segunda-feira, 31 de agosto de 2009

ESTADO LAICO NÃO É ESTADO ATEU.

"Fizeste-nos para Ti, Senhor, e o nosso coração inquieta-se enquanto não descansa em Ti", essa afirmação de Santo Agostinho pode ser o ponto de perspectiva a partir do qual analisar a questão da ratificação do Acordo Brasil-Santa Sé.
O Brasil é um estado laico, mas não é um Estado ateu, tanto assim, que a Constituição Federal em seu prólogo, invoca Deus da forma seguinte:
"Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL".

Efetivamente, o Brasil nasceu sob a invocação de Deus e se organizou sob a proteção da cruz. E nossa tradição, durante anos, foi sempre pautada na crença em Deus. A princípio, toda essa cultura nos foi legada pela Igreja Católica. Os primeiros colégios eram católicos, as universidades eram católicas, o povo, em sua maioria, era católico.

Hoje, somos uma nação na qual convivem os mais diversos credos e as mais diversas formas de expressar essas crenças. Mas diante do princípio da igualdade de direitos, previsto no artigo 5º, caput, da Constituição Federal, todos os credos devem conviver em harmonia em direitos e obrigações. A intolerância religiosa foi e é, ainda hoje, motivo de muitas desavenças entre os povos e muitas das guerras atuais têm como gênese conflitos inter-religiosos.
Por esse fato, em sua célebre Declaração Universal dos Direitos Humanos, a ONU adotou como princípio, a liberdade de religião ou de crença pelo ensino, pela prática e pelo culto, em seu artigo 18:
"Todo homem tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; esse direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância isolada ou coletivamente, em público ou em particular".

Ora, tendo o Brasil, pela Constituição Federal de 1988, consagrado de forma inédita, que os direitos e garantias expressos na Constituição "não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais nos quais a República Federativa do Brasil seja parte" (art. 5°, §2°), os direitos garantidos nos Tratados de Direitos Humanos ratificados pelo Brasil integram a relação de direitos constitucionalmente protegidos.

Assim, com base na Declaração dos Direitos Humanos, não se pode, sob a alegação da liberdade de crença, impedir que a nação brasileira possa, em nome de seus filhos católicos, ser impedida de celebrar o Acordo com a Santa Sé, para disciplinar as relações bilaterais para os cidadãos brasileiros que professam a religião católica, uma vez que os dispositivos do Acordo só se aplicam a tais cidadãos.

De fato, assim dispõe o Acordo em seu artigo 2º:
"A República Federativa do Brasil, com fundamento no direito de liberdade religiosa, reconhece à Igreja Católica o direito de desempenhar a sua missão apostólica, garantindo o exercício público de suas atividades, observado o ordenamento jurídico brasileiro."

Por sua vez, no artigo 6º do mesmo Acordo, há um reconhecimento manifesto do patrimônio artístico e cultural que a Igreja Católica trouxe para a nação brasileira.
Tentar barrar esse acordo com base na liberdade religiosa, é desconhecer esse patrimônio, que, embora provenha do sentimento religioso católico, hoje pertence a todo povo brasileiro:
"As Altas Partes reconhecem que o patrimônio histórico, artístico e cultural da Igreja Católica, assim como os documentos custodiados nos seus arquivos e bibliotecas, constituem parte relevante do patrimônio cultural brasileiro, e continuarão a cooperar para salvaguardar, valorizar e promover a fruição dos bens, móveis e imóveis, de propriedade da Igreja Católica ou de outras pessoas jurídicas eclesiásticas, que sejam considerados pelo Brasil como parte de seu patrimônio cultural e artístico" – reza o Acordo.

Não se compreende, portanto, que haja um movimento de entidades não-católicas, através de pesquisas dirigidas da opinião pública, para impedir que o Acordo Internacional celebrado entre o Brasil e a Santa Sé seja ratificado pelo Congresso Nacional, uma vez que esse acordo disciplina as relações da Igreja Católica − pessoa jurídica de Direito Internacional – e se refere aos fiéis que professam essa religião. Por outro lado, o Acordo não impede, de forma alguma, que outras crenças – cientes dos direitos que lhe são reconhecidos pelo Direito Internacional − venham a celebrar acordos para preservar seus cultos e ritos.

sábado, 29 de agosto de 2009

Vaticano prepara documento sobre a formação dos seminaristas.

Congregação para a Educação Católica impulsiona um texto breve e claro.

O Vaticano prevê publicar um texto “breve, forte e muito claro” sobre a formação dos seminaristas, ao finalizar o Ano Sacerdotal.
Explica o secretário da Congregação vaticana para a Educação Católica, o arcebispo Jean-Louis Brugues, em uma entrevista publicada na edição diária em italiano de L’Osservatore Romano desta quarta-feira.
Para preparar o documento, o prefeito da Congregação para a Educação Católica prevê propor, nos próximos meses, a convocatória da Comissão permanente, de membros de vários dicastérios, que se ocupa da formação dos candidatos ao sacerdócio.
Esta Congregação, responsável da formação dos seminaristas, quer fazer compreender esta mensagem aos que se preparam para o sacerdócio: “Foste escolhido, é uma honra, sejas feliz por ser sacerdote”.
Dom Brugues constata que “boa parte dos jovens que se apresentam às casas de formação em países como Itália, Espanha, França, Alemanha e Estados Unidos têm uma boa formação profissional, às vezes formação universitária de alto nível, mas carecem de uma cultura geral e, sobretudo, de uma cultura cristã”.
Para contrapor isto, Dom Brugues defende um ano preparatório no início da formação dos seminaristas, assim como que a própria formação se adapte à fisionomia das novas gerações.
Atualmente, a Congregação para a Educação Católica tem a responsabilidade de 2.700 seminários e também de 1.200 universidades católicas e 250.000 escolas católicas em todo o mundo.
Nessas instituições, “estamos desenvolvendo uma cultura da excelência pondo especial ênfase na formação integral da pessoa, especialmente em sua dimensão espiritual, que corre o risco de ser esquecida em uma sociedade secularizada”, explica o acerbispo.

Cardeal Bertone: Bento XVI não retrocede no Vaticano II.

Responde a rumores que circulam na mídia.

O colaborador mais próximo de Bento XVI desmentiu os rumores promovidos pela mídia, que assegura uma suposta intenção do Papa de “retroceder” no caminho de aplicação do Concílio Vaticano II.
O cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado, em uma entrevista concedida à edição italiana de L’Osservatore Romano do dia 28 de agosto, esclarece debates surgidos por revelações de supostos documentos, desmentidos pela Santa Sé, interpretados como uma volta atrás por parte do Papa, sobretudo em matéria litúrgica.

Para compreender as intenções e a ação de governo de Bento XVI, é necessário remontar-se à sua história pessoal – uma experiência variada que lhe permitiu passar pela Igreja conciliar como autêntico protagonista – e, uma vez eleito Papa, lembrar também do discurso de inauguração do pontificado, do dirigiu à Cúria Romana no dia 22 de dezembro de 2005 e dos atos precisos que ele quis e confirmou (às vezes pacientemente explicados)”, começa dizendo o purpurado.

“As demais elucubrações e rumores sobre supostos documentos de retrocesso são pura invenção, segundo um clichê apresentado continuamente com obstinação. O cardeal cita “algumas instâncias do Concílio Vaticano II que o Papa promoveu constantemente com inteligência e profundidade de pensamento”.

Em particular, “a relação mais compreensiva instaurada com as igrejas ortodoxas e orientais, o diálogo com o judaísmo e com o islã, com uma recíproca atração, que suscitaram respostas e aprofundamentos como nunca antes teriam sido registrados, purificando a memória e abrindo-se às riquezas do outro. Além disso, agrada-me sublinhar a relação direta e fraterna, assim como paternal, com todos os membros do colégio episcopal nas visitas ad limina e nas demais numerosas ocasiões de contato.”

“É preciso recordar a prática que empreendeu de intervenções livres na assembleia dos sínodos, com respostas pontuais e reflexões do próprio pontífice. Não podemos esquecer tampouco do contato direto instaurado com os superiores dos dicastérios da Cúria Romana, com quem ele estabeleceu encontros periódicos de audiência.”

A reforma, uma questão de coração

No que se refere à “reforma da Igreja”, o cardeal considera “que é sobretudo uma questão de interioridade e santidade”.
Por este motivo, assegura, o Papa se concentra em recordar “a fonte da Palavra de Deus, a lei evangélica e o coração da vida da Igreja: Jesus, o Senhor conhecido, amado, adorado e imitado”.
É por isso que ele está preparando neste momento o segundo volume do seu livro “Jesus de Nazaré”. (Que esse blog recomenda a todos catolicos leigos , propedeuticos , seminaristas e presbiteros ordenados).

No concernente às intervenções do Papa sobre a Cúria Romana, o cardeal explica que, no tempo que tem de pontificado, Bento XVI “realizou 70 nomeações de superiores dos diferentes dicastérios” vaticanos, sem contar as de bispos e núncios no mundo.
Neste sentido, anuncia para um futuro próximo “nomeações importantes” nas quais estarão representadas as “novas Igrejas: a África já ofereceu e oferecerá excelentes candidatos”, afirma.
O cardeal adverte sobre o erro de atribuir ao Papa todos os problemas da Igreja no mundo e todas as declarações dos seus representantes.

“Uma correta informação exige que se atribua a cada um (unicuique suum) a própria responsabilidade pelos fatos e palavras, sobretudo quando estes contradizem abertamente os ensinamentos e exemplos do Papa”, recorda aos jornalistas.

"Caritas in veritate" tem boa acolhida entre protestantes evangélicos.

56 personalidades assinam uma mensagem de apoio à encíclica.

Cinquenta e seis personalidades do mundo protestante evangélico norte-americano, entre professores universitários, editores de imprensa e representantes de diversas instituições, assinaram, em 27 de julho passado, uma mensagem de apoio à última encíclica do Papa Bento XVI, Caritas in Veritate.
Nesta declaração, titulada Doing the Truth in Love (Fazendo a Verdade no Amor), à qual ZENIT pôde ter acesso, os signatários “aplaudem” o texto e pedem “aos cristão de todas as partes, e especialmente a nossos membros evangélicos no Norte global”, que a leiam e se sensibilizem com ela.
Também apelam a todos os cristãos a um “sério diálogo” sobre as propostas da encíclica.
Os signatários felicitam especialmente “a forma como esta encíclica considera o desenvolvimento econômico em termos da trajetória do verdadeiro florescimento humano”.
Coincidem em pedir com ela “uma nova visão do desenvolvimento que reconheça a dignidade da vida humana em sua plenitude, o que supõe a “preocupação pela vida desde a concepção até a morte natural, pela liberdade religiosa, pelo alívio da pobreza, e pelo cuidado da criação”.
Particularmente, mostram seu acordo com o conceito de “desenvolvimento humano integral” e sua visão do fenômeno da globalização.

“Afirmamos com esta encíclica que a globalização deve converter-se em um processo de integração centrado na pessoa e orientado à comunidade”, assinala o texto.

Também apreciam que a Caritas in Veritate não entre em uma análise simplificadora da polarização entre o livre mercado e a excessiva intervenção estatal, mas que enquadre a economia dentro das relações humanas e, portanto, sujeita à normas morais.

“A vida econômica não é amoral ou autônoma. As instituições econômicas, inclusive os próprios mercados, devem estar marcados por relações internas de solidariedade e confiança”.

Apoiam também a “ênfase da Caritas in Veritate na empresa social, ou seja, no esforço do negócio guiado por um princípio mutualista que transcende a dicotonomia do lucro sim, lucro não”.

“Em termos mais gerais, motivamos os evangélicos a considerar o convite do Papa Bento XVI de refletir sobre quem deve ser considerado agente empresarial e sobre o significado moral do investimento”.

Contudo, sentem falta na encíclica “de uma crítica mais forte para com a elevação do dinheiro a um estado de idolatria e o predomínio atual resultante dos mercados financeiros sobre outros elementos da economia mundial”.
Por último, apoiam a preocupação da encíclica com a decadência dos sistemas de segurança social, com o cada vez menor poder dos sindicatos e a pressão de uma mobilidade trabalhista socialmente destrutiva.
Também coincidem no temor ante o “crescimento de um Estado de bem-estar arrogante, que degrada o pluralismo social e cívico. Portanto, estamos de acordo em que a subsidiariedade e a solidariedade devem andar juntas, como propõe a Caritas in Veritate”.
Não “mais Estado” mas “melhor Estado”.
“Com a Caritas in Veritate, nos comprometemos a não ser vítimas da globalização, mas seus protagonistas, trabalhando pela solidariedade global, a justiça econômica e o bem comum, como normas que transcendem e transformam os motivos do benefício econômico e do progresso tecnológico”, conclui a mensagem.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

O Papa Bento XVI manteria restrições para comunhão na mão.

O vaticanista italiano Andrea Tornielli informou que o Papa Bento XVI estaria considerando algumas modificações para a celebração da Missa, manteria a comunhão na mão como algo "extraordinário" e reformaria algumas partes do Missal para evitar abusos, dar maior sacralidade à Liturgia e favorecer a adoração eucarística.
Em um artigo publicado no jornal "Il Giornale" e titulado "Ratzinger reforma a Missa: Não mais hóstia na mão", Tornielli explica que em 4 de abril deste ano, o Cardeal Antonio Cañizares Llovera, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, entregou ao Santo Padre um documento com o resultado de uma votação reservada, ocorrida em 12 de março durante a plenária do mencionado dicastério para o que seria o primeiro passo para a "reforma da reforma" auspiciada pelo Pontífice.
Quase por unanimidade, explica o vaticanista, os bispos membros desta Congregação decidiram: "dar maior sacralidade ao rito, recuperar o sentido da adoração eucarística, recuperar o latim na celebração e a re-elaboração das partes introdutórias da Missa para pôr um freio nos abusos, experimentos e a criatividade inoportuna".

Do mesmo modo, assinala, "mostraram-se favoráveis a reafirmar que o modo usual de receber a comunhão segundo as normas não é na mão, a não ser na boca. Embora seja certo que existe um indulto que os permite, dado o pedido de alguns episcopados para distribuir a Eucaristia na palma da mão, isto deve permanecer como um fato extraordinário".
Outra das medidas sugeridas pelo Cardeal Cañizares seria a de fazer que durante a consagração, pelo menos, o celebrante olhe para o Oriente, "como acontecia antes da reforma" litúrgica.
Estas proposições, inspiradas pelo documento Sacrosanctum Concilium, estão em linha com o que foi expresso pelo Cardeal dias atrás pela publicação mensal 30Giorni, a quem disse "às vezes houve mudanças pelo simples gosto de mudar com respeito a um passado percebido como totalmente negativo e superado. Às vezes se concebe a reforma como uma ruptura e não como um desenvolvimento orgânico da Tradição".
As propostas dos bispos também incluem o maior uso do latim, assim como a publicação de missais bilíngües, solicitude feita em seu momento pelo Papa Paulo VI, assinala Tornielli.
O vaticanista precisa ademais que o Papa Bento XVI já aprovou estas solicitudes, pois estão "perfeitamente em linha com a idéia mais de uma vez expressa por Joseph Ratzinger quando era ainda Cardeal, como testemunha os extratos inéditos sobre a liturgia antecipados ontem pelo "Il Giornale" que serão publicados no livro Davanti al Protagonista (Diante do Protagonista); apresentado na véspera do Encontro de Rimini" que se realiza em Roma.
Depois de ressaltar que o Santo Padre sabe que não serve de muito "lançar diretivas desde o alto, com o risco de que sejam letra morta", Tornielli finaliza indicando que o estilo do Pontífice "é o de confrontar as coisas e sobre tudo, o exemplo. Como demonstra o fato que, há mais de um ano, quem deseja receber a comunhão do Papa, deve ajoelhar-se sobre o genuflexório preparado especialmente para as cerimônias".

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Papa pede que sacerdotes levem Maria no coração

E destaca o amor especial que a Mãe de Jesus lhes dedica

Bento XVI pediu hoje que os sacerdotes tenham Maria na dinâmica de sua existência e no horizonte de seu apostolado, valorizando o especial vínculo de maternidade entre a Mãe de Jesus e os presbíteros.
Esta manhã, durante a audiência geral com os peregrinos no pátio da residência pontifícia de Castel Gandolfo, o Papa falou sobre Maria e o sacerdócio, “uma relação profundamente enraizada no mistério da Encarnação”.
De acordo com o pontífice, o ‘sim’ de Maria “é a porta através da qual Deus é capaz de entrar no mundo, fazer-se homem. Então Maria é verdadeira e profundamente envolvida no mistério da Encarnação, de nossa salvação”.
Ao voltar o olhar para a Cruz, o Papa destacou que naquele momento Jesus entregou na reciprocidade Maria e o discípulo amado.
“O Evangelho nos diz que, a partir desse momento, São João, o filho amado, levou a mãe Maria ‘para a sua casa’. Assim é na tradução italiana, mas o texto grego é muito mais profundo, muito mais rico”, disse o Papa.
“Podemos traduzir: levar Maria no íntimo de sua vida, de seu ser, eis tà ìdia, na profundidade do seu ser. Levar consigo Maria significa introduzi-la na dinâmica completa da própria existência –não é algo exterior– e em tudo o que constitui o horizonte de seu apostolado.”
De acordo com o Papa, assim se compreende “como a peculiar relação de maternidade existente entre Maria e os sacerdotes constitui a fonte primária, a razão fundamental da predileção que ela tem por cada um deles”.
“Maria os prefere, de fato, por duas razões: porque eles são mais parecidos com Jesus, amor supremo de seu coração, e também porque, como Ele, estão envolvidos na missão de proclamar, testemunhar e dar Cristo ao mundo.”
“Pela própria identificação e conformação sacramental a Jesus, Filho de Deus e Filho de Maria, cada sacerdote pode e deve sentir-se realmente filho amado desta suprema e humilde Mãe”, disse Bento XVI.

Santidade é a resposta para um mundo em crise, diz Papa

Bento XVI sublinha testemunho dos santos ao rezar o Angelus com os peregrinos

Bento XVI afirmou hoje que a santidade é a resposta “crível e abrangente” para os questionamentos de um mundo em profunda crise.
Ao rezar o Angelus com os peregrinos no pátio da residência veraneia de Castel Gandolfo, o Papa deu destaque mais uma vez ao testemunho dos santos. No domingo passado, havia recordado de forma especial São João Maria Vianney. Hoje, deu destaque às figuras de Clara de Assis, Edith Stein, São Maximiliano Kolbe, São Ponciano, Santo Hipólito e São Lourenço.
“Que maravilhosos modelos de santidade a Igreja propõe para nós! Esses santos são testemunhas do amor que se expressa ‘até o fim’ e, não levando em conta o mal recebido, combatem-no com o bem”, afirmou o pontífice.
“Deles possamos aprender, especialmente nós sacerdotes, o heroísmo evangélico que nos inspira, sem temer, a dar a vida pela salvação das almas. O amor vence morte.”
Ao recordar que dois destes santos foram executados em campos de concentração nazistas –Edith Stein e Maximiliano Kolbe–, Bento XVI explicou que o fenômeno dos campos de extermínio são “símbolos extremos do mal”.
São imagens “do inferno que se abre sobre a terra quando o homem esquece Deus e o substitui, usurpando-lhe o direito de decidir que coisa é boa e que coisa é má, de dar a vida e a morte”.
O Papa reconheceu que, “infelizmente, este fenômeno não se limita aos campos de concentração. Estes são o ápice de uma realidade ampla e difusa”.
Nesse contexto, os santos representam as profundas diferenças que existem entre o humanismo ateu e o humanismo cristão.
“Por um lado, existem filosofias e ideologias, mas também mais e mais maneiras de pensar e de agir que exaltam a liberdade como o único princípio do homem, como alternativa para Deus e, assim, transformam o homem em um deus, que faz da arbitrariedade o próprio sistema de pensamento.”
Por outro lado –prosseguiu o Papa–, “vemos os santos, que, praticando o Evangelho do amor, dão razão da sua esperança; eles mostram o verdadeiro rosto de Deus, que é Amor e, ao mesmo tempo, o verdadeiro rosto do homem, criado à imagem e semelhança de Deus”.
Bento XVI rogou à Virgem Maria que “nos ajude a ser santos –em primeiro lugar nós, sacerdotes– e sermos santos como aqueles heróicos testemunhos da fé e da entrega de si até o martírio”.
“É este o único modo de oferecer aos questionamentos humanos e espirituais, nesta profunda crise do mundo contemporâneo, uma resposta crível e abrangente: a da caridade na verdade”, disse.