus não tinha ainda escolhido homens para esta função.
Os sacrifícios eram oferecidos pelo chefe de família, como Noé (Gn 8,20), Abraão (Gn 22,13), Jacó (Gn 31,54), ou pelo chefe da tribo, como Melquisedec (Gn 14,18) ou Jetro (Ex 18,12).
No tempo da lei mosaica, Deus estabeleceu uma hierarquia de três ordens:
1) Os levitas que eram varões da tribo de Levi, não descendente de Aarão. Alguns assistiam os sacerdotes oficiantes, outros se encarregavam da música durante a cerimônia e outros eram os porteiros superintendentes. Só lhes era permitido entra no pátio interior do Templo não porém no Templo, pois não era sacerdotes.
2) Os sacerdotes que eram os descendentes masculinos de Aarão, distribuídos em 24 classes (1Cr 24, 1 – 9) para servir semanalmente, por turnos, no Templo , onde deviam oferecer o sacrifício diário, no altar dos holocaustos (Ex 29,38; Hb 7,27; 10,11), queimar o incenso pela manhã e a tarde no “Santo” do Templo (Ex 30,7; Lc 1,9),e cuidar dos pães da proposição (Lv 24,5-9; Mt I2,4; Lc 17,13).
3) O sumo sacerdote, que era a autoridade suprema em matéria de religião. Aarão foi o primeiro sumo sacerdote, devendo o cargo passar aos primogênitos, dele descendente em linha reta. O cargo era vitalício. Pouco antes de Cristo, porém, os sumo sacerdotes passaram a ser eleitos e demitidos á vontade de Herodes e depois á dos procuradores romanos. Só o sumo sacerdote podia oferecer o grande sacrifício da expiação (Ex 30,10; Lev I6; Hb 9,7) e somente ele podia entra no Santo dos Santos, no Templo. Era investido no ofício por unção ou por uma imposição das vestes próprias e sagradas do sumo sacerdote. O sacerdócio judaico cessou com a instituição do verdadeiro sacerdócio de Nosso Senhor Jesus Cristo, do qual não era outra coisa senão a imagem e, finalmente, desapareceu no ano 70 d.C, com a destruição do Templo de Jerusalém.
No tempo do Novo Testamento, em que estamos, Cristo é o sumo sacerdote (Hb 5,10), e eterno sacerdote, consagrado pela encarnação do verbo.
Exerceu seu sacerdócio na instituição da Eucaristia (Mt 26,26,-29; Lc 22,15,-20; 1Cor 11,23-25; Hb 9,22) e na sua morte sacrifical sobre a cruz (Hb 7,27;9,12.25s).
Por suas santas palavras: “Fazei isto em memória de mim” (Lc 22, I9; 1 Cor 11, 24s) conferiu o sacerdócio aos apóstolos, habilitando-os a oferecer o sacrifício da Santa Missa, porquanto, cada sacerdote é ordenado para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados (Hb 5, 1).
Os apóstolos, por sua vez, ordenaram outros sacerdotes, para cumprirem a ordem de Cristo:
“Fazei isto em memória de mim” e para perpetuar a aplicação dos méritos da Paixão e Morte de Cristo a todos os homens (At I4,22; Tito I,5).
O sacerdote é, por seguinte, um ministro de Jesus Cristo (I Cor 4, 1), representando-O junto do povo e representando o mesmo povo diante do bom Deus. Os fiéis participam do sacerdócio de Cristo num sentido lato, mas não no sentido estrito da hierarquia sacerdotal. Nós somos um povo sacerdotal (1 Pd 2,5; Ap I, 6).
ALTO CONCEITO DO SACERDÓCIO
O poeta, bispo e Doutor da Igreja São Gregório Nazianzeno (330-389) tinha altíssimo conceito do sacerdócio e aceitou ser ordenado somente para ir ao encontro das necessidades urgentes da Igreja e seguindo os conselhos insistentes dos amigos, fugindo de todo sentimento de vanglória ou de poder. Por si mesmo, considerava-se indigno, porque o sacerdócio exige pureza de coração e entrega total. Por isso, ele escreveu:
“Ninguém é digno da grandeza de Deus da Vítima e do Sacerdote, a não ser que já se tenha oferecido a si mesmo a Deus como hóstia viva e santa a menos que já se tenha imolado a Deus em sacrifício de louvor e com espírito humilde, as únicas coisas que o autor de todos os dons pede que lhe ofertemos”.
O alto conceito do sacerdote para o padroeiro dos sacerdotes do mundo inteiro São João Maria Vianney, o Cura d’Ars, ultrapassa a de qualquer autoridade terrestre e até mesmo a dos santos:
“A Santa Virgem Maria não pode fazer descer seu divino Filho na hóstia. Ainda que vocês tivessem duzentos anjos, eles não poderiam absorvê-lo. Um sacerdote pode fazer isso. O sacerdote é algo de grande”.
O queridíssimo Papa João Paulo II tinha um elevado conceito pelos sacerdotes e um zelo todo especial aos sacerdotes. Anualmente, por ocasião da Quinta-feira Santa, publicava uma “Carta a todos os sacerdotes da Igreja”. Para cada ano, escolhia um tema especial. Sua primeira carta, de 08 de Abril de 1979, começava assim:
“Nos inícios de meu novo ministério na Igreja, sinto profundamente a necessidade de me dirigir a vós, (...), sacerdotes, que sois meus irmãos em virtude do sacramento da ordem”.
João Paulo II escreveu de forma abissal sobre a dignidade do sacerdote:
“O sacerdócio exige particular integridade de vida e serviço; tal integridade conduz muito bem com nossa identidade e a sacerdotal”. Nela se exprimem a grandeza da nossa dignidade e a “disponibilidade” que lhe é própria: a prontidão humana para aceitar os dons do Espírito Santo e distribuir ao outros o frutos do amor e da paz. (Carta n.4).
MINISTÉRIO E PERFIL DO SACERDOTE
“No serviço eclesial do ministro ordenado, é o próprio Cristo que está presente à sua Igreja enquanto Cabeça de seu Corpo, Pastor de seu rebanho, Sumo Sacerdote do sacrifício redentor, Mestre da Verdade. A Igreja expressa dizendo que o sacerdote, em virtude do sacramento da ordem, age “in persona Chrristi Capitis”, na pessoa de Cristo Cabeça". (Catecismo da Igreja Católica n.1545).
“Os sacerdotes são consagrados para pregar o Evangelho, apascentar os fiéis e celebrar o culto divino como verdadeiros sacerdotes do Novo Testamento” (CIC n. 1564).
“O perfil do sacerdote configurado pelo amor tem traço que assinalamos: homem de Deus, com (experiências viva de Deus), e homem dos homens, (com entranhas de misericórdia), humilde, (é sacramento de Cristo), e forte, “Sei em quem acreditei” - 2 Tm1 - 12, receptivo (é sacerdote em Cristo) e ativo (é para os demais e vai atrás da ovelha perdida), colaborador (não é pastor independente) e protagonista (tem responsabilidade própria), em permanente relação (a conotação relacional pertence á sua identidade) e em alteridade (atua em nome de Cristo e da Igreja), sensível ás diferentes situações das ovelhas e firme na resposta (é o pastor), confiante (propenso a crê nas pessoas) e realista, transparente (não pratica a duplicidade) e fiel ao que lhe foi confiado, frágil (em sua vida) e seguro (dá segurança em seu ministério: “Teu bastão e teu cajado me dão segurança” - Sl 23, 4), é de cada um (assim o percebem aqueles com eles falam) e é para todos, vive a Cruz e a Ressurreição (é pessoa pascal)”.
“Fica á consideração de todos que a pessoa do sacerdote, vista na chave do amor, é uma figura singular; implica uma dose de mistério – que existe – e que se torna atraente de perto, é a perspectiva mais objetiva para contemplar a pessoa. Objetiva para contemplar a pessoa. O sacerdote ou é amor ou não é nada”, afirma o reverendíssimo padre Saturnino Gamarra, escritor e sacerdote diocesano em Vitória, Espanha.
Santa Teresinha do Menino Jesus que era uma ardente intercessora dos sacerdotes dizia:
“Enfim encontrei minha vocação na Igreja no coração da Igreja serei o amor, assim serei tudo”.
O ministério sacerdotal tem na sua formação intelectual a sabedoria de conhecer a si mesmo e ao seu semelhante e muito mais do que isso tem a virtude transcendental para as coisas abissais do espírito. O perfil do sacerdote tem como fundamento o amor, e é explicito em sua missão.
Conclusão
Realmente, o fundamento para viver verdadeiramente o ministério sacerdotal é o amor, e esse amor se vive pela graça maravilhosa de Nosso Senhor Jesus Cristo.
O amor é tudo para uma alma fazer a vontade de Deus. Já foi dito por São Paulo Apóstolo:
“O amor de Deus está derramando em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5,5). É pela misericórdia do bom Deus que respondemos em atos concretos o nosso chamado ao santo sacerdócio. O nosso sacerdócio é o nosso fiel sentido da vida feliz escolhido por Deus.
A misericórdia do Pai Eterno nos coroou com a nossa vontade livre em prol de um desejo maior do que nossa razão. Só Deus sabe o melhor com segurança e duradoura alegria para seus filhos: hoje, amanhã e sempre!
“Todo dom precioso e toda dádiva perfeita vêm do alto e desse do Pai das luzes” (Tg 1,16).
Como é ínclito esse dom precioso do nosso santo sacerdócio. Receber essa dádiva perfeita por graça de um Pai que é todo santo, amor e Justiça em um ministério que é incomensurável!
Pe. Inácio José do Vale - Professor de História da Igreja
Pregador de Retiro Espiritual - Especialista em Ciência Social da Religião
E-mail: pe.inaciojose.osbm@hotmail.com
Fonte: Revista Beneditina, Julho/ agosto de 2009, pp.15 e16.
Pepe, Enrico. Mártires e santos do calendário romano, São Paulo: Editora Ave–Maria, 2008, p.24.
quarta-feira, 17 de março de 2010
Carta Pastoral do Papa Bento XVI dedicada à pedofilia.

Papa espera que carta cure feridas de abusos sexuais.
Pela primeira vez, um documento do Papa vai ser inteiramente dedicado à questão da pedofilia. Depois dos recentes escândalos nos EUA, Irlanda e Alemanha, Bento XVI fez saber hoje que na próxima sexta-feira ou Sábado vai dar a conhecer as linhas da Carta Pastoral. Um documento que irá centrar-se na pedofilia, acredita-se que esse documento, "irá ajudar no arrependimento, na cura e na renovação".
"Como vocês sabem, nos últimos meses a Igreja na Irlanda tem sido severamente abalada como resultado da crise do abuso infantil. Como sinal da minha profunda preocupação, escrevi uma carta pastoral lidando com esta situação dolorosa", afirmou ele no dia de são Patrício, padroeiro da Irlanda
"Peço a todos que leiam por si próprios, com o coração aberto e num espírito de fé. Minha esperança é de que isso irá ajudar no processo de arrependimento, cura e renovação", afirmou.
Fontes do Vaticano disseram que a carta deve ser divulgada na sexta-feira ou no sábado. Embora seja dirigida ao povo irlandês, ela deve abordar a questão da pedofilia em vários países europeus. Será o primeiro documento pontifício voltado exclusivamente para esse assunto.
Obs: Oremos, para que essa Carta Pastoral seja lida, estudada e colocada em prática, até para futuras ordenações. Eu louvo a Deus pela iniciativa do Papa Bento 16.
Pela primeira vez, um documento do Papa vai ser inteiramente dedicado à questão da pedofilia. Depois dos recentes escândalos nos EUA, Irlanda e Alemanha, Bento XVI fez saber hoje que na próxima sexta-feira ou Sábado vai dar a conhecer as linhas da Carta Pastoral. Um documento que irá centrar-se na pedofilia, acredita-se que esse documento, "irá ajudar no arrependimento, na cura e na renovação".
"Como vocês sabem, nos últimos meses a Igreja na Irlanda tem sido severamente abalada como resultado da crise do abuso infantil. Como sinal da minha profunda preocupação, escrevi uma carta pastoral lidando com esta situação dolorosa", afirmou ele no dia de são Patrício, padroeiro da Irlanda
"Peço a todos que leiam por si próprios, com o coração aberto e num espírito de fé. Minha esperança é de que isso irá ajudar no processo de arrependimento, cura e renovação", afirmou.
Fontes do Vaticano disseram que a carta deve ser divulgada na sexta-feira ou no sábado. Embora seja dirigida ao povo irlandês, ela deve abordar a questão da pedofilia em vários países europeus. Será o primeiro documento pontifício voltado exclusivamente para esse assunto.
Obs: Oremos, para que essa Carta Pastoral seja lida, estudada e colocada em prática, até para futuras ordenações. Eu louvo a Deus pela iniciativa do Papa Bento 16.
Dom Filipe Santoro se manifesta contra o PNDH do Governo.
Programa de direitos humanos é “cartilha de estiloradical-socialista”.
Pessoa é “engrenagem do estado e totalmente dependente de sua ideologia”, diz bispo.
O bispo de Petrópolis (sudeste do Brasil), Dom Filippo Santoro, considera que o PNDH-3 (Programa Nacional de Direitos Humanos) do governo brasileiro traz “uma visão reduzida da pessoa humana”. O programa, recentemente lançado pelo governo, “suscita graves preocupações não apenas pela questão do aborto, do casamento de homossexuais, das adoções de crianças por casais do mesmo sexo, pela proibição de símbolos religiosos nos lugares públicos, pela transformaçãodo ensino religioso a história das religiões, pelo controle da imprensa, a lei da anistia, etc, mas, sobretudo por uma visão reduzida da pessoa humana”.
A questão em jogo – afirma o bispo em artigo divulgado nessa terça-feira–, “é sobretudo antropológica: que tipo de pessoa e de sociedade são propostos para o nosso País”.
“No programa se apresenta uma antropologia reduzida que sufoca o horizonte da vida humana limitando-o ao puro campo social”, afirma. (parece pregação de uma tal teologia condenada pelo magistério da Igreja).
Segundo Dom Filippo Santoro, dimensões “essenciais são negadas ou ignoradas: como a dignidade transcendente da pessoa humana e a sualiberdade; o valor da vida, da família e o significado pleno da educação eda convivência”.
“A pessoa e os grupos sociais são vistos como uma engrenagem do estado e totalmente dependentes de sua ideologia”, sublinha.
Dom Filippo considera que os aspectos positivos, “que também existem, eque constituíram as grandes batalhas da CNBB ao longo destes anos, sãoenglobados dentro de um sistema ideológico habilmente plantado por umaminoria que não respeita a visão da vida da grande maioria do povobrasileiro”.
Na 3º edição do PNDH, “estamos diante de uma cartilha de estiloradical-socialista, que está sendo implantada na Venezuela, Equador e Bolívia e que tem em Cuba o seu ponto de referência. Trata-se de um projeto reduzido de humanidade destinado a mudar profundamente a nossa sociedade”.
“Vida, família, educação, liberdade de consciência, de religião e de culto não podem ser definidos pelo poder do Estado ou de uma minoria. O Estado reconhece e estrutura estes valores que dizem respeito à dignidade últimada pessoa humana que é relação com o infinito e que nunca pode ser usada como meio, mas é um fim em si mesma. A fonte dos direitos humanos é a pessoa e não o Estado e os poderes públicos”, explica o bispo.
O programa do Governo “é um claro ato de autoritarismo que enquadra os direitos humanos num projeto ideológico, intolerante, que fez retroceder o País aos tempos de ditadura”, considera.
Segundo o bispo de Petrópolis, “somos todos interpelados diante desteprojeto que tenta desmontar a estrutura da sociedade destruindo o valor dapessoa, da vida, da família e das livres agregações sociais”.
Fonte: Zenit
Pessoa é “engrenagem do estado e totalmente dependente de sua ideologia”, diz bispo.
O bispo de Petrópolis (sudeste do Brasil), Dom Filippo Santoro, considera que o PNDH-3 (Programa Nacional de Direitos Humanos) do governo brasileiro traz “uma visão reduzida da pessoa humana”. O programa, recentemente lançado pelo governo, “suscita graves preocupações não apenas pela questão do aborto, do casamento de homossexuais, das adoções de crianças por casais do mesmo sexo, pela proibição de símbolos religiosos nos lugares públicos, pela transformaçãodo ensino religioso a história das religiões, pelo controle da imprensa, a lei da anistia, etc, mas, sobretudo por uma visão reduzida da pessoa humana”.
A questão em jogo – afirma o bispo em artigo divulgado nessa terça-feira–, “é sobretudo antropológica: que tipo de pessoa e de sociedade são propostos para o nosso País”.
“No programa se apresenta uma antropologia reduzida que sufoca o horizonte da vida humana limitando-o ao puro campo social”, afirma. (parece pregação de uma tal teologia condenada pelo magistério da Igreja).
Segundo Dom Filippo Santoro, dimensões “essenciais são negadas ou ignoradas: como a dignidade transcendente da pessoa humana e a sualiberdade; o valor da vida, da família e o significado pleno da educação eda convivência”.
“A pessoa e os grupos sociais são vistos como uma engrenagem do estado e totalmente dependentes de sua ideologia”, sublinha.
Dom Filippo considera que os aspectos positivos, “que também existem, eque constituíram as grandes batalhas da CNBB ao longo destes anos, sãoenglobados dentro de um sistema ideológico habilmente plantado por umaminoria que não respeita a visão da vida da grande maioria do povobrasileiro”.
Na 3º edição do PNDH, “estamos diante de uma cartilha de estiloradical-socialista, que está sendo implantada na Venezuela, Equador e Bolívia e que tem em Cuba o seu ponto de referência. Trata-se de um projeto reduzido de humanidade destinado a mudar profundamente a nossa sociedade”.
“Vida, família, educação, liberdade de consciência, de religião e de culto não podem ser definidos pelo poder do Estado ou de uma minoria. O Estado reconhece e estrutura estes valores que dizem respeito à dignidade últimada pessoa humana que é relação com o infinito e que nunca pode ser usada como meio, mas é um fim em si mesma. A fonte dos direitos humanos é a pessoa e não o Estado e os poderes públicos”, explica o bispo.
O programa do Governo “é um claro ato de autoritarismo que enquadra os direitos humanos num projeto ideológico, intolerante, que fez retroceder o País aos tempos de ditadura”, considera.
Segundo o bispo de Petrópolis, “somos todos interpelados diante desteprojeto que tenta desmontar a estrutura da sociedade destruindo o valor dapessoa, da vida, da família e das livres agregações sociais”.
Fonte: Zenit
Santa Sé: Nenhum bispo brasileiro envolvido em caso de abuso contra menores.
Após a difusão, por parte de fontes brasileiras, da notícia de afastamento de dois bispos e um sacerdote da Igreja Católica no Brasil o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, afirmou que nenhum bispo brasileiro está envolvido no episódio de abusos contra menores emergido dias atrás no Brasil. A confusão surgiu devido ao título honorífico de Monsenhor de dois dos sacerdotes do clero da diocese de Penedo envolvidos nas acusações, ainda não provadas. O título não designa que eles são membros da hierarquia católica. Estes sacerdotes não são nem nunca foram bispos. Por sua parte o bispo da diocese de Penedo, no estado de Alagoas, Dom Valério Breda, divulgou uma nota de imprensa em que manifesta a posição da diocese a respeito das denúncias de pedofilia envolvendo três sacerdotes da cidade de Arapiraca.
Entre as medidas tomadas pelo prelado está o afastamento dos sacerdotes de suas funções eclesiásticas e a instauração de um Processo Administrativo Penal, de acordo Código de Direito Canônico. As denúncias foram feitas públicas na última quinta-feira, através do programa Conexão Repórter, do canal de Televisão SBT.
A nota também foi dada a conhecer pela CNBB através do seu portal web:
"Considerando os graves e lastimáveis fatos noticiados por meio televisivo, em data de 11 de março de 2010, no programa "Conexão Repórter", da Emissora SBT, contendo acusações feitas ao Mons. Luiz Marques Barbosa, Mons. Raimundo Gomes do Nascimento e Padre Edilson Duarte do clero desta Diocese, supostamente envolvidos em atos (ainda não provados) de abuso ou constrangimento sexual contra terceiros, alguns dos quais, possivelmente, menores de idade", o bispo divulgou uma nota de imprensa "para dar justa e necessária informação aos Fiéis da Diocese", afirma a nota que tem por data 14 de março.
Em seguida a nota da diocese de Penedo destaca a posição da diocese sobre o fato dizendo:
"Reprovamos, de forma irrestrita e com o coração despedaçado pela vergonha e pela tristeza, os fatos, mesmo que ainda não provados, veiculados na referida reportagem, que revoltam a sã consciência humana e cristã; Se há jovens vítimas, como a apresentação dos fatos parece aludir, sentimo-nos ainda mais consternados e no dever da reparação".
A diocese informou também que "até o presente momento, nenhuma das supostas vítimas citadas nos supostos atos de abuso, tampouco seus familiares, procuraram oficialmente o Bispo diocesano, para formular denúncia de qualquer espécie".
A diocese anunciou assim a abertura de um inquérito policial e canônico para apurar os fatos:
"Considerando a urgência e a necessidade de preservar a honra e o direito das pessoas citadas e da própria Igreja Católica, frente à gravidade dos fatos acima mencionados, decretamos a abertura de Processo Administrativo Penal, nos termos do Código de Direito Canônico".
"Tendo-se ainda conhecimento da instauração de inquérito policial para averiguar a veracidade das denúncias formuladas pelas supostas vítimas exibidas na aludida reportagem, estamos a total dispor das Autoridades de polícia e da justiça em geral para tudo o que se fizer necessário, inalmente e com tal de garantir a isenção necessária para as investigações policiais – inquérito policial Nº 44/2010 - e fazendo-se necessário aguardar o prazo legal para a sua conclusão, é mister que os padres acima citados, como medida prudencial, deixem à disposição seus respectivos encargos eclesiásticos", concluiu a nota.
Obs: É preciso fazer todo o processo de investigação sem sencionalismo, porque tem 02 versões nesse inquerito. A Igreja Católica no Brasil quem que ser mais rigorosa nas vocações sacerdotais por causa desses acontecimentos que, nós católicos, somos cobrados na rua. Sei que esses acontecimentos não define minha fé, mais para muitos são. Deve-se fazer o que se fez, afastar os sacerdotes envolvidos das suas atividades e se colocando a disposição da policia para sua apuração, temos que acima de tudo viver o que pregamos. Ser padre é para os que em vocação - há mais são tão poucos padres - mais vale uma Igreja com poucos padres em santidade do que cheia de "padres" de profissão e doentes na alma e na mente. E a policia seja rigorosa, porque cada vez mais na cadeia, menos jovens terão que passar por isso. Aguardemos as apurações.
Oremos:
"Senhor dai-nos santas vocações e santos pastores. Leigos e leigas movidos pela graça do Espirito Santo. É o que te pedimos Senhor."
Entre as medidas tomadas pelo prelado está o afastamento dos sacerdotes de suas funções eclesiásticas e a instauração de um Processo Administrativo Penal, de acordo Código de Direito Canônico. As denúncias foram feitas públicas na última quinta-feira, através do programa Conexão Repórter, do canal de Televisão SBT.
A nota também foi dada a conhecer pela CNBB através do seu portal web:
"Considerando os graves e lastimáveis fatos noticiados por meio televisivo, em data de 11 de março de 2010, no programa "Conexão Repórter", da Emissora SBT, contendo acusações feitas ao Mons. Luiz Marques Barbosa, Mons. Raimundo Gomes do Nascimento e Padre Edilson Duarte do clero desta Diocese, supostamente envolvidos em atos (ainda não provados) de abuso ou constrangimento sexual contra terceiros, alguns dos quais, possivelmente, menores de idade", o bispo divulgou uma nota de imprensa "para dar justa e necessária informação aos Fiéis da Diocese", afirma a nota que tem por data 14 de março.
Em seguida a nota da diocese de Penedo destaca a posição da diocese sobre o fato dizendo:
"Reprovamos, de forma irrestrita e com o coração despedaçado pela vergonha e pela tristeza, os fatos, mesmo que ainda não provados, veiculados na referida reportagem, que revoltam a sã consciência humana e cristã; Se há jovens vítimas, como a apresentação dos fatos parece aludir, sentimo-nos ainda mais consternados e no dever da reparação".
A diocese informou também que "até o presente momento, nenhuma das supostas vítimas citadas nos supostos atos de abuso, tampouco seus familiares, procuraram oficialmente o Bispo diocesano, para formular denúncia de qualquer espécie".
A diocese anunciou assim a abertura de um inquérito policial e canônico para apurar os fatos:
"Considerando a urgência e a necessidade de preservar a honra e o direito das pessoas citadas e da própria Igreja Católica, frente à gravidade dos fatos acima mencionados, decretamos a abertura de Processo Administrativo Penal, nos termos do Código de Direito Canônico".
"Tendo-se ainda conhecimento da instauração de inquérito policial para averiguar a veracidade das denúncias formuladas pelas supostas vítimas exibidas na aludida reportagem, estamos a total dispor das Autoridades de polícia e da justiça em geral para tudo o que se fizer necessário, inalmente e com tal de garantir a isenção necessária para as investigações policiais – inquérito policial Nº 44/2010 - e fazendo-se necessário aguardar o prazo legal para a sua conclusão, é mister que os padres acima citados, como medida prudencial, deixem à disposição seus respectivos encargos eclesiásticos", concluiu a nota.
Obs: É preciso fazer todo o processo de investigação sem sencionalismo, porque tem 02 versões nesse inquerito. A Igreja Católica no Brasil quem que ser mais rigorosa nas vocações sacerdotais por causa desses acontecimentos que, nós católicos, somos cobrados na rua. Sei que esses acontecimentos não define minha fé, mais para muitos são. Deve-se fazer o que se fez, afastar os sacerdotes envolvidos das suas atividades e se colocando a disposição da policia para sua apuração, temos que acima de tudo viver o que pregamos. Ser padre é para os que em vocação - há mais são tão poucos padres - mais vale uma Igreja com poucos padres em santidade do que cheia de "padres" de profissão e doentes na alma e na mente. E a policia seja rigorosa, porque cada vez mais na cadeia, menos jovens terão que passar por isso. Aguardemos as apurações.
Oremos:
"Senhor dai-nos santas vocações e santos pastores. Leigos e leigas movidos pela graça do Espirito Santo. É o que te pedimos Senhor."
Delegado diz que assassinato de padre e ex-seminarista foi latrocínio.
Publicada em 17 / 03 / 2010.
O delegado Alexandre Leite, titular da delegacia de Volta Redonda, afirmou no início desta tarde que o assassinato do padre Dejair Gonçalves de Almeida, de 32 anos, e do ex-seminarista Epaminondas Marques da Silva, de 26 anos, foi latrocínio – roubo seguido de morte.
Ele concedeu a entrevista coletiva após passar quase uma hora reunido com o advogado da Mitra Diocesana, Luiz Orlando Coelho, ex-presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) em Volta Redonda. A coletiva do delegado, marcada para 11 horas, só começou às 12h02min.
O advogado acompanhou não apenas a entrevista como a apresentação do suspeito. Trata-se de Bruno Quintiliano da Silva, de 19 anos, “Bruninho G-3”, morador do bairro Água Limpa. O outro acusado do crime é Renan Luis Gomes dos Santos, também de 19 anos, que está foragido.
A polícia apresentou as roupas (incluindo um boné) usadas pelos dois criminosos, a arma do crime – um revólver calibre 38 e três projéteis deflagrados recolhidos no local do duplo homicídio – além do notebook roubado da casa paroquial da Igreja do Divino Espírito Santo, no Jardim Amália II, onde o padre e o ex-seminarista teriam sido rendidos pelos dois suspeitos, depois de deixarem uma festa de aniversário no bairro Água Limpa.
Bruno não quis responder perguntas dos jornalistas. Ele tem mandado de prisão expedido pela Justiça de Barra Mansa também por homicídio. A polícia ainda não sabe se Renan tem antecedentes criminais. Ontem, policiais foram à Água Limpa à procura de Renan, mas ele não foi encontrado.
Segundo o delegado, depois de balearem o ex-seminarista e o padre num trecho da Rodovia do Contorno que passa pela Água Limpa, os dois acusados procuraram um menor de idade e deixaram com ele as roupas que vestiam na ocasião, além da arma e notebook. Todo o material foi encontrado escondido no pátio de uma escola estadual do bairro. O adolescente foi localizado e confirmou que recebeu o pedido dos acusados. Ele indicou à polícia onde estavam os objetos.
Bruno, segundo o delegado, não explicou por que João Marcos da Silva, seminarista que estava na casa paroquial, foi poupado pelos assassinos, mesmo depois de ser amarrado e amordaçado, enquanto Dejair e Epaminondas eram espancadas. Segundo Alexandre Leite, no depoimento Bruno alegou que ele e o outro suspeito estavam bêbados.
Ainda de acordo com o delegado, Bruno também não teria explicado por que, tendo matado para roubar, não levou R$ 150,00 que estavam no bolso da calça do padre, além do relógio dele. “Talvez eles não tenham revistado o padre”, respondeu o delegado. Bruno, informou Alexandre Leite, assumiu que foi ele quem fez os disparos contra Epaminondas e padre Dejair.
Epaminondas, que era morador do bairro Santa Cruz, foi enterrado no domingo no Cemitério do Retiro. O corpo do padre Dejair, que morreu ontem no Hospital São João Batista, foi sepultado na manhã desta quarta-feira em Arantina, no Sul de Minas, sua cidade natal.
Obs: Continuo a insistir, que não consiguimos encontrar o porque disso tudo. Lamentavél! Coloquemos em exercicio a nossa fé rezando pela paz na alma, por um coração sensivel a Deus e aberto a sua ação. Exercitemos com valentia, clamando o Senhor da vida em abundancia, a graça da civilização do amor em nós e nossas ações.
O delegado Alexandre Leite, titular da delegacia de Volta Redonda, afirmou no início desta tarde que o assassinato do padre Dejair Gonçalves de Almeida, de 32 anos, e do ex-seminarista Epaminondas Marques da Silva, de 26 anos, foi latrocínio – roubo seguido de morte.
Ele concedeu a entrevista coletiva após passar quase uma hora reunido com o advogado da Mitra Diocesana, Luiz Orlando Coelho, ex-presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) em Volta Redonda. A coletiva do delegado, marcada para 11 horas, só começou às 12h02min.
O advogado acompanhou não apenas a entrevista como a apresentação do suspeito. Trata-se de Bruno Quintiliano da Silva, de 19 anos, “Bruninho G-3”, morador do bairro Água Limpa. O outro acusado do crime é Renan Luis Gomes dos Santos, também de 19 anos, que está foragido.
A polícia apresentou as roupas (incluindo um boné) usadas pelos dois criminosos, a arma do crime – um revólver calibre 38 e três projéteis deflagrados recolhidos no local do duplo homicídio – além do notebook roubado da casa paroquial da Igreja do Divino Espírito Santo, no Jardim Amália II, onde o padre e o ex-seminarista teriam sido rendidos pelos dois suspeitos, depois de deixarem uma festa de aniversário no bairro Água Limpa.
Bruno não quis responder perguntas dos jornalistas. Ele tem mandado de prisão expedido pela Justiça de Barra Mansa também por homicídio. A polícia ainda não sabe se Renan tem antecedentes criminais. Ontem, policiais foram à Água Limpa à procura de Renan, mas ele não foi encontrado.
Segundo o delegado, depois de balearem o ex-seminarista e o padre num trecho da Rodovia do Contorno que passa pela Água Limpa, os dois acusados procuraram um menor de idade e deixaram com ele as roupas que vestiam na ocasião, além da arma e notebook. Todo o material foi encontrado escondido no pátio de uma escola estadual do bairro. O adolescente foi localizado e confirmou que recebeu o pedido dos acusados. Ele indicou à polícia onde estavam os objetos.
Bruno, segundo o delegado, não explicou por que João Marcos da Silva, seminarista que estava na casa paroquial, foi poupado pelos assassinos, mesmo depois de ser amarrado e amordaçado, enquanto Dejair e Epaminondas eram espancadas. Segundo Alexandre Leite, no depoimento Bruno alegou que ele e o outro suspeito estavam bêbados.
Ainda de acordo com o delegado, Bruno também não teria explicado por que, tendo matado para roubar, não levou R$ 150,00 que estavam no bolso da calça do padre, além do relógio dele. “Talvez eles não tenham revistado o padre”, respondeu o delegado. Bruno, informou Alexandre Leite, assumiu que foi ele quem fez os disparos contra Epaminondas e padre Dejair.
Epaminondas, que era morador do bairro Santa Cruz, foi enterrado no domingo no Cemitério do Retiro. O corpo do padre Dejair, que morreu ontem no Hospital São João Batista, foi sepultado na manhã desta quarta-feira em Arantina, no Sul de Minas, sua cidade natal.
Obs: Continuo a insistir, que não consiguimos encontrar o porque disso tudo. Lamentavél! Coloquemos em exercicio a nossa fé rezando pela paz na alma, por um coração sensivel a Deus e aberto a sua ação. Exercitemos com valentia, clamando o Senhor da vida em abundancia, a graça da civilização do amor em nós e nossas ações.
terça-feira, 16 de março de 2010
Pode um católico negar obediência ao Concílio Ecumênico do Vaticano II?
Por Prof. Alessandro Lima
“Quem vos ouve, a mim ouve; e quem vos rejeita, a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou” (Lc 10,16).
Realmente tenho que reconhecer que na Modernidade há coisas bem curiosas, especialmente no meio católico. Como alguém pode se dizer católico e negar o que a Igreja ensina?
Como alguém pode se dizer católico e ficar dando ouvidos aos gurus?
Pois é exatamente isso que está acontecendo hoje. Infelizmente isso não é novo. De tempos em tempos os católicos são arrastados a resistirem à Igreja.
A razão é sempre a mesma: são seduzidos por argumentos de quem se acha o guardião da Ortodoxia Católica. Até mesmo o perfil psicológico destes “gurus” não muda. São pessoas de grande piedade, parecem demonstrar grande amor à Igreja, possuem um enorme poder de sedução, apresentam-se sempre com muita humildade, porém esta máscara logo cai quando são contrariadas. São pessoas de mentalidade estreita e de grande orgulho. Ensinam suas próprias convicções como se fossem o sumo da doutrina católica.
Muitas vezes temos dificuldade de entender algo que a Igreja expõe, seja pela grandeza da matéria, pela erudição da exposição ou ainda por causa da abertura dos termos que ela utiliza. Que fiel no séc. IV entendeu o que a Igreja quis dizer com “consubstancial ao Pai” ?
Ora, nós somos limitados, mas a Igreja goza de assistência especial do Espírito Santo. Por isso devemos confiar nela e não nos “gurus” que normalmente nem fazem parte da Igreja docente.
Se há um ponto difícil de entender na exposição da doutrina, ou uma contradição aparente em relação ao que sempre foi ensinado, cabe ao Magistério da Igreja explicá-lo.
Especialmente no que diz respeito ao Concílio do Vaticano II, a má vontade dos tradicionalistas em encontrar na letra do Concílio a perene Doutrina da Igreja é notória. Em resumo, encontram “chifres em cabeça de cavalo”, pois dizem que os documentos do Concílio ensinam erros que lá não estão e pelo fato do Concílio não ter sido dogmático, complementam alegando que é legítimo recusar seus ensinamentos.
Primeiramente ensina o Código de Direito Canônico:
Cân. 337 § 1.
O Colégio dos Bispos exerce seu poder sobre toda a Igreja, de modo solene, no Concílio Ecumênico. § 2. Exerce esse poder pela ação conjunta dos Bispos espalhados pelo mundo, se essa ação for, como tal, convocada ou livremente aceita pelo Romano Pontífice, de modo a se tornar verdadeiro ato colegial.
Cân. 341 § 1.
Os decretos do Concílio Ecumênico não têm força de obrigar, a não ser que, aprovados pelo Romano Pontífice junto com os Padres Conciliares, tenham sido por ele confirmados e por sua ordem promulgados. § 2. Para terem força de obrigar, precisam também dessa confirmação e promulgação os decretos dados pelo Colégio dos Bispos, quando este pratica um ato propriamente colegial, de acordo com outro modo diferente, determinado ou livremente aceito pelo Romano Pontífice.
O Concílio do Vaticano II foi Ecumênico, logo, nele a Igreja exerceu seu poder solene sobre toda Igreja e foi livremente convocado pelo Pontífice Romano, conforme o cân. 337.
Seus decretos foram confirmados e promulgados pelo Papa, logo tem poder de obrigar toda a Igreja, conforme o cân. 341, ao contrário do que ensinam os tradicionalistas.
A confirmação de que toda Igreja também deve aceitar os ensinamentos não dogmáticos encontramos no cân. 752, onde lemos:
Cân. 752
Não assentimento de fé, mas religioso obséquio de inteligência e vontade deve ser prestado à doutrina que o Sumo Pontífice ou o Colégio dos Bispos, ao exercerem o magistério autêntico, enunciam sobre a fé e os costumes, mesmo quando não tenham a intenção de proclamá-la por ato definitivo; portanto os fiéis procurem evitar tudo o que não esteja de acordo com ela .
Em At 15 a Escritura nos dá chance de conhecer alguns dos decretos do Concílio de Jerusalém, como a carta enviada para os cristãos de Antioquia: Os apóstolos e os anciãos aos irmãos de origem pagã, em Antioquia, na Síria e Cilícia, saúde! Temos ouvido que alguns dentre nós vos têm perturbado com palavras, transtornando os vossos espíritos, sem lhes termos dado semelhante incumbência. Assim nós nos reunimos e decidimos escolher delegados e enviá-los a vós, com os nossos amados Barnabé e Paulo, homens que têm exposto suas vidas pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Enviamos, portanto, Judas e Silas que de viva voz vos exporão as mesmas coisas. Com efeito, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor outro peso além do seguinte indispensável: que vos abstenhais das carnes sacrificadas aos ídolos, do sangue, da carne sufocada e da impureza. Dessas coisas fareis bem de vos guardar conscienciosamente. Adeus! (At 15,24-29).
Será que estas determinações foram dogmáticas? Se foram, porque não as observamos hoje? Mesmo não sendo dogmáticas foram entregues pelos apóstolos para serem observadas. Completa a Escritura: “Nas cidades pelas quais [Paulo e Timóteo] passavam, ensinavam que observassem as decisões que haviam sido tomadas pelos apóstolos e anciãos em Jerusalém” (At 16,4)
Também naquele tempo não faltaram os tradicionalistas que diziam que Jesus afirmou a não abolição da Lei (cf. Mt 5,17). Com efeito, estes conhecidos hoje como ebionitas, não aceitaram o Concílio de Jerusalém. Em todo tempo, Concílio após Concílio, nunca faltou o grupo dos “iluminados”, dos “verdadeiros detentores da ortodoxia”, que viam nas novas definições, nas novas formas da Igreja expor a Doutrina, novidades ou heresias.
Em nosso tempo a história se repete, mas com outros protagonistas e outras polêmicas.
Também com uma característica bem diversa: o cisma não é formal como antes, é informal, por isso a dificuldade dos católicos identificarem estas pessoas como não-católicas.
Os tradicionalistas fazem tanto mal aos fiéis quanto os modernistas. Mostram-se tão católicos quanto os vétero-católicos e os ortodoxos. Ser católico é ter a Igreja como Mãe e Mestra.
Um filho que é obediente na infância, mas se nega a sê-lo na adolescência quando a Mãe lhe transmite novas normas, recusa sua filiação e impõe na família uma desordem não querida por Deus.
Aliás, sítios tradicionalistas que adoram tomar textos do Card. Ratzinger à revelia, mostrando notória desonestidade, esqueceram de divulgar o seguinte trecho:
O Vaticano II é sustentado pela mesma autoridade que sustenta o Vaticano I e o Concílio de Trento, a saber, o Papa e o Colégio dos Bispos em comunhão com ele, também com respeito ao seu conteúdo, o Vaticano II está na mais estreita continuidade com ambos os concílios anteriores e incorpora os seus textos palavra por palavra nos pontos decisivos.
É impossível para um Católico tomar posição pró ou contra Trento ou o Vaticano I. Quem aceita o Vaticano II, como ele claramente se expressou e se entendeu a si mesmo, ao mesmo tempo aceita a inteira tradição da Igreja Católica, particularmente, os dois concílios anteriores [...] Da mesma forma é impossível decidir a favor de Trento e do Vaticano I mas contra o Vaticano II. Quem quer que negue o Vaticano II nega a autoridade que sustenta os outros concílios e os separa dos seus fundamentos. Isto se aplica ao assim chamado ‘tradicionalismo’ [...] Uma escolha partidária destrói o todo, a própria história da Igreja, que só pode existir como uma unidade indivisível (The Ratzinger Report: An Exclusive Interview on the State of the Church by Joseph Cardinal Ratzinger; Ignatius Press, San Francisco, 1985, pgs.28-9).
Ora, é o próprio Card. Ratzinger, hoje Papa Bento XVI que afirma que é impossível ser católico e negar o Concílio do Vaticano II, que é impossível ser católico e ser tradicionalista. Como bem se vê, engana-se redondamente quem pensa que os escritos do Card. Ratzinger são tradicionalistas. Ele, homem de personalidade forte e firme na ortodoxia, não ensinaria uma coisa em um lugar e outraem outro. O método dos tradicionalistas é o mesmo usado pelos calvinistas quando deturpam os textos de Santo Agostinho. Quem colabora com estes grupos (Fraternidade Sacerdotal São Pio X, Associação Cultural Montfort, Permanência e etc) não colabora com a Igreja e viola o cân. 752 do Código de Direito Canônico.
Quem pretende ser católico deve colaborar com a Santa Igreja Católica, admitindo tudo que ela ensina, inclusive no Concílio do Vaticano II, pois nos ensinou o Senhor: “Quem não está comigo está contra mim; e quem não ajunta comigo, espalha” (Mt 12,30).
“Quem vos ouve, a mim ouve; e quem vos rejeita, a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou” (Lc 10,16).
Realmente tenho que reconhecer que na Modernidade há coisas bem curiosas, especialmente no meio católico. Como alguém pode se dizer católico e negar o que a Igreja ensina?
Como alguém pode se dizer católico e ficar dando ouvidos aos gurus?
Pois é exatamente isso que está acontecendo hoje. Infelizmente isso não é novo. De tempos em tempos os católicos são arrastados a resistirem à Igreja.
A razão é sempre a mesma: são seduzidos por argumentos de quem se acha o guardião da Ortodoxia Católica. Até mesmo o perfil psicológico destes “gurus” não muda. São pessoas de grande piedade, parecem demonstrar grande amor à Igreja, possuem um enorme poder de sedução, apresentam-se sempre com muita humildade, porém esta máscara logo cai quando são contrariadas. São pessoas de mentalidade estreita e de grande orgulho. Ensinam suas próprias convicções como se fossem o sumo da doutrina católica.
Muitas vezes temos dificuldade de entender algo que a Igreja expõe, seja pela grandeza da matéria, pela erudição da exposição ou ainda por causa da abertura dos termos que ela utiliza. Que fiel no séc. IV entendeu o que a Igreja quis dizer com “consubstancial ao Pai” ?
Ora, nós somos limitados, mas a Igreja goza de assistência especial do Espírito Santo. Por isso devemos confiar nela e não nos “gurus” que normalmente nem fazem parte da Igreja docente.
Se há um ponto difícil de entender na exposição da doutrina, ou uma contradição aparente em relação ao que sempre foi ensinado, cabe ao Magistério da Igreja explicá-lo.
Especialmente no que diz respeito ao Concílio do Vaticano II, a má vontade dos tradicionalistas em encontrar na letra do Concílio a perene Doutrina da Igreja é notória. Em resumo, encontram “chifres em cabeça de cavalo”, pois dizem que os documentos do Concílio ensinam erros que lá não estão e pelo fato do Concílio não ter sido dogmático, complementam alegando que é legítimo recusar seus ensinamentos.
Primeiramente ensina o Código de Direito Canônico:
Cân. 337 § 1.
O Colégio dos Bispos exerce seu poder sobre toda a Igreja, de modo solene, no Concílio Ecumênico. § 2. Exerce esse poder pela ação conjunta dos Bispos espalhados pelo mundo, se essa ação for, como tal, convocada ou livremente aceita pelo Romano Pontífice, de modo a se tornar verdadeiro ato colegial.
Cân. 341 § 1.
Os decretos do Concílio Ecumênico não têm força de obrigar, a não ser que, aprovados pelo Romano Pontífice junto com os Padres Conciliares, tenham sido por ele confirmados e por sua ordem promulgados. § 2. Para terem força de obrigar, precisam também dessa confirmação e promulgação os decretos dados pelo Colégio dos Bispos, quando este pratica um ato propriamente colegial, de acordo com outro modo diferente, determinado ou livremente aceito pelo Romano Pontífice.
O Concílio do Vaticano II foi Ecumênico, logo, nele a Igreja exerceu seu poder solene sobre toda Igreja e foi livremente convocado pelo Pontífice Romano, conforme o cân. 337.
Seus decretos foram confirmados e promulgados pelo Papa, logo tem poder de obrigar toda a Igreja, conforme o cân. 341, ao contrário do que ensinam os tradicionalistas.
A confirmação de que toda Igreja também deve aceitar os ensinamentos não dogmáticos encontramos no cân. 752, onde lemos:
Cân. 752
Não assentimento de fé, mas religioso obséquio de inteligência e vontade deve ser prestado à doutrina que o Sumo Pontífice ou o Colégio dos Bispos, ao exercerem o magistério autêntico, enunciam sobre a fé e os costumes, mesmo quando não tenham a intenção de proclamá-la por ato definitivo; portanto os fiéis procurem evitar tudo o que não esteja de acordo com ela .
Em At 15 a Escritura nos dá chance de conhecer alguns dos decretos do Concílio de Jerusalém, como a carta enviada para os cristãos de Antioquia: Os apóstolos e os anciãos aos irmãos de origem pagã, em Antioquia, na Síria e Cilícia, saúde! Temos ouvido que alguns dentre nós vos têm perturbado com palavras, transtornando os vossos espíritos, sem lhes termos dado semelhante incumbência. Assim nós nos reunimos e decidimos escolher delegados e enviá-los a vós, com os nossos amados Barnabé e Paulo, homens que têm exposto suas vidas pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Enviamos, portanto, Judas e Silas que de viva voz vos exporão as mesmas coisas. Com efeito, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor outro peso além do seguinte indispensável: que vos abstenhais das carnes sacrificadas aos ídolos, do sangue, da carne sufocada e da impureza. Dessas coisas fareis bem de vos guardar conscienciosamente. Adeus! (At 15,24-29).
Será que estas determinações foram dogmáticas? Se foram, porque não as observamos hoje? Mesmo não sendo dogmáticas foram entregues pelos apóstolos para serem observadas. Completa a Escritura: “Nas cidades pelas quais [Paulo e Timóteo] passavam, ensinavam que observassem as decisões que haviam sido tomadas pelos apóstolos e anciãos em Jerusalém” (At 16,4)
Também naquele tempo não faltaram os tradicionalistas que diziam que Jesus afirmou a não abolição da Lei (cf. Mt 5,17). Com efeito, estes conhecidos hoje como ebionitas, não aceitaram o Concílio de Jerusalém. Em todo tempo, Concílio após Concílio, nunca faltou o grupo dos “iluminados”, dos “verdadeiros detentores da ortodoxia”, que viam nas novas definições, nas novas formas da Igreja expor a Doutrina, novidades ou heresias.
Em nosso tempo a história se repete, mas com outros protagonistas e outras polêmicas.
Também com uma característica bem diversa: o cisma não é formal como antes, é informal, por isso a dificuldade dos católicos identificarem estas pessoas como não-católicas.
Os tradicionalistas fazem tanto mal aos fiéis quanto os modernistas. Mostram-se tão católicos quanto os vétero-católicos e os ortodoxos. Ser católico é ter a Igreja como Mãe e Mestra.
Um filho que é obediente na infância, mas se nega a sê-lo na adolescência quando a Mãe lhe transmite novas normas, recusa sua filiação e impõe na família uma desordem não querida por Deus.
Aliás, sítios tradicionalistas que adoram tomar textos do Card. Ratzinger à revelia, mostrando notória desonestidade, esqueceram de divulgar o seguinte trecho:
O Vaticano II é sustentado pela mesma autoridade que sustenta o Vaticano I e o Concílio de Trento, a saber, o Papa e o Colégio dos Bispos em comunhão com ele, também com respeito ao seu conteúdo, o Vaticano II está na mais estreita continuidade com ambos os concílios anteriores e incorpora os seus textos palavra por palavra nos pontos decisivos.
É impossível para um Católico tomar posição pró ou contra Trento ou o Vaticano I. Quem aceita o Vaticano II, como ele claramente se expressou e se entendeu a si mesmo, ao mesmo tempo aceita a inteira tradição da Igreja Católica, particularmente, os dois concílios anteriores [...] Da mesma forma é impossível decidir a favor de Trento e do Vaticano I mas contra o Vaticano II. Quem quer que negue o Vaticano II nega a autoridade que sustenta os outros concílios e os separa dos seus fundamentos. Isto se aplica ao assim chamado ‘tradicionalismo’ [...] Uma escolha partidária destrói o todo, a própria história da Igreja, que só pode existir como uma unidade indivisível (The Ratzinger Report: An Exclusive Interview on the State of the Church by Joseph Cardinal Ratzinger; Ignatius Press, San Francisco, 1985, pgs.28-9).
Ora, é o próprio Card. Ratzinger, hoje Papa Bento XVI que afirma que é impossível ser católico e negar o Concílio do Vaticano II, que é impossível ser católico e ser tradicionalista. Como bem se vê, engana-se redondamente quem pensa que os escritos do Card. Ratzinger são tradicionalistas. Ele, homem de personalidade forte e firme na ortodoxia, não ensinaria uma coisa em um lugar e outraem outro. O método dos tradicionalistas é o mesmo usado pelos calvinistas quando deturpam os textos de Santo Agostinho. Quem colabora com estes grupos (Fraternidade Sacerdotal São Pio X, Associação Cultural Montfort, Permanência e etc) não colabora com a Igreja e viola o cân. 752 do Código de Direito Canônico.
Quem pretende ser católico deve colaborar com a Santa Igreja Católica, admitindo tudo que ela ensina, inclusive no Concílio do Vaticano II, pois nos ensinou o Senhor: “Quem não está comigo está contra mim; e quem não ajunta comigo, espalha” (Mt 12,30).
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