Dez sugestões aos católicos , as 10 sugestões são :
1. Ler a Bíblia é para os católicos, sim. A Igreja estimula os católicos para que façam da leitura da Bíblia parte de sua vida diária de oração. Ao ler estas palavras inspiradas, as pessoas aprofundam em sua relação com Deus e chegam a entender seu lugar na comunidade daqueles que Deus chamou para si.
2. Orar no começo e no final. Ler a Bíblia não é como ler um romance ou um livro de história. Deveríamos começar com uma oração pedindo ao Espírito Santo que abra nosso coração e nossa mente à Palavra de Deus. A leitura da Sagrada Escritura deveria terminar com uma oração para que esta Palavra dê fruto em nossa vida, ajudando-nos a ser pessoas mais santas e mais fiéis.
3. Fique por dentro de toda a história! Ao escolher uma Bíblia, procure uma edição católica. A edição católica inclui a lista completa dos livros que a Igreja considera sagrados, assim como introduções e notas para compreender o texto. Toda edição católica inclui uma nota de imprimatur no verso da página de título; ele indica que o livro está livre de erros doutrinais segundo o ensinamento católico.
4. A Bíblia não é um livro, é uma biblioteca. Ela é uma coleção de 73 livros escritos ao longo de muitos séculos. Tais livros incluem a história dos reis, profecias, poesias, cartas que desafiam as novas comunidades de crentes em dificuldade e relatos da pregação e da paixão de Jesus, transmitidos por parte dos crentes. O conhecimento do gênero literário do livro que se está lendo o ajudará a entender as ferramentas literárias que o autor utiliza e o significado que este procura transmitir.
5. Saiba o que é a Bíblia – e também o que ela não é. A Bíblia é o relato da relação de Deus com o povo que Ele escolheu para si. Não está escrita para ser lida como um livro de história, nem de ciência, nem como um manifesto político. Na Bíblia, Deus nos ensina aquelas verdades de que precisamos para o bem da nossa salvação.
6. O todo é maior que as partes. Leia a Bíblia em seu contexto. O que acontece antes e depois – inclusive em outros livros – nos ajuda a entender o verdadeiro significado do texto.
7. O antigo tem relação com o novo. O Antigo e o Novo Testamentos se iluminam mutuamente. Ainda que leiamos o Antigo Testamento à luz da morte e ressurreição de Cristo, este tem também seu valor próprio. Juntos, os testamentos nos ajudam a entender o plano de Deus para a humanidade.
8. Você não está lendo sozinho. Ao ler e refletir sobre a Sagrada Escritura, os católicos se unem àqueles homens e mulheres fiéis que levaram a sério a Palavra de Deus e a puseram em prática em sua vida. Lemos a Bíblia na tradição da Igreja para beneficiar-nos da santidade e sabedoria de todos os fiéis.
9. O que Deus está me dizendo? A Bíblia não se dirige somente às pessoas que morreram há muito tempo em um lugar distante. Também se dirige a cada um de nós em suas próprias circunstâncias. Quando lemos, devemos entender o que o texto diz e como os fiéis entenderam seu significado no passado. À luz desse entendimento, então nos perguntamos: “O que Deus está me dizendo”.
10. Ler não é suficiente. Se a Sagrada Escritura ficar somente em palavras em uma página, nossa tarefa não terminou. Precisamos meditar sobre a mensagem e colocá-la em prática em nossa vida. Somente então a Palavra pode ser “viva e eficaz” (Hb 4, 12).
quarta-feira, 22 de julho de 2009
terça-feira, 14 de julho de 2009
Esclarecimento da Congregação para a Doutrina da Fé sobre o aborto provocado
Após o artigo do arcebispo Fisichella sobre a “menina brasileira”.
Recentemente chegaram à Santa Sé várias cartas, inclusive da parte de altas personalidades da vida política e eclesial, que informaram sobre a confusão que se criou em vários países, sobretudo na América Latina, após a manipulação e instrumentalização de um artigo de sua excelência Dom Rino Fisichella, presidente da Academia Pontifícia para a Vida, sobre o triste caso da “menina brasileira”.
Nesse artigo, publicado no "L'Osservatore Romano" a 15 de março de 2009, apresentava-se a doutrina da Igreja, levando em consideração a situação dramática desta menina, que –como se pôde constatar posteriormente– tinha sido acompanhada com toda delicadeza pastoral, em particular pelo então arcebispo de Olinda e Recife, sua excelência Dom José Cardoso Sobrinho.
A esse respeito, a Congregação para a Doutrina da Fé confirma que a doutrina da Igreja sobre o aborto provocado não mudou nem pode mudar.
Esta doutrina foi exposta nos números 2270-2273 do Catecismo da Igreja Católica nestes termos:
A vida humana deve ser respeitada e protegida, de modo absoluto, a partir do momento da concepção. Desde o primeiro momento da sua existência, devem ser reconhecidos a todo o ser humano os direitos da pessoa, entre os quais o direito inviolável de todo o ser inocente à vida (cf. Congregação para a Doutrina da Fé, instrução Donum vitae 1, 1).
«Antes de te formar no ventre materno, Eu te escolhi: antes que saísses do seio da tua mãe, Eu te consagrei» (Jr 1, 5).
«Vós conhecíeis já a minha alma e nada do meu ser Vos era oculto, quando secretamente era formado, modelado nas profundidades da terra» (Sl 139, 15)”.
A Igreja afirmou, desde o século I, a malícia moral de todo o aborto provocado.
E esta doutrina não mudou. Continua invariável. O aborto direto, isto é, querido como fim ou como meio, é gravemente contrário à lei moral:
«Não matarás o embrião por meio do aborto, nem farás que morra o recém-nascido» (Didaké 2, 2; cf. Epistola Pseudo Barnabae 19. 5; Epistola a Diogneto 5, 6: Tertuliano, Apologeticum, 9, 8).
"Deus, Senhor da Vida, confiou aos homens, para que estes desempenhassem dum modo digno dos mesmos homens, o nobre encargo de conservar a vida. Esta deve, pois, ser salvaguardada, com extrema solicitude, desde o primeiro momento da concepção; o aborto e o infanticídio são crimes abomináveis"(Gaudium et spes, 51).
A colaboração formal num aborto constitui falta grave.
A Igreja pune com a pena canónica da excomunhão este delito contra a vida humana.
«Quem procurar o aborto, seguindo-se o efeito («effectu secuto») incorre em excomunhão latae sententiae (CIC can. 1398), isto é, «pelo facto mesmo de se cometer o delito»
(CIC can. 1314) e nas condições previstas pelo Direito (cf. CIC can. 1323-1324).
A Igreja não pretende, deste modo, restringir o campo da misericórdia. Simplesmente, manifesta a gravidade do crime cometido, o prejuízo irreparável causado ao inocente que foi morto, aos seus pais e a toda a sociedade.
O inalienável direito à vida, por parte de todo o indivíduo humano inocente, é um elemento constitutivo da sociedade civil e da sua legislação:
«Os direitos inalienáveis da pessoa deverão ser reconhecidos e respeitados pela sociedade civil e pela autoridade política. Os direitos do homem não dependem nem dos indivíduos, nem dos pais, nem mesmo representam uma concessão da sociedade e do Estado.
Pertencem à natureza humana e são inerentes à pessoa, em razão do acto criador que lhe deu origem. Entre estes direitos fundamentais deve aplicar-se o direito à vida e à integridade física de todo ser humano, desde a concepção até à morte» (Donum vitae, 3).
Desde o momento em que uma lei positiva priva determinada categoria de seres humanos da protecção que a legislação civil deve conceder-lhes, o Estado acaba por negar a igualdade de todos perante a lei. Quando o Estado não põe a sua força ao serviço dos direitos de todos os cidadãos, em particular dos mais fracos, encontram-se ameaçados os próprios fundamentos dum «Estado de direito».
Como consequência do respeito e da protecção que devem ser garantidos ao nascituro, desde o momento da sua concepção, a lei deve prever sanções penais apropriadas para toda a violação deliberada dos seus direitos(Donum vitae, 3).
Na encíclica "Evangelium vitae", o Papa João Paulo II afirmou esta doutrina com sua autoridade de Supremo Pastor da Igreja: “com a autoridade que Cristo conferiu a Pedro e aos seus Sucessores, em comunhão com os Bispos — que de várias e repetidas formas condenaram o aborto e que, na consulta referida anteriormente, apesar de dispersos pelo mundo, afirmaram unânime consenso sobre esta doutrina — declaro que o aborto directo, isto é, querido como fim ou como meio, constitui sempre uma desordem moral grave, enquanto morte deliberada de um ser humano inocente. Tal doutrina está fundada sobre a lei natural e sobre a Palavra de Deus escrita, é transmitida pela Tradição da Igreja e ensinada pelo Magistério ordinário e universal” (n. 62).
No que se refere ao aborto provocado em algumas situações difíceis e complexas, é válido o ensinamento claro e preciso do Papa João Paulo II:
“É verdade que, muitas vezes, a opção de abortar reveste para a mãe um carácter dramático e doloroso: a decisão de se desfazer do fruto concebido não é tomada por razões puramente egoístas ou de comodidade, mas porque se quereriam salvaguardar alguns bens importantes como a própria saúde ou um nível de vida digno para os outros membros da família. Às vezes, temem-se para o nascituro condições de existência tais que levam a pensar que seria melhor para ele não nascer. Mas estas e outras razões semelhantes, por mais graves e dramáticas que sejam, nunca podem justificar a supressão deliberada de um ser humano inocente”. (Evangelium vitae, 58).
Pelo que se refere ao problema de determinados tratamentos médicos para preservar a saúde da mãe, é necessário distinguir bem entre dois fatos diferentes: por um lado, uma intervenção que diretamente provoca a morte do feto, chamada em ocasiões de maneira inapropriada de aborto “terapêutico”, que nunca pode ser lícito, pois constitui o assassinato direto de um ser humano inocente; por outro lado, uma intervenção não abortiva em si mesma que pode ter, como consequência colateral, a morte do filho:
“Se, por exemplo, a salvação da vida da futura mãe, independentemente de seu estado de gravidez, requerer urgentemente uma intervenção cirúrgica, ou outro tratamento terapêutico, que teria como consequência acessória, de nenhum nenhum modo querida nem pretendida, mas inevitável, a morte do feto, um ato assim já não se poderia considerar um atentado direto contra a vida inocente. Nestas condições, a operação poderia ser considerada lícita, igualmente a outras intervenções médicas similares, sempre que se trate de um bem de elevado valor –como é a vida– e que não seja possível postergá-la após o nascimento do filho, nem recorrer a outro remédio eficaz”
(Pio XII, discurso “Frente à Família” e à Associação de Famílias Numerosas, 27 de novembro de 1951).
Pelo que se refere à responsabilidade dos agentes sanitários, é necessário recordar as palavras do Papa João Paulo II: “a sua profissão pede-lhes que sejam guardiães e servidores da vida humana. No actual contexto cultural e social, em que a ciência e a arte médica correm o risco de extraviar-se da sua dimensão ética originária, podem ser às vezes fortemente tentados a transformarem-se em fautores de manipulação da vida, ou mesmo até em agentes de morte. Perante tal tentação, a sua responsabilidade é hoje muito maior e encontra a sua inspiração mais profunda e o apoio mais forte precisamente na intrínseca e imprescindível dimensão ética da profissão clínica, como já reconhecia o antigo e sempre actual juramento de Hipócrates, segundo o qual é pedido a cada médico que se comprometa no respeito absoluto da vida humana e da sua sacralidade”. (Evangelium vitae, 89)
Recentemente chegaram à Santa Sé várias cartas, inclusive da parte de altas personalidades da vida política e eclesial, que informaram sobre a confusão que se criou em vários países, sobretudo na América Latina, após a manipulação e instrumentalização de um artigo de sua excelência Dom Rino Fisichella, presidente da Academia Pontifícia para a Vida, sobre o triste caso da “menina brasileira”.
Nesse artigo, publicado no "L'Osservatore Romano" a 15 de março de 2009, apresentava-se a doutrina da Igreja, levando em consideração a situação dramática desta menina, que –como se pôde constatar posteriormente– tinha sido acompanhada com toda delicadeza pastoral, em particular pelo então arcebispo de Olinda e Recife, sua excelência Dom José Cardoso Sobrinho.
A esse respeito, a Congregação para a Doutrina da Fé confirma que a doutrina da Igreja sobre o aborto provocado não mudou nem pode mudar.
Esta doutrina foi exposta nos números 2270-2273 do Catecismo da Igreja Católica nestes termos:
A vida humana deve ser respeitada e protegida, de modo absoluto, a partir do momento da concepção. Desde o primeiro momento da sua existência, devem ser reconhecidos a todo o ser humano os direitos da pessoa, entre os quais o direito inviolável de todo o ser inocente à vida (cf. Congregação para a Doutrina da Fé, instrução Donum vitae 1, 1).
«Antes de te formar no ventre materno, Eu te escolhi: antes que saísses do seio da tua mãe, Eu te consagrei» (Jr 1, 5).
«Vós conhecíeis já a minha alma e nada do meu ser Vos era oculto, quando secretamente era formado, modelado nas profundidades da terra» (Sl 139, 15)”.
A Igreja afirmou, desde o século I, a malícia moral de todo o aborto provocado.
E esta doutrina não mudou. Continua invariável. O aborto direto, isto é, querido como fim ou como meio, é gravemente contrário à lei moral:
«Não matarás o embrião por meio do aborto, nem farás que morra o recém-nascido» (Didaké 2, 2; cf. Epistola Pseudo Barnabae 19. 5; Epistola a Diogneto 5, 6: Tertuliano, Apologeticum, 9, 8).
"Deus, Senhor da Vida, confiou aos homens, para que estes desempenhassem dum modo digno dos mesmos homens, o nobre encargo de conservar a vida. Esta deve, pois, ser salvaguardada, com extrema solicitude, desde o primeiro momento da concepção; o aborto e o infanticídio são crimes abomináveis"(Gaudium et spes, 51).
A colaboração formal num aborto constitui falta grave.
A Igreja pune com a pena canónica da excomunhão este delito contra a vida humana.
«Quem procurar o aborto, seguindo-se o efeito («effectu secuto») incorre em excomunhão latae sententiae (CIC can. 1398), isto é, «pelo facto mesmo de se cometer o delito»
(CIC can. 1314) e nas condições previstas pelo Direito (cf. CIC can. 1323-1324).
A Igreja não pretende, deste modo, restringir o campo da misericórdia. Simplesmente, manifesta a gravidade do crime cometido, o prejuízo irreparável causado ao inocente que foi morto, aos seus pais e a toda a sociedade.
O inalienável direito à vida, por parte de todo o indivíduo humano inocente, é um elemento constitutivo da sociedade civil e da sua legislação:
«Os direitos inalienáveis da pessoa deverão ser reconhecidos e respeitados pela sociedade civil e pela autoridade política. Os direitos do homem não dependem nem dos indivíduos, nem dos pais, nem mesmo representam uma concessão da sociedade e do Estado.
Pertencem à natureza humana e são inerentes à pessoa, em razão do acto criador que lhe deu origem. Entre estes direitos fundamentais deve aplicar-se o direito à vida e à integridade física de todo ser humano, desde a concepção até à morte» (Donum vitae, 3).
Desde o momento em que uma lei positiva priva determinada categoria de seres humanos da protecção que a legislação civil deve conceder-lhes, o Estado acaba por negar a igualdade de todos perante a lei. Quando o Estado não põe a sua força ao serviço dos direitos de todos os cidadãos, em particular dos mais fracos, encontram-se ameaçados os próprios fundamentos dum «Estado de direito».
Como consequência do respeito e da protecção que devem ser garantidos ao nascituro, desde o momento da sua concepção, a lei deve prever sanções penais apropriadas para toda a violação deliberada dos seus direitos(Donum vitae, 3).
Na encíclica "Evangelium vitae", o Papa João Paulo II afirmou esta doutrina com sua autoridade de Supremo Pastor da Igreja: “com a autoridade que Cristo conferiu a Pedro e aos seus Sucessores, em comunhão com os Bispos — que de várias e repetidas formas condenaram o aborto e que, na consulta referida anteriormente, apesar de dispersos pelo mundo, afirmaram unânime consenso sobre esta doutrina — declaro que o aborto directo, isto é, querido como fim ou como meio, constitui sempre uma desordem moral grave, enquanto morte deliberada de um ser humano inocente. Tal doutrina está fundada sobre a lei natural e sobre a Palavra de Deus escrita, é transmitida pela Tradição da Igreja e ensinada pelo Magistério ordinário e universal” (n. 62).
No que se refere ao aborto provocado em algumas situações difíceis e complexas, é válido o ensinamento claro e preciso do Papa João Paulo II:
“É verdade que, muitas vezes, a opção de abortar reveste para a mãe um carácter dramático e doloroso: a decisão de se desfazer do fruto concebido não é tomada por razões puramente egoístas ou de comodidade, mas porque se quereriam salvaguardar alguns bens importantes como a própria saúde ou um nível de vida digno para os outros membros da família. Às vezes, temem-se para o nascituro condições de existência tais que levam a pensar que seria melhor para ele não nascer. Mas estas e outras razões semelhantes, por mais graves e dramáticas que sejam, nunca podem justificar a supressão deliberada de um ser humano inocente”. (Evangelium vitae, 58).
Pelo que se refere ao problema de determinados tratamentos médicos para preservar a saúde da mãe, é necessário distinguir bem entre dois fatos diferentes: por um lado, uma intervenção que diretamente provoca a morte do feto, chamada em ocasiões de maneira inapropriada de aborto “terapêutico”, que nunca pode ser lícito, pois constitui o assassinato direto de um ser humano inocente; por outro lado, uma intervenção não abortiva em si mesma que pode ter, como consequência colateral, a morte do filho:
“Se, por exemplo, a salvação da vida da futura mãe, independentemente de seu estado de gravidez, requerer urgentemente uma intervenção cirúrgica, ou outro tratamento terapêutico, que teria como consequência acessória, de nenhum nenhum modo querida nem pretendida, mas inevitável, a morte do feto, um ato assim já não se poderia considerar um atentado direto contra a vida inocente. Nestas condições, a operação poderia ser considerada lícita, igualmente a outras intervenções médicas similares, sempre que se trate de um bem de elevado valor –como é a vida– e que não seja possível postergá-la após o nascimento do filho, nem recorrer a outro remédio eficaz”
(Pio XII, discurso “Frente à Família” e à Associação de Famílias Numerosas, 27 de novembro de 1951).
Pelo que se refere à responsabilidade dos agentes sanitários, é necessário recordar as palavras do Papa João Paulo II: “a sua profissão pede-lhes que sejam guardiães e servidores da vida humana. No actual contexto cultural e social, em que a ciência e a arte médica correm o risco de extraviar-se da sua dimensão ética originária, podem ser às vezes fortemente tentados a transformarem-se em fautores de manipulação da vida, ou mesmo até em agentes de morte. Perante tal tentação, a sua responsabilidade é hoje muito maior e encontra a sua inspiração mais profunda e o apoio mais forte precisamente na intrínseca e imprescindível dimensão ética da profissão clínica, como já reconhecia o antigo e sempre actual juramento de Hipócrates, segundo o qual é pedido a cada médico que se comprometa no respeito absoluto da vida humana e da sua sacralidade”. (Evangelium vitae, 89)
sábado, 11 de julho de 2009
HOJE É TEMPO DE SER FELIZ !
A vida é fruto da decisão de cada momento.
Talvez seja por isso, que a idéia de plantio seja tão reveladora sobre a arte de viver.
Viver é plantar. É atitude de constante semeadura, de deixar cair na terra de nossa existencia as mais diversas formas de sementes.
Cada escolha, por menor que seja, é uma forma de semente que lançamos sobre o canteiro que somos. Um dia, tudo o que agora silenciosamente plantamos, ou deixamos plantar em nós,será plantação que poderá ser vista de longe. Para cada dia, o seu empenho.
A sabedoria bíblica nos confirma isso, quando nos diz que "debaixo do céu há um tempo para cada coisa !"
Hoje, neste tempo que é seu, o futuro está sendo plantado. As escolhas que você procura, os amigos que você cultiva, as leituras que você faz, os valores que você abraça, os amores que você ama, tudo será determinante para a colheita futura.
Felcidade talvez seja isso : alegria de recolher da terra que somos, frutos que sejam agradáveis aos olhos ! Infelicidade, talvez seja o contrário. O que não podemos perder de vista é que a vida não é real fora do cultivo. Sempre é tempo de lançar sementes...
Sempre é tempo de recolher frutos. Tudo ao mesmo tempo. Sementes de ontem, frutos de hoje, Sementes de hoje, frutos de amanhã ! Por isso, não perca de vista o que você anda escolhendo para deixar cair na sua terra. Cuidado com os semeadores que não lhe amam. Eles têm o poder de estragar o resultado de muitas coisas. Cuidado com os semeadores que você não conhece. Há muita maldade escondida em sorrisos sedutores.
Cuidado com aqueles que deixam cair qualquer coisa sobre você, afinal, você merece muito mais que qualquer coisa.
Cuidado com os amores passageiros , eles costumam deixar marcas dolorosas que não passam. Cuidado com os invasores do seu corpo , eles não costumam voltar para ajudar a consertar a desordem. Cuidado com os olhares de quem não sabe lhe amar , eles costumam lhe fazer esquecer que você vale à pena. Cuidado com as palavras mentirosas que esparramam por aí... elas costumam estragar o nosso referencial da verdade.
Cuidado com as vozes que insistem em lhe recordar os seus defeitos, elas costumam prejudicar a sua visão sobre si mesmo.
Não tenha medo de se olhar no espelho. É nessa cara safada que você tem, que Deus resolveu expressar mais uma vez, o amor que Ele tem pelo mundo.
Não desanime de você, ainda que a colheita de hoje não seja muito feliz.
Não coloque um ponto final nas suas esperanças. Ainda há muito o que fazer, ainda há muito o que plantar, e o que amar nessa vida.
Ao invés de ficar parado no que você fez de errado, olhe para frente, e veja o que ainda pode ser feito. A vida ainda não terminou. E já dizia o poeta "que os sonhos não envelhecem..."
Vai em frente. Sorriso no rosto e firmeza nas decisões. Deus resolveu reformar o mundo, e escolheu o seu coração para iniciar a reforma.Isso prova que ele ainda acredita em você , e se ele acredita, quem sou eu pra duvidar.
Talvez seja por isso, que a idéia de plantio seja tão reveladora sobre a arte de viver.
Viver é plantar. É atitude de constante semeadura, de deixar cair na terra de nossa existencia as mais diversas formas de sementes.
Cada escolha, por menor que seja, é uma forma de semente que lançamos sobre o canteiro que somos. Um dia, tudo o que agora silenciosamente plantamos, ou deixamos plantar em nós,será plantação que poderá ser vista de longe. Para cada dia, o seu empenho.
A sabedoria bíblica nos confirma isso, quando nos diz que "debaixo do céu há um tempo para cada coisa !"
Hoje, neste tempo que é seu, o futuro está sendo plantado. As escolhas que você procura, os amigos que você cultiva, as leituras que você faz, os valores que você abraça, os amores que você ama, tudo será determinante para a colheita futura.
Felcidade talvez seja isso : alegria de recolher da terra que somos, frutos que sejam agradáveis aos olhos ! Infelicidade, talvez seja o contrário. O que não podemos perder de vista é que a vida não é real fora do cultivo. Sempre é tempo de lançar sementes...
Sempre é tempo de recolher frutos. Tudo ao mesmo tempo. Sementes de ontem, frutos de hoje, Sementes de hoje, frutos de amanhã ! Por isso, não perca de vista o que você anda escolhendo para deixar cair na sua terra. Cuidado com os semeadores que não lhe amam. Eles têm o poder de estragar o resultado de muitas coisas. Cuidado com os semeadores que você não conhece. Há muita maldade escondida em sorrisos sedutores.
Cuidado com aqueles que deixam cair qualquer coisa sobre você, afinal, você merece muito mais que qualquer coisa.
Cuidado com os amores passageiros , eles costumam deixar marcas dolorosas que não passam. Cuidado com os invasores do seu corpo , eles não costumam voltar para ajudar a consertar a desordem. Cuidado com os olhares de quem não sabe lhe amar , eles costumam lhe fazer esquecer que você vale à pena. Cuidado com as palavras mentirosas que esparramam por aí... elas costumam estragar o nosso referencial da verdade.
Cuidado com as vozes que insistem em lhe recordar os seus defeitos, elas costumam prejudicar a sua visão sobre si mesmo.
Não tenha medo de se olhar no espelho. É nessa cara safada que você tem, que Deus resolveu expressar mais uma vez, o amor que Ele tem pelo mundo.
Não desanime de você, ainda que a colheita de hoje não seja muito feliz.
Não coloque um ponto final nas suas esperanças. Ainda há muito o que fazer, ainda há muito o que plantar, e o que amar nessa vida.
Ao invés de ficar parado no que você fez de errado, olhe para frente, e veja o que ainda pode ser feito. A vida ainda não terminou. E já dizia o poeta "que os sonhos não envelhecem..."
Vai em frente. Sorriso no rosto e firmeza nas decisões. Deus resolveu reformar o mundo, e escolheu o seu coração para iniciar a reforma.Isso prova que ele ainda acredita em você , e se ele acredita, quem sou eu pra duvidar.
sábado, 4 de julho de 2009
Estudo do Vaticano diz que Inquisição matou menos do que se pensava.
Caríssimo Orlando Fedeli ,
Acompanho as publicações da Monfort quase diariamente, e devo congratulá-los pela competencia com que defendem a fé ortodoxa nestes dias de barbárie intelectual e moral. Costumo visitar sites das mais diversas orientações espirituais, para que possa melhor conhecer e, assim, defender a Igreja Católica de seus detratores. Porém, tenho poucas informações sobre a inquisição e busco alguns esclarecimentos. É veraz a existencia de instruentos de tortura utilizados pela Igreja?
Qual a verdadeira história da Inquisição Espanhola [apontada por muitos como a mais violenta delas?
Abaixo transcrevo um texto do Centro Apologético Cristão de Pesquisas que presumo ser mentiroso, nada concluindo, no entanto, devido minha falta de contra-argumentos.
Gostaria de ver seu comentário.
A propósito, onde eu poderia adquirir o Liber Sententiarum Inquisitionis de Bernardus Giudonis?
Segue em anexo :
CENTRO APOLOGÉTICO CRISTÃO DE PESQUISAS
CACPINSTRUMENTOS DE TORTURA DA IDADE MÉDIA
Finalidades dos Instrumentos:
No seu "Livro das Sentenças da Inquisição" (Liber Sententiarum Inquisitionis) o padre dominicano Bernardo Guy (Bernardus Guidonis, 1261-1331), "um dos mais completos teóricos da Inquisição", descreveu vários métodos para obter confissões dos acusados, inclusive o enfraquecimento das forças físicas do prisioneiro.
Usava-se, dentre outros, os seguintes processos de tortura:
A manjedoura, para deslocar as juntas do corpo ; arrancar unhas ; ferro em brasa sob várias partes do corpo ; rolar o corpo sobre lâminas afiadas ; uso das "Botas Espanholas" para esmagar as pernas e os pés ; a Virgem de Ferro : um pequeno compartimento em forma humana , aparelhado com facas , que , ao ser fechado , dilacerava o corpo da vítima ; suspensão violenta do corpo , amarrado pelos pés , provocando deslocamento das juntas ; chumbo derretido no ouvido e na boca ; arrancar os olhos ; açoites com crueldade ; forçar os hereges a pular de abismos , para cima de paus pontiagudos ; engolir pedaços do próprio corpo , excrementos e urina ; a "roda do despedaçamento funcionou na Inglaterra , Holanda e Alemanha , e destinava-se a triturar os corpos dos hereges ; o "balcão de estiramento" era usado para desmembrar o corpo das vítimas ; o "esmaga cabeça" era a máquina usada para esmagar lentamente a cabeça do condenado, e outras formas de tortura.
CENTRO APOLOGÉTICO CRISTÃO DE PESQUISAS.
Pr. João Flávio & Presb. Paulo Cristiano.
Nome: Ricardo , 15 anos - Enviada em: 04/04/2004
Religião: Católica - Salvador - BA
RESPOSTA
Muito prezado Ricardo, salve Maria !
Sobre a Inquisição , tenho recomendado que se leia o livro do Professor João Bernardino Gonzaga A Inquisição em seu Mundo , no qual ele demonstra como a tortura era usada por todos os governos. Aliás, ela foi usada comumente por todos os estados até o século XIX, oficialmente.
E será que hoje ela não é usada ?
A Imprensa está cheia de denúncias de que ela ainda é usada.
O Cardeal Mindzenty foi barbaramente torturado pelos comunistas, e disso pouco se fala.
Como se fala pouco que a Igreja --e através da Inquisição -- foi a primeira instituição a não reconhecer como válidas as confissões obtidas sob tortura.
No livro La Vera Storia dell Inquisizione de Rino Camilleri (Ed Piemme, Casale Monferrato, 2.001) se pode ler:
"Onde mais se escurece o negrume da lenda [sobre a Inquisição] é quanto à tortura. Também aqui, porém a inquisição revela uma insuspeitada modernidade. Antes de tudo, deve ser dito que a tortura -- como meio de interrogatório e também como pena -- era usada normalmente na justiça do antigo regime. O primeiro monarca a abolir a tortura foi, de fato, Luis XVI, no fim do século XVIII."
(Rino Camilleri,.La Vera Storia dell ´Inquisizione, Ed Piemme, Casale Monferrato, 2.001, pp. 45-46).
E ainda:
"As fontes [históricas] demonstram muito claramente que a Inquisição recorria à tortura muito raramente. O especialista Bartolomé Benassa, que se ocupou da Inquisição mais dura, a espanhola, fala de um uso da tortura "relativamente pouco frequente e geralmente moderado, era o recurso à pena capital, excepcional depois do ano 1500".
O fato é que os inquisidores não acreditavam na eficácia da tortura. Os manuais para inquisidores convidavam a que se desconfiasse dela, porque os fracos, sob tortura, confessariam qualquer coisa, e nela os "duros" teriam persistido facilmente. Ora, porque quem resistia à tortura sem confessar era automaticamente solto, vai de si que como meio de prova a tortura era pouco útil. Não só. A confissão obtida sob tortura devia ser confirmada por escrito pelo imputado posteriormente, sem tortura (somente assim as eventuais admissões de culpa podiam ser levadas a juízo). (Rino Camilleri , La Vera Storia dell ´Inquisizione , Ed Piemme, Casale Monferrato, 2.001, p.p. 46-47).
Ainda agora o vaticano ditou um estudo pormenorizado sobre a Inquisição que desfaz muitas das lendas sobre as mortes na Inquisição.
Transcrevo para você o que foi noticiado sobre esse novo livro:
O Vaticano publicou um novo estudo sobre os abusos cometidos durante a Inquisição que traz uma conclusão surpreendente: os julgamentos por heresia não eram tão brutais quanto se acreditava.
Segundo o relatório de 800 páginas, a Inquisição , que espalhou temor na Europa durante a Idade Média, não praticou tantas execuções ou tortura como dizem os livros de história.
O editor do novo livro, professor Agostino Borromeo, sustenta que, na Espanha, apenas 1,8% dos investigados pela Inquisição espanhola foram mortos.
Apesar disso, o papa João Paulo 2º novamente pediu desculpas pelos excessos dos interrogadores, expressando pesar por "erros cometidos a serviço da verdade por meio do recurso a métodos não-cristãos".
O Papa, porém, não ultrapassou a regra da igreja segundo a qual os pontífices não criticam os seus predecessores. O Papa Gregório 9º, que criou a Inquisição em 1233 para combater a heresia (a negação da verdade da fé católica), não foi mencionado no comunicado.
Hereges
Após a consolidação do poder na Europa da Igreja Católica Romana, nos séculos 12 e 13, ela estabeleceu a Inquisição para assegurar que os hereges não minassem a sua autoridade.
O sistema tomou a forma de uma rede de tribunais eclesiásticos com juízes e investigadores.
As punições aos condenados variavam de visitas forçadas à igreja ou fazer peregrinações até a prisão perpétua ou execução na fogueira.
A Inquisição estimulava delações, e os acusados não tinham o direito de questionar a pessoa que o havia acusado de heresia. Ela atingiu o seu pico no século 16, quando a igreja enfrentava a reforma protestante. Seu julgamento mais famoso aconteceu em 1633 , quando Galileu foi condenado por postular que a Terra girava ao redor do Sol.
A Inquisição espanhola, que se tornou independente do Vaticano no século 15 , praticou os abusos mais extremos, sobretudo com o uso dos autos da fé, em que matavam os condenados em fogueiras públicas.
Seus representantes torturavam as vítimas , realizavam julgamentos sumários, forçavam conversões e aprovavam sentenças de morte. "Não há dúvidas de que, no começo, os procedimentos planejados foram aplicados com rigor excessivo, que em alguns casos foram degenerados e se tornaram verdadeiros abusos", diz o novo estudo do Vaticano.
Mas o relatório, preparado ao longo de seis anos, argumenta que a Inquisição não foi tão má como se costumava crer.
"Bonecos no fogo"
Borromeo cita como exemplo que , de 125 mil julgamentos de suspeitos de heresia na Espanha , menos de 2% foram executados. Ele afirma que muitas vezes bonecos eram queimados para representar aqueles que foram condenados à revelia. E que bruxas e hereges que demonstravam arrependimento no último minuto recebiam algum tipo de alívio para a dor quando eram estrangulados antes de serem queimados.
Para aqueles que possuem ligação com as vítimas da Inquisição , porém , a declaração do Vaticano de que ela não era tão má quanto se dizia tem pouca importância.
Os Valdesianos, membros de uma seita protestante declarada herege no século 12 , estavam entre as vítimas da Inquisição.
"Não importa se há muitos ou poucos casos. O que é importante é que você não pode dizer : Estou certo, você está errado, e eu vou te queimar", disse Thomas Noffke, um pastor valdesiano americano que vive em Roma. Ainda segundo o novo relatório, no auge da Inquisição a Alemanha matou mais bruxas e bruxos que em qualquer outro lugar, cerca de 25 mil".
Como você vê , esse livro que mandarei adquirir logo mais , demonstra que o número de execuções pela Inquisição foi mínimo.
Por outro lado, note que no texto que você me enviou - e que é de um grupo catequético que se diz católico, se escreveu que um dos instrumentos de tortura da Inquisição foi a guilhotina.
A guilhotina , ora , a guilhotina nunca foi instrumento de tortura. Era instrumento de execução da pena de morte, cortando a cabeça do condenado.
Pior ainda : a guilhotina foi inventada pelo Dr. Guillotin, durante a Revolução Francesa depois de 1789. Como é então que a Inquisição medieval a usaria se ela ainda não existia ?
Assim são os maus católicos , não tendo Fé na Igreja eles acreditam em todas as calúnias que se assacam contra a Igreja , e estão prontos a propagá-las , para agradar aos ímpios.
Esses maus católicos são os piores inimigos da Igreja Católica.
In Corde Jesu, semper, Orlando Fedeli
Obs : Roma locuta , causa finita est.
Leandro Costa - Direção do blog
Acompanho as publicações da Monfort quase diariamente, e devo congratulá-los pela competencia com que defendem a fé ortodoxa nestes dias de barbárie intelectual e moral. Costumo visitar sites das mais diversas orientações espirituais, para que possa melhor conhecer e, assim, defender a Igreja Católica de seus detratores. Porém, tenho poucas informações sobre a inquisição e busco alguns esclarecimentos. É veraz a existencia de instruentos de tortura utilizados pela Igreja?
Qual a verdadeira história da Inquisição Espanhola [apontada por muitos como a mais violenta delas?
Abaixo transcrevo um texto do Centro Apologético Cristão de Pesquisas que presumo ser mentiroso, nada concluindo, no entanto, devido minha falta de contra-argumentos.
Gostaria de ver seu comentário.
A propósito, onde eu poderia adquirir o Liber Sententiarum Inquisitionis de Bernardus Giudonis?
Segue em anexo :
CENTRO APOLOGÉTICO CRISTÃO DE PESQUISAS
CACPINSTRUMENTOS DE TORTURA DA IDADE MÉDIA
Finalidades dos Instrumentos:
No seu "Livro das Sentenças da Inquisição" (Liber Sententiarum Inquisitionis) o padre dominicano Bernardo Guy (Bernardus Guidonis, 1261-1331), "um dos mais completos teóricos da Inquisição", descreveu vários métodos para obter confissões dos acusados, inclusive o enfraquecimento das forças físicas do prisioneiro.
Usava-se, dentre outros, os seguintes processos de tortura:
A manjedoura, para deslocar as juntas do corpo ; arrancar unhas ; ferro em brasa sob várias partes do corpo ; rolar o corpo sobre lâminas afiadas ; uso das "Botas Espanholas" para esmagar as pernas e os pés ; a Virgem de Ferro : um pequeno compartimento em forma humana , aparelhado com facas , que , ao ser fechado , dilacerava o corpo da vítima ; suspensão violenta do corpo , amarrado pelos pés , provocando deslocamento das juntas ; chumbo derretido no ouvido e na boca ; arrancar os olhos ; açoites com crueldade ; forçar os hereges a pular de abismos , para cima de paus pontiagudos ; engolir pedaços do próprio corpo , excrementos e urina ; a "roda do despedaçamento funcionou na Inglaterra , Holanda e Alemanha , e destinava-se a triturar os corpos dos hereges ; o "balcão de estiramento" era usado para desmembrar o corpo das vítimas ; o "esmaga cabeça" era a máquina usada para esmagar lentamente a cabeça do condenado, e outras formas de tortura.
CENTRO APOLOGÉTICO CRISTÃO DE PESQUISAS.
Pr. João Flávio & Presb. Paulo Cristiano.
Nome: Ricardo , 15 anos - Enviada em: 04/04/2004
Religião: Católica - Salvador - BA
RESPOSTA
Muito prezado Ricardo, salve Maria !
Sobre a Inquisição , tenho recomendado que se leia o livro do Professor João Bernardino Gonzaga A Inquisição em seu Mundo , no qual ele demonstra como a tortura era usada por todos os governos. Aliás, ela foi usada comumente por todos os estados até o século XIX, oficialmente.
E será que hoje ela não é usada ?
A Imprensa está cheia de denúncias de que ela ainda é usada.
O Cardeal Mindzenty foi barbaramente torturado pelos comunistas, e disso pouco se fala.
Como se fala pouco que a Igreja --e através da Inquisição -- foi a primeira instituição a não reconhecer como válidas as confissões obtidas sob tortura.
No livro La Vera Storia dell Inquisizione de Rino Camilleri (Ed Piemme, Casale Monferrato, 2.001) se pode ler:
"Onde mais se escurece o negrume da lenda [sobre a Inquisição] é quanto à tortura. Também aqui, porém a inquisição revela uma insuspeitada modernidade. Antes de tudo, deve ser dito que a tortura -- como meio de interrogatório e também como pena -- era usada normalmente na justiça do antigo regime. O primeiro monarca a abolir a tortura foi, de fato, Luis XVI, no fim do século XVIII."
(Rino Camilleri,.La Vera Storia dell ´Inquisizione, Ed Piemme, Casale Monferrato, 2.001, pp. 45-46).
E ainda:
"As fontes [históricas] demonstram muito claramente que a Inquisição recorria à tortura muito raramente. O especialista Bartolomé Benassa, que se ocupou da Inquisição mais dura, a espanhola, fala de um uso da tortura "relativamente pouco frequente e geralmente moderado, era o recurso à pena capital, excepcional depois do ano 1500".
O fato é que os inquisidores não acreditavam na eficácia da tortura. Os manuais para inquisidores convidavam a que se desconfiasse dela, porque os fracos, sob tortura, confessariam qualquer coisa, e nela os "duros" teriam persistido facilmente. Ora, porque quem resistia à tortura sem confessar era automaticamente solto, vai de si que como meio de prova a tortura era pouco útil. Não só. A confissão obtida sob tortura devia ser confirmada por escrito pelo imputado posteriormente, sem tortura (somente assim as eventuais admissões de culpa podiam ser levadas a juízo). (Rino Camilleri , La Vera Storia dell ´Inquisizione , Ed Piemme, Casale Monferrato, 2.001, p.p. 46-47).
Ainda agora o vaticano ditou um estudo pormenorizado sobre a Inquisição que desfaz muitas das lendas sobre as mortes na Inquisição.
Transcrevo para você o que foi noticiado sobre esse novo livro:
O Vaticano publicou um novo estudo sobre os abusos cometidos durante a Inquisição que traz uma conclusão surpreendente: os julgamentos por heresia não eram tão brutais quanto se acreditava.
Segundo o relatório de 800 páginas, a Inquisição , que espalhou temor na Europa durante a Idade Média, não praticou tantas execuções ou tortura como dizem os livros de história.
O editor do novo livro, professor Agostino Borromeo, sustenta que, na Espanha, apenas 1,8% dos investigados pela Inquisição espanhola foram mortos.
Apesar disso, o papa João Paulo 2º novamente pediu desculpas pelos excessos dos interrogadores, expressando pesar por "erros cometidos a serviço da verdade por meio do recurso a métodos não-cristãos".
O Papa, porém, não ultrapassou a regra da igreja segundo a qual os pontífices não criticam os seus predecessores. O Papa Gregório 9º, que criou a Inquisição em 1233 para combater a heresia (a negação da verdade da fé católica), não foi mencionado no comunicado.
Hereges
Após a consolidação do poder na Europa da Igreja Católica Romana, nos séculos 12 e 13, ela estabeleceu a Inquisição para assegurar que os hereges não minassem a sua autoridade.
O sistema tomou a forma de uma rede de tribunais eclesiásticos com juízes e investigadores.
As punições aos condenados variavam de visitas forçadas à igreja ou fazer peregrinações até a prisão perpétua ou execução na fogueira.
A Inquisição estimulava delações, e os acusados não tinham o direito de questionar a pessoa que o havia acusado de heresia. Ela atingiu o seu pico no século 16, quando a igreja enfrentava a reforma protestante. Seu julgamento mais famoso aconteceu em 1633 , quando Galileu foi condenado por postular que a Terra girava ao redor do Sol.
A Inquisição espanhola, que se tornou independente do Vaticano no século 15 , praticou os abusos mais extremos, sobretudo com o uso dos autos da fé, em que matavam os condenados em fogueiras públicas.
Seus representantes torturavam as vítimas , realizavam julgamentos sumários, forçavam conversões e aprovavam sentenças de morte. "Não há dúvidas de que, no começo, os procedimentos planejados foram aplicados com rigor excessivo, que em alguns casos foram degenerados e se tornaram verdadeiros abusos", diz o novo estudo do Vaticano.
Mas o relatório, preparado ao longo de seis anos, argumenta que a Inquisição não foi tão má como se costumava crer.
"Bonecos no fogo"
Borromeo cita como exemplo que , de 125 mil julgamentos de suspeitos de heresia na Espanha , menos de 2% foram executados. Ele afirma que muitas vezes bonecos eram queimados para representar aqueles que foram condenados à revelia. E que bruxas e hereges que demonstravam arrependimento no último minuto recebiam algum tipo de alívio para a dor quando eram estrangulados antes de serem queimados.
Para aqueles que possuem ligação com as vítimas da Inquisição , porém , a declaração do Vaticano de que ela não era tão má quanto se dizia tem pouca importância.
Os Valdesianos, membros de uma seita protestante declarada herege no século 12 , estavam entre as vítimas da Inquisição.
"Não importa se há muitos ou poucos casos. O que é importante é que você não pode dizer : Estou certo, você está errado, e eu vou te queimar", disse Thomas Noffke, um pastor valdesiano americano que vive em Roma. Ainda segundo o novo relatório, no auge da Inquisição a Alemanha matou mais bruxas e bruxos que em qualquer outro lugar, cerca de 25 mil".
Como você vê , esse livro que mandarei adquirir logo mais , demonstra que o número de execuções pela Inquisição foi mínimo.
Por outro lado, note que no texto que você me enviou - e que é de um grupo catequético que se diz católico, se escreveu que um dos instrumentos de tortura da Inquisição foi a guilhotina.
A guilhotina , ora , a guilhotina nunca foi instrumento de tortura. Era instrumento de execução da pena de morte, cortando a cabeça do condenado.
Pior ainda : a guilhotina foi inventada pelo Dr. Guillotin, durante a Revolução Francesa depois de 1789. Como é então que a Inquisição medieval a usaria se ela ainda não existia ?
Assim são os maus católicos , não tendo Fé na Igreja eles acreditam em todas as calúnias que se assacam contra a Igreja , e estão prontos a propagá-las , para agradar aos ímpios.
Esses maus católicos são os piores inimigos da Igreja Católica.
In Corde Jesu, semper, Orlando Fedeli
Obs : Roma locuta , causa finita est.
Leandro Costa - Direção do blog
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Ordenações lefebvrianas ainda são ilegítimas, esclarece Santa Sé
Confirma a mudança de estatuto da Comissão Pontifícia “Ecclesia Dei”
A Santa Sé esclareceu que os bispos e sacerdotes seguidores do arcebispo Marcel Lefebvre não exercerão ministérios legítimos até que a Fraternidade Sacerdotal São Pio X conte com estatuto canônico reconhecido pela Igreja.
O esclarecimento, emitido através de um comunicado da Sala de Imprensa vaticana hoje, fez-se necessário para responder aos vários pedidos de informação sobre as ordenações sacerdotais programadas pela Fraternidade para o fim do mês.
O comunicado remete à carta que Bento XVI dirigiu aos bispos da Igreja no dia 10 de março para explicar as razões da remissão da excomunhão dos bispos ordenados ilegitimamente em 1988 por Dom Lefebvre.
Nessa carta, o Papa indica que até que a Fraternidade não tenha uma posição canônica na Igreja, seus ministros não exercem ministérios legítimos na Igreja.
A carta acrescenta “enquanto as questões relativas à doutrina não forem esclarecidas, a Fraternidade não possui qualquer estado canónico na Igreja, e os seus ministros – embora tenham sido libertos da punição eclesiástica – não exercem de modo legítimo qualquer ministério na Igreja”.
Por outro lado, o comunicado confirma a intenção do Papa de dar um novo status à Comissão Pontifícia “Ecclesia Dei”, “associando-a à Congregação para a Doutrina da Fé”.
Esta Comissão é a instituição vaticana competente desde 1988 para essas comunidades e pessoas que, vindas da Fraternidade São Pio X ou de grupos similares, querem regressar à plena comunhão com o Papa.
Com este gesto, o Papa tenta esclarecer que “os problemas que devem ser tratados agora são de natureza essencialmente doutrinal e se referem sobretudo à aceitação do Concílio Vaticano II e do magistério pós-conciliar dos papas”.
“Há razões para pensar que falta pouco para esse novo status –indica o comunicado. Este fato constitui a premissa para o início do diálogo com os responsáveis da Fraternidade São Pio X de face ao desejado esclarecimento das questões doutrinais e, portanto, também disciplinares, que ainda seguem abertas”.
Em uma matéria publicada nessa terça-feira em Zenit, o bispo Bernard Fellay, líder da Fraternidade, referia-se às ordenações de três sacerdotes e três diáconos no seminário lefebvriano Zaitzkofen, na Baviera (Alemanha), programadas pelo bispo da Fraternidade Alfonso de Galaretta para o dia 27 de junho.
O superior-geral da Fraternidade opinava que o Vaticano agora “não tem problemas fundamentais” com as próximas ordenações sacerdotais, ainda que reconhecia que novas excomunhões poderiam “pôr em perigo tudo” e fazer fracassar os diálogos da Fraternidade com a Congregação para a Doutrina da Fé.
Sobre as ordenações previstas pela Fraternidade, o bispo Gerard Muller, de Ratisbona, também explicou recentemente à Fraternidade que enquanto a questão da condição canônica não estiver resolvida, as ordenações não estão autorizadas e, portanto, mereceriam ações disciplinares.
Obs : Peçamos a Deus que se resolva essa situação. Uma Fraternidade não pode ser maior que a IGREJA que a acolhe. Para que sejamos um , devemos respeitar e ser obediente aquele que esta a frente da IGREJA , o PAPA BENTO XVI.
Que esse Ano Sacerdotal (www.annussacerdotalis.org) possa nos unir em oração e obediência a Sã Doutrina da Santa IGREJA Una , Apostolica e Catolica.
Sem mais , Leandro Costa.
A Santa Sé esclareceu que os bispos e sacerdotes seguidores do arcebispo Marcel Lefebvre não exercerão ministérios legítimos até que a Fraternidade Sacerdotal São Pio X conte com estatuto canônico reconhecido pela Igreja.
O esclarecimento, emitido através de um comunicado da Sala de Imprensa vaticana hoje, fez-se necessário para responder aos vários pedidos de informação sobre as ordenações sacerdotais programadas pela Fraternidade para o fim do mês.
O comunicado remete à carta que Bento XVI dirigiu aos bispos da Igreja no dia 10 de março para explicar as razões da remissão da excomunhão dos bispos ordenados ilegitimamente em 1988 por Dom Lefebvre.
Nessa carta, o Papa indica que até que a Fraternidade não tenha uma posição canônica na Igreja, seus ministros não exercem ministérios legítimos na Igreja.
A carta acrescenta “enquanto as questões relativas à doutrina não forem esclarecidas, a Fraternidade não possui qualquer estado canónico na Igreja, e os seus ministros – embora tenham sido libertos da punição eclesiástica – não exercem de modo legítimo qualquer ministério na Igreja”.
Por outro lado, o comunicado confirma a intenção do Papa de dar um novo status à Comissão Pontifícia “Ecclesia Dei”, “associando-a à Congregação para a Doutrina da Fé”.
Esta Comissão é a instituição vaticana competente desde 1988 para essas comunidades e pessoas que, vindas da Fraternidade São Pio X ou de grupos similares, querem regressar à plena comunhão com o Papa.
Com este gesto, o Papa tenta esclarecer que “os problemas que devem ser tratados agora são de natureza essencialmente doutrinal e se referem sobretudo à aceitação do Concílio Vaticano II e do magistério pós-conciliar dos papas”.
“Há razões para pensar que falta pouco para esse novo status –indica o comunicado. Este fato constitui a premissa para o início do diálogo com os responsáveis da Fraternidade São Pio X de face ao desejado esclarecimento das questões doutrinais e, portanto, também disciplinares, que ainda seguem abertas”.
Em uma matéria publicada nessa terça-feira em Zenit, o bispo Bernard Fellay, líder da Fraternidade, referia-se às ordenações de três sacerdotes e três diáconos no seminário lefebvriano Zaitzkofen, na Baviera (Alemanha), programadas pelo bispo da Fraternidade Alfonso de Galaretta para o dia 27 de junho.
O superior-geral da Fraternidade opinava que o Vaticano agora “não tem problemas fundamentais” com as próximas ordenações sacerdotais, ainda que reconhecia que novas excomunhões poderiam “pôr em perigo tudo” e fazer fracassar os diálogos da Fraternidade com a Congregação para a Doutrina da Fé.
Sobre as ordenações previstas pela Fraternidade, o bispo Gerard Muller, de Ratisbona, também explicou recentemente à Fraternidade que enquanto a questão da condição canônica não estiver resolvida, as ordenações não estão autorizadas e, portanto, mereceriam ações disciplinares.
Obs : Peçamos a Deus que se resolva essa situação. Uma Fraternidade não pode ser maior que a IGREJA que a acolhe. Para que sejamos um , devemos respeitar e ser obediente aquele que esta a frente da IGREJA , o PAPA BENTO XVI.
Que esse Ano Sacerdotal (www.annussacerdotalis.org) possa nos unir em oração e obediência a Sã Doutrina da Santa IGREJA Una , Apostolica e Catolica.
Sem mais , Leandro Costa.
Comunismo e fraturas ideológicas explicam lenda contra Pio XII
A “lenda negra” sobre o Papa Pio XII (Eugenio Pacelli), que o acusa de proximidade com o nazismo, tem duas causas, segundo o diretor de L’Osservatore Romano: a propaganda comunista e as divisões dentro da Igreja.
Giovanni Maria Vian as expôs em uma entrevista concedida a Zenit por ocasião da publicação de um livro que ele coordenou, intitulado “Em defesa de Pio XII. As razões da história” (In difesa di Pio XII. Le ragioni della storia).
O livro foi apresentado na quarta-feira passada pelo cardeal secretário de Estado, Tarcisio Bertone, e pelos historiadores Giorgio Israel (Universidade de Roma La Sapienza), Paolo Mieli (Universidade de Milão, diretor em dois períodos do jornal Il Corriere della Sera) e Roberto Pertici (Universidade de Bérgamo).
O diretor do jornal vaticano, historiador, não hesita em utilizar a expressão “lenda negra”, pois, de fato, o Papa Pacelli – que, ao morrer, em 1958, recebeu elogios unânimes pela obra desempenhada durante a 2ª Guerra Mundial – depois foi realmente “demonizado”.
Como foi possível uma mudança tão radical de sua imagem em poucos anos, mais ou menos a partir de 1963?
Propaganda comunista
Vian atribui esta campanha contra o Papa, em primeiro lugar, à propaganda comunista, que se intensificou na época da Guerra Fria.
“A linha assumida nos anos do conflito pelo Papa e pela Santa Sé, contrária os totalitarismos, mas tradicionalmente neutra, foi, na prática, favorável à aliança contra Hitler e se caracterizou por um esforço humanitário sem precedentes que salvou muitíssimas vidas humanas”, observa.
“Esta linha foi, de qualquer forma, anticomunista e por isso, já durante a guerra, o Papa começou a ser acusado pela propaganda soviética de cumplicidade com o nazismo e seus horrores.”
O historiador considera que, “ainda que Eugenio Pacelli sempre tenha sido anticomunista, nunca pensou que o nazismo pudesse ser útil para deter o comunismo, muito pelo contrário”, e o prova com dados históricos.
Em primeiro lugar, “apoiou, entre o outono de 1939 e a primavera de 1940, nos primeiros meses da guerra, a tentativa de golpe contra o regime de Hitler por parte de círculos militares alemães em contato com os britânicos”.
Em segundo lugar, Vian explica que, após o ataque da Alemanha à União Soviética, em meados de 1941, Pio XII em um primeiro momento se negou a que a Santa Sé se unisse à “cruzada” contra o comunismo – como era apresentada – e depois dedicou suas energias a superar a oposição de muitos católicos americanos à aliança dos Estados Unidos com a União Soviética contra o nazismo.
A propaganda soviética, recorda o especialista, foi recolhida eficazmente pela peça teatral Der Stellvertreter (“O vigário”), de Rolf Hochhuth, representada pela primeira vez em Berlim, no dia 20 de fevereiro de 1963, em que se apresentava o silêncio como indiferença diante do extermínio de judeus.
Já naquele então, constata Vian, denunciou-se que a obra teatral relança muitas das acusações de Mijail Markovich Scheinmann no livro Der Vatican im Zweiten Weltkrieg (“O Vaticano na 2ª Guerra Mundial”), publicado antes em russo pelo Instituto Histórico da Academia Soviética das Ciências, órgão de propaganda da ideologia comunista.
E uma nova prova da oposição de Pio XII ao nazismo é o fato de que os chefes do Terceiro Reich consideravam o Papa como um autêntico inimigo, segundo demonstram os documentos dos arquivos alemães, que não por acaso haviam sido fechados pela Alemanha comunista e que só puderam ser abertos e estudados recentemente, como mostra um artigo de Marco Ansaldo no jornal italiano La Repubblica, de 29 de março de 2007.
O livro editado por Vian recolhe um texto do jornalista e historiador Paolo Mieli, um escrito póstumo de Saul Israel, biólogo, médico e escritor judeu, artigos de Andrea Riccardi, historiador e fundador da Comunidade de S. Egídio, dos arcebispos Rino Fisichella, presidente da Academia Pontifícia para a Vida, e Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício para a Cultura, do cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado e, por último, uma homilia e dois discursos de Bento XVI, pronunciados em memória de Pio XII.
Divisão eclesial
Mas a “lenda negra” contra Pio XII também teve promotores dentro da Igreja, por causa da divisão entre progressistas e conservadores, que se acentuou durante e depois do Concílio Vaticano II, anunciado em 1959 e clausurado em 1965, afirma o diretor.
“Seu sucessor, João XXIII – Angelo Giuseppe Roncalli –, foi logo apresentado como o ‘Papa Bom’ e, pouco a pouco, foi contraposto ao seu predecessor: pelo caráter e pelo estilo totalmente diferentes, mas também pela decisão inesperada e surpreendente de convocar um concílio.”
As críticas católicas ao Papa Pacelli haviam sido precedidas, em 1939, pelos interrogantes do filósofo católico francês Emmanuel Mounier, quem repreendeu o “silêncio” do Papa diante da agressão italiana da Albânia.
Pio XII foi criticado também por “ambientes de poloneses no exílio”, que jogavam na sua cara o silêncio frente à ocupação alemã.
Deste modo, quando, a partir dos anos 60, aguçou-se na Igreja a polarização, os católicos que se opunham aos conservadores atacavam Pio XII, dado que ele era visto como um símbolo destes últimos, alimentando ou utilizando argumentos recolhidos da “lenda negra”.
Justiça histórica
O diretor de L’Osservtore Romano sublinha que seu livro não nasce de uma tentativa de defesa prejudicial do Papa, “pois Pio XII não tem necessidade de apologistas que não ajudam a esclarecer a questão histórica”.
No que se refere aos silêncios de Pio XII, não somente diante da perseguição judaica (denunciada sem grandes alardes, mas criticada de maneira inequívoca na mensagem natalina de 1942 e no discurso aos cardeais, de 2 de junho de 1943), mas também diante de outros crimes nazistas,o historiador destaca que esta linha de comportamento buscava que não se agravasse a situação das vítimas, enquanto o pontífice se mobilizava para ajudá-las nesta situação.
“O próprio Pacelli se perguntou em várias ocasiões por esta atitude. Foi, portanto, uma opção consciente e dura para ele de buscar a salvação do maior número de vidas humanas ao invés de denunciar continuamente o mal com o risco real de que os horrores fossem maiores ainda”, explica Vian.
No livro, Paolo Mieli, de origem judaica, afirma neste sentido: “Aceitar as acusações contra Pacelli implica em levar ao banco dos supostos culpáveis, com as mesmas acusações, Roosevelt e Churchill, acusando-os de não ter pronunciado palavras mais claras contra as perseguições antissemitas”.
Recordando que membros da sua família morreram no Holocausto, Mieli disse literalmente: “Eu me oponho a responsabilizar da morte dos meus familiares uma pessoa que não tem responsabilidade”.
O livro publica também um texto inédito de Saul Israel, escrito em 1944, quando, com os demais judeus, ele havia encontrado refúgio no convento de Santo Antônio, na Via Merulana de Roma.
Seu filho, Giorgio Israel, que participou da apresentação do livro, acrescentou: “Não foi um ou outro convento ou um gesto de piedade para poucos; e ninguém pode pensar que toda esta solidariedade que as igrejas e conventos ofereceram ocorreu sem que o Papa soubesse, ou inclusive sem o seu consentimento. A lenda contra Pio XII é a mais absurda de todas as que circulam”.
Muito além da “lenda negra”
Vian explica, por último, que o livro que ele editou não pretende centrar-se na questão da “lenda negra”. Mais ainda, “meio século depois da morte de Pio XII (9 de outubro de 1958) e 70 aos após sua eleição (2 de março de 1939), parece criar-se um novo acordo historiográfico sobre a importância histórica da figura e do pontificado do Eugenio Pacelli”.
O objetivo do livro é sobretudo contribuir para restituir à história e à memória dos católicos um Papa e um pontificado de importância capital em muitos aspectos que, na opinião pública, continuam sendo ofuscados pela polêmica suscitada pela “lenda negra”.
Revelado plano de Hitler para matar Pio XII
Hitler queria sequestrar ou matar Pio XII, segundo confirmam novos testemunhos históricos revelados nesta terça-feira.
Dados sobre este objetivo já haviam sido oferecidos no passado. Em 1972, havia falado dele o general da SS, Karl Wolf, ao referir detalhes sobre um encontro que teve com o Papa Eugenio Pacelli no dia 10 de maio de 1944. No entanto, é a primeira vez que se recolhem detalhes concretos sobre o plano de eliminação do pontífice.
Nesta terça-feira, o jornal italiano Avvenire publicou um testemunho histórico que confirma o plano organizado contra o Papa pelo Reichssicherheitsamt (quartel general para a segurança do Reich) de Berlim, depois de 25 de julho de 1943.
O jornal cita uma fonte direta e testemunhal, Niki Freytag von Loringhoven, de 72 anos, residente em Munique, filho de Wessel Freytag von Loringhoven, quem então era coronel do Alto Comando Alemão das Forças Armadas (Oberkommando der Wehrmacht, OKW), e depois participaria de um falido golpe contra Hitler.
Segundo Freytag von Loringhoven, nos dias 29 e 30 de julho de 1943, houve em Veneza um encontro secreto para informar ao chefe de contraespionagem italiano, o general Cesare Amè, da intenção do Führer de punir os italianos pela prisão Mussolini, com o sequestro ou o assassinato de Pio XII e do rei da Itália.
No encontro participaram o chefe de Ausland-Abwehr (contraespionagem), o almirante Wilhelm Canaris, e dois coronéis da seção II para a sabotagem, Erwin von Lahousen e precisamente Wessel Freytag von Loringhoven.
Segundo Avvenire, este testemunho concorda com a deposição de Erwin von Lahousen no processo de Nurembergue de 1º de fevereiro de 1946 (Warnreise Testimony 1330-1430), no qual inclusive revela a reação de Freytag von Loringhoven ao conhecer o plano de Hitler: “É uma autêntica covardia!”.
O chefe de contraespionagem italiano, Amè, segundo este testemunho histórico, ao voltar a Roma após conhecer as intenções de Hitler em Veneza, divulgou a notícia dos planos contra o Papa para bloqueá-los. Estas notícias chegaram ao embaixador da Alemanha na Santa Sé, Ernst von Weisäcker, quem as recolhe em seu livro Erinnerungen (“Lembranças”), de 1950.
Giovanni Maria Vian as expôs em uma entrevista concedida a Zenit por ocasião da publicação de um livro que ele coordenou, intitulado “Em defesa de Pio XII. As razões da história” (In difesa di Pio XII. Le ragioni della storia).
O livro foi apresentado na quarta-feira passada pelo cardeal secretário de Estado, Tarcisio Bertone, e pelos historiadores Giorgio Israel (Universidade de Roma La Sapienza), Paolo Mieli (Universidade de Milão, diretor em dois períodos do jornal Il Corriere della Sera) e Roberto Pertici (Universidade de Bérgamo).
O diretor do jornal vaticano, historiador, não hesita em utilizar a expressão “lenda negra”, pois, de fato, o Papa Pacelli – que, ao morrer, em 1958, recebeu elogios unânimes pela obra desempenhada durante a 2ª Guerra Mundial – depois foi realmente “demonizado”.
Como foi possível uma mudança tão radical de sua imagem em poucos anos, mais ou menos a partir de 1963?
Propaganda comunista
Vian atribui esta campanha contra o Papa, em primeiro lugar, à propaganda comunista, que se intensificou na época da Guerra Fria.
“A linha assumida nos anos do conflito pelo Papa e pela Santa Sé, contrária os totalitarismos, mas tradicionalmente neutra, foi, na prática, favorável à aliança contra Hitler e se caracterizou por um esforço humanitário sem precedentes que salvou muitíssimas vidas humanas”, observa.
“Esta linha foi, de qualquer forma, anticomunista e por isso, já durante a guerra, o Papa começou a ser acusado pela propaganda soviética de cumplicidade com o nazismo e seus horrores.”
O historiador considera que, “ainda que Eugenio Pacelli sempre tenha sido anticomunista, nunca pensou que o nazismo pudesse ser útil para deter o comunismo, muito pelo contrário”, e o prova com dados históricos.
Em primeiro lugar, “apoiou, entre o outono de 1939 e a primavera de 1940, nos primeiros meses da guerra, a tentativa de golpe contra o regime de Hitler por parte de círculos militares alemães em contato com os britânicos”.
Em segundo lugar, Vian explica que, após o ataque da Alemanha à União Soviética, em meados de 1941, Pio XII em um primeiro momento se negou a que a Santa Sé se unisse à “cruzada” contra o comunismo – como era apresentada – e depois dedicou suas energias a superar a oposição de muitos católicos americanos à aliança dos Estados Unidos com a União Soviética contra o nazismo.
A propaganda soviética, recorda o especialista, foi recolhida eficazmente pela peça teatral Der Stellvertreter (“O vigário”), de Rolf Hochhuth, representada pela primeira vez em Berlim, no dia 20 de fevereiro de 1963, em que se apresentava o silêncio como indiferença diante do extermínio de judeus.
Já naquele então, constata Vian, denunciou-se que a obra teatral relança muitas das acusações de Mijail Markovich Scheinmann no livro Der Vatican im Zweiten Weltkrieg (“O Vaticano na 2ª Guerra Mundial”), publicado antes em russo pelo Instituto Histórico da Academia Soviética das Ciências, órgão de propaganda da ideologia comunista.
E uma nova prova da oposição de Pio XII ao nazismo é o fato de que os chefes do Terceiro Reich consideravam o Papa como um autêntico inimigo, segundo demonstram os documentos dos arquivos alemães, que não por acaso haviam sido fechados pela Alemanha comunista e que só puderam ser abertos e estudados recentemente, como mostra um artigo de Marco Ansaldo no jornal italiano La Repubblica, de 29 de março de 2007.
O livro editado por Vian recolhe um texto do jornalista e historiador Paolo Mieli, um escrito póstumo de Saul Israel, biólogo, médico e escritor judeu, artigos de Andrea Riccardi, historiador e fundador da Comunidade de S. Egídio, dos arcebispos Rino Fisichella, presidente da Academia Pontifícia para a Vida, e Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício para a Cultura, do cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado e, por último, uma homilia e dois discursos de Bento XVI, pronunciados em memória de Pio XII.
Divisão eclesial
Mas a “lenda negra” contra Pio XII também teve promotores dentro da Igreja, por causa da divisão entre progressistas e conservadores, que se acentuou durante e depois do Concílio Vaticano II, anunciado em 1959 e clausurado em 1965, afirma o diretor.
“Seu sucessor, João XXIII – Angelo Giuseppe Roncalli –, foi logo apresentado como o ‘Papa Bom’ e, pouco a pouco, foi contraposto ao seu predecessor: pelo caráter e pelo estilo totalmente diferentes, mas também pela decisão inesperada e surpreendente de convocar um concílio.”
As críticas católicas ao Papa Pacelli haviam sido precedidas, em 1939, pelos interrogantes do filósofo católico francês Emmanuel Mounier, quem repreendeu o “silêncio” do Papa diante da agressão italiana da Albânia.
Pio XII foi criticado também por “ambientes de poloneses no exílio”, que jogavam na sua cara o silêncio frente à ocupação alemã.
Deste modo, quando, a partir dos anos 60, aguçou-se na Igreja a polarização, os católicos que se opunham aos conservadores atacavam Pio XII, dado que ele era visto como um símbolo destes últimos, alimentando ou utilizando argumentos recolhidos da “lenda negra”.
Justiça histórica
O diretor de L’Osservtore Romano sublinha que seu livro não nasce de uma tentativa de defesa prejudicial do Papa, “pois Pio XII não tem necessidade de apologistas que não ajudam a esclarecer a questão histórica”.
No que se refere aos silêncios de Pio XII, não somente diante da perseguição judaica (denunciada sem grandes alardes, mas criticada de maneira inequívoca na mensagem natalina de 1942 e no discurso aos cardeais, de 2 de junho de 1943), mas também diante de outros crimes nazistas,o historiador destaca que esta linha de comportamento buscava que não se agravasse a situação das vítimas, enquanto o pontífice se mobilizava para ajudá-las nesta situação.
“O próprio Pacelli se perguntou em várias ocasiões por esta atitude. Foi, portanto, uma opção consciente e dura para ele de buscar a salvação do maior número de vidas humanas ao invés de denunciar continuamente o mal com o risco real de que os horrores fossem maiores ainda”, explica Vian.
No livro, Paolo Mieli, de origem judaica, afirma neste sentido: “Aceitar as acusações contra Pacelli implica em levar ao banco dos supostos culpáveis, com as mesmas acusações, Roosevelt e Churchill, acusando-os de não ter pronunciado palavras mais claras contra as perseguições antissemitas”.
Recordando que membros da sua família morreram no Holocausto, Mieli disse literalmente: “Eu me oponho a responsabilizar da morte dos meus familiares uma pessoa que não tem responsabilidade”.
O livro publica também um texto inédito de Saul Israel, escrito em 1944, quando, com os demais judeus, ele havia encontrado refúgio no convento de Santo Antônio, na Via Merulana de Roma.
Seu filho, Giorgio Israel, que participou da apresentação do livro, acrescentou: “Não foi um ou outro convento ou um gesto de piedade para poucos; e ninguém pode pensar que toda esta solidariedade que as igrejas e conventos ofereceram ocorreu sem que o Papa soubesse, ou inclusive sem o seu consentimento. A lenda contra Pio XII é a mais absurda de todas as que circulam”.
Muito além da “lenda negra”
Vian explica, por último, que o livro que ele editou não pretende centrar-se na questão da “lenda negra”. Mais ainda, “meio século depois da morte de Pio XII (9 de outubro de 1958) e 70 aos após sua eleição (2 de março de 1939), parece criar-se um novo acordo historiográfico sobre a importância histórica da figura e do pontificado do Eugenio Pacelli”.
O objetivo do livro é sobretudo contribuir para restituir à história e à memória dos católicos um Papa e um pontificado de importância capital em muitos aspectos que, na opinião pública, continuam sendo ofuscados pela polêmica suscitada pela “lenda negra”.
Revelado plano de Hitler para matar Pio XII
Hitler queria sequestrar ou matar Pio XII, segundo confirmam novos testemunhos históricos revelados nesta terça-feira.
Dados sobre este objetivo já haviam sido oferecidos no passado. Em 1972, havia falado dele o general da SS, Karl Wolf, ao referir detalhes sobre um encontro que teve com o Papa Eugenio Pacelli no dia 10 de maio de 1944. No entanto, é a primeira vez que se recolhem detalhes concretos sobre o plano de eliminação do pontífice.
Nesta terça-feira, o jornal italiano Avvenire publicou um testemunho histórico que confirma o plano organizado contra o Papa pelo Reichssicherheitsamt (quartel general para a segurança do Reich) de Berlim, depois de 25 de julho de 1943.
O jornal cita uma fonte direta e testemunhal, Niki Freytag von Loringhoven, de 72 anos, residente em Munique, filho de Wessel Freytag von Loringhoven, quem então era coronel do Alto Comando Alemão das Forças Armadas (Oberkommando der Wehrmacht, OKW), e depois participaria de um falido golpe contra Hitler.
Segundo Freytag von Loringhoven, nos dias 29 e 30 de julho de 1943, houve em Veneza um encontro secreto para informar ao chefe de contraespionagem italiano, o general Cesare Amè, da intenção do Führer de punir os italianos pela prisão Mussolini, com o sequestro ou o assassinato de Pio XII e do rei da Itália.
No encontro participaram o chefe de Ausland-Abwehr (contraespionagem), o almirante Wilhelm Canaris, e dois coronéis da seção II para a sabotagem, Erwin von Lahousen e precisamente Wessel Freytag von Loringhoven.
Segundo Avvenire, este testemunho concorda com a deposição de Erwin von Lahousen no processo de Nurembergue de 1º de fevereiro de 1946 (Warnreise Testimony 1330-1430), no qual inclusive revela a reação de Freytag von Loringhoven ao conhecer o plano de Hitler: “É uma autêntica covardia!”.
O chefe de contraespionagem italiano, Amè, segundo este testemunho histórico, ao voltar a Roma após conhecer as intenções de Hitler em Veneza, divulgou a notícia dos planos contra o Papa para bloqueá-los. Estas notícias chegaram ao embaixador da Alemanha na Santa Sé, Ernst von Weisäcker, quem as recolhe em seu livro Erinnerungen (“Lembranças”), de 1950.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
CARTA DE BENTO XVI AOS SACERDOTES POR OCASIÃO DO ANO SACERDOTAL.
Amados irmãos no sacerdócio
Na próxima solenidade do Sacratíssimo Coração de Jesus, sexta-feira 19 de Junho de 2009 – dia dedicado tradicionalmente à oração pela santificação do clero – tenho em mente proclamar oficialmente um "Ano Sacerdotal" por ocasião do 150º aniversário do "dies natalis" de João Maria Vianney, o Santo Patrono de todos os párocos do mundo. Tal ano, que pretende contribuir para fomentar o empenho de renovação interior de todos os sacerdotes para um seu testemunho evangélico mais vigoroso e incisivo, terminará na mesma solenidade, em 2010. "O sacerdócio é o amor do Coração de Jesus" costumava dizer o Santo Cura d'Ars. Essa tocante afirmação nos permite, antes de tudo, evocar com ternura e gratidão, o dom imenso que são os sacerdotes, não só para a Igreja, mas também para a própria humanidade. Penso em todos os presbíteros que propõem, humilde e quotidianamente, aos fiéis cristãos e ao mundo inteiro, as palavras e os gestos de Cristo, procurando aderir a Ele com os pensamentos, a vontade, os sentimentos e o estilo de toda a sua existência.
Como não sublinhar suas fadigas apostólicas, seu serviço incansável e escondido, sua caridade que, por tendência, era universal ? E o que dizer da fidelidade corajosa de tantos sacerdotes que − não obstante dificuldades e incompreensões − continuam fiéis à sua vocação: a de "amigos de Cristo", por Ele de modo particular chamados, escolhidos e enviados?
Eu mesmo guardo ainda, no coração, a recordação do primeiro pároco junto de quem exerci o meu ministério de jovem sacerdote: deixou-me o exemplo de uma dedicação sem reservas ao próprio serviço sacerdotal, a ponto de encontrar a morte durante o próprio ato de levar o viático a um doente grave. Depois, revejo na memória os inumeráveis irmãos que encontrei e encontro, inclusive durante as minhas viagens pastorais às diversas nações, generosamente empenhados no exercício diário do seu ministério sacerdotal.
Mas a expressão utilizada pelo Santo Cura d'Ars evoca também o Coração traspassado de Cristo com a coroa de espinhos que O envolve.
E isso leva o pensamento a se deter nas inumeráveis situações de sofrimento em que se encontram imersos muitos sacerdotes, ou porque participantes da experiência humana da dor na multiplicidade das suas manifestações, ou porque incompreendidos pelos próprios destinatários do seu ministério: como não recordar os tantos sacerdotes ofendidos na sua dignidade, impedidos na sua missão e, às vezes, mesmo perseguidos até ao supremo testemunho do sangue?Infelizmente, existem também situações, nunca suficientemente deploradas, em que é a própria Igreja a sofrer pela infidelidade de alguns dos seus ministros. Daí advém, então, para o mundo, motivo de escândalo e de repulsa. O máximo que a Igreja pode extrair de tais casos, não é o relevar acintosamente as fraquezas dos seus ministros, quanto tomar uma renovada e consoladora consciência da grandeza do dom de Deus, concretizado em figuras esplêndidas de generosos pastores, de religiosos inflamados de amor por Deus e pelas almas, de diretores espirituais esclarecidos e pacientes. A esse respeito, os ensinamentos e exemplos de São João Maria Vianney podem oferecer a todos, um significativo ponto de referência. O Cura d'Ars era humilíssimo, mas consciente de ser, enquanto padre, um dom imenso para seu povo: "Um bom pastor, um pastor segundo o coração de Deus é o maior tesouro que o bom Deus pode conceder a uma paróquia e um dos dons mais preciosos da misericórdia divina."
Falava do sacerdócio como se não conseguisse alcançar plenamente a grandeza do dom e da tarefa confiados a uma criatura humana:
"Oh como é grande o padre! (…) Se lhe fosse dado compreender-se a si mesmo, morreria. (…) Deus obedece-lhe: ele pronuncia duas palavras e, à sua voz, Nosso Senhor desce do céu e encerra-se numa pequena hóstia."
E, ao explicar a seus fiéis a importância dos sacramentos, dizia: "Sem o sacramento da Ordem, não teríamos o Senhor. Quem O colocou ali naquele sacrário ? O sacerdote. Quem acolheu a vossa alma no primeiro momento do ingresso na vida ? O sacerdote. Quem a alimenta para lhe dar a força de realizar a sua peregrinação ? O sacerdote. Quem há de prepará-la para comparecer diante de Deus, lavando-a pela última vez no sangue de Jesus Cristo ? O sacerdote, sempre o sacerdote. E se esta alma chega a morrer (pelo pecado), quem a ressuscitará, quem lhe restituirá a serenidade e a paz? Ainda o sacerdote. (…) Depois de Deus, o sacerdote é tudo! (…) Ele próprio não se entenderá bem a si mesmo, senão no céu".
Essas afirmações nascidas do coração sacerdotal daquele santo pároco podem parecer excessivas. Nelas, porém, revela-se a sublime consideração em que ele tinha o sacramento do sacerdócio. Parecia subjugado por uma sensação de responsabilidade sem fim:
"Se compreendêssemos bem o que um padre é, sobre a terra, morreríamos: não de susto, mas de amor. (…) Sem o padre, a morte e a paixão de Nosso Senhor não teria servido para nada. É o padre que continua a obra da Redenção sobre a terra (…) De que valeria termos uma casa cheia de ouro, se não houvesse ninguém para nos abrir a porta ? O padre possui a chave dos tesouros celestes: é ele que abre a porta; é o ecônomo do bom Deus; o administrador dos seus bens (…) Deixai uma paróquia durante vinte anos sem padre, e lá se adorarão as bestas. (…) O padre não é padre para si mesmo, o é para vós."
Tinha chegado a Ars, uma pequena aldeia com 230 habitantes, precavido pelo bispo de que iria encontrar uma situação religiosamente precária: "Naquela paróquia, não há muito amor de Deus; infundi-lo-eis vós." Por conseguinte, achava-se plenamente consciente de que devia ir para lá a fim de encarnar a presença de Cristo, testemunhando sua ternura salvífica:
"(Meu Deus), concedei-me a conversão da minha paróquia; aceito sofrer tudo aquilo que quiserdes por todo o tempo da minha vida!" , foi com essa oração que começou sua missão.
E, à conversão da sua paróquia, dedicou-se o Santo Cura com todas as suas energias, colocando no ápice de cada uma de suas ideias, a formação cristã do povo a ele confiado. Amados irmãos no sacerdócio, peçamos ao Senhor Jesus, a graça de podermos, também nós, assimilar o método pastoral de São João Maria Vianney. A primeira coisa que devemos aprender é sua total identificação com o próprio ministério. Em Jesus, tendem a coincidir Pessoa e Missão: toda a sua ação salvífica era e é expressão do seu "Eu filial" que, desde toda a eternidade, está diante do Pai, em atitude de amorosa submissão à sua vontade.
Com modesta, mas verdadeira, analogia, também o sacerdote deve ansiar por essa identificação. Não se trata, certamente, de esquecer que a eficácia substancial do ministério permanece, independentemente da santidade do ministro; mas também não se pode deixar de ter em conta a extraordinária frutificação gerada do encontro entre a santidade objetiva do ministério, e a subjetiva do ministro.
O Cura d'Ars principiou, imediatamente, esse humilde e paciente trabalho de harmonização entre a sua vida de ministro e a santidade do ministério que lhe fora confiado, decidindo "habitar", mesmo materialmente, na sua igreja paroquial:
"Logo que chegou, escolheu a igreja para sua habitação. (…) Entrava na igreja antes da aurora e não saía de lá senão à tardinha, depois do Angelus. Quando precisavam dele, deviam procurá-lo lá" − lê-se na primeira biografia. O exagero devoto do pio hagiógrafo não deve fazer-nos esquecer o fato de que o Santo Cura soube também "habitar" ativamente, em todo o território da sua paróquia: visitava, sistematicamente, os doentes e as famílias; organizava missões populares e festas dos santos patronos; recolhia e administrava dinheiro para suas obras sociocaritativas e missionárias; embelezava sua igreja e a dotava de adornos sagrados; ocupava-se das órfãs do "Providence" (um instituto fundado por ele) e de suas educadoras; preocupava-se com a instrução das crianças; fundava confrarias e chamava os leigos para colaborarem com ele.Seu exemplo me induz a evidenciar os espaços de colaboração que é imperioso estender, cada vez mais, aos fiéis leigos com os quais os presbíteros formam um único povo sacerdotal e, no meio dos quais, em virtude do sacerdócio ministerial, se encontram "para levá-los, todos, à unidade, "amando-se uns aos outros com caridade fraterna, e tendo os outros por mais dignos" (Rm 12, 10)". Nesse contexto, há que recordar o caloroso e encorajador convite feito pelo Concílio Vaticano II aos presbíteros, para que "reconheçam e promovam sinceramente a dignidade e participação própria dos leigos na missão da Igreja. Estejam dispostos a ouvir os leigos, tendo, fraternalmente, em conta, seus desejos, e reconhecendo a experiência e competência deles nos diversos campos da atividade humana, para que, juntamente com eles, saibam reconhecer os sinais dos tempos". O Santo Cura ensinava seus paroquianos, sobretudo, com o testemunho da vida. Pelo seu exemplo, os fiéis aprendiam a rezar, detendo-se de bom grado diante do sacrário, para uma visita a Jesus-Eucaristia.
"Para rezar bem – explicava-lhes o Cura – não há necessidade de falar muito. Sabe-se que Jesus está ali, no tabernáculo sagrado: abramos-Lhe o nosso coração, alegremo-nos pela sua presença sagrada. Esta é a melhor oração."
E exortava:
"Vinde à comunhão, meus irmãos, vinde a Jesus. Vinde viver d'Ele para poderdes viver com Ele. É verdade que não sois dignos, mas tendes necessidade!"
Essa educação dos fiéis à presença eucarística e à comunhão adquiria um eficácia muito particular, quando o viam celebrar o santo sacrifício da missa. Quem ao mesmo assistia, afirmava que "não era possível encontrar uma figura que exprimisse melhor a adoração. (...) Contemplava a hóstia amorosamente".
Dizia ele:
"Todas as boas obras reunidas não igualam o valor do sacrifício da missa, porque aquelas são obra de homens, enquanto a santa missa é obra de Deus." Estava convencido de que todo o fervor da vida de um padre dependia da missa:
"A causa do relaxamento do sacerdote é porque não presta atenção à missa ! Meu Deus, como é de lamentar um padre que celebra (a missa) como se fizesse um coisa ordinária !"
E, ao celebrar, tinha tomado o costume de sempre oferecer também, o sacrifício da sua própria vida: "Como faz bem um padre oferecer-se em sacrifício a Deus todas as manhãs !"
Essa sintonia pessoal com o sacrifício da Cruz levava-o – por um único movimento interior – do altar ao confessionário. Os sacerdotes jamais deveriam resignar-se a ver seus confessionários desertos, nem limitar-se a constatar o menosprezo dos fiéis por esse sacramento.
Na França, no tempo do Santo Cura d'Ars, a confissão não era mais fácil nem mais frequente do que nos nossos dias, pois a tormenta revolucionária tinha longamente sufocado a prática religiosa. Mas ele procurou de todos os modos, com a pregação e o conselho persuasivo, fazer com que seus paroquianos redescobrissem o significado e a beleza da Penitência sacramental, apresentando-a como uma exigência íntima da presença eucarística.
Pôde, assim, dar início a um círculo virtuoso. Com as longas permanências na igreja junto do sacrário, fez com que os fiéis começassem a imitá-lo, indo até lá visitar Jesus, e, ao mesmo tempo, estivessem seguros de que lá encontrariam seu pároco disponível para ouvi-los e perdoá-los. Em seguida, a multidão crescente dos penitentes provenientes de toda a França, haveria de retê-lo no confessionário até 16 horas por dia.
Dizia-se, então, que Ars se tornara "o grande hospital das almas".
"A graça que ele obtinha (para a conversão dos pecadores) era tão forte, que aquela ia procurá-los sem lhes deixar um momento de trégua!": diz o primeiro biógrafo.
E, assim o pensava o Santo Cura d'Ars, quando afirmava:
"Não é o pecador que regressa a Deus para Lhe pedir perdão, mas é o próprio Deus que corre atrás do pecador e o faz voltar para Ele. Este bom Salvador é tão cheio de amor, que nos procura por todo o lado." Todos nós, sacerdotes, deveríamos sentir que nos tocam pessoalmente essas palavras que ele colocava na boca de Cristo: "Encarregarei os meus ministros de anunciarem aos pecadores que estou sempre pronto a recebê-los, que a minha misericórdia é infinita."
Do Santo Cura d'Ars, nós, sacerdotes, podemos aprender não só uma inexaurível confiança no sacramento da Penitência, que nos instigue a colocá-lo no centro das nossas preocupações pastorais, mas também o método do "diálogo de salvação" que nele se deve realizar.
O Cura d'Ars tinha maneiras diversas de comportar-se, segundo os vários penitentes.
Quem vinha ao seu confessionário atraído por uma íntima e humilde necessidade do perdão de Deus, encontrava nele o encorajamento para mergulhar na "torrente da misericórdia divina" que, no seu ímpeto, tudo arrasta e depura. E se aparecia alguém angustiado com o pensamento de sua debilidade e inconstância, temeroso de futuras quedas, o Cura d'Ars revelava-lhe o segredo de Deus, com um discurso de comovente beleza:
"O bom Deus sabe tudo. Ainda antes de vos confessardes, já sabe que voltareis a pecar e, todavia, vos perdoa. Como é grande o amor do nosso Deus, que vai até o ponto de esquecer voluntariamente o futuro, só para poder perdoar-nos!"
Diversamente, a quem se acusava de forma indolente e quase indiferente, expunha, através de suas próprias lágrimas, a séria e dolorosa evidência de quão "abominável" fosse aquele comportamento.
"Choro, porque vós não chorais" − exclamava ele. "Se ao menos o Senhor não fosse assim tão bom! Mas é assim bom ! Só um bárbaro poderia comportar-se assim diante de um Pai tão bom !"
Fazia brotar o arrependimento no coração dos indolentes, forçando-os a verem com os próprios olhos, o sofrimento de Deus, causado pelos pecados, quase "encarnado" no rosto do padre que os atendia na confissão. Entretanto, a quem se apresentava já desejoso e capaz de uma vida espiritual mais profunda, abria-lhe de par em par as profundidades do amor, explicando a inexprimível beleza de poder viver unidos a Deus e na sua presença:
"Tudo sob o olhar de Deus, tudo com Deus, tudo para agradar a Deus. (...) Como é belo !" E ensinava-lhes a rezar assim: "Meu Deus, dai-me a graça de Vos amar tanto quanto é possível que eu Vos ame!"
No seu tempo, o Cura d'Ars soube transformar o coração e a vida de muitas pessoas, porque conseguiu fazer-las sentir o amor misericordioso do Senhor. Também hoje, é igualmente urgente o anúncio e o testemunho da verdade do Amor: Deus caritas est (1 Jo 4, 8).
Com a Palavra e os Sacramentos do seu Jesus, João Maria Vianney sabia instruir seu povo, ainda que frequentemente suspirasse, convencido da sua pessoal inaptidão, a ponto de ter desejado, diversas vezes, subtrair-se às responsabilidades do ministério paroquial, do qual se sentia indigno.
Mas, com exemplar obediência, ficou sempre no seu lugar, porque o consumia a paixão apostólica pela salvação das almas. Procurava aderir totalmente à própria vocação e missão, por meio de uma severa ascese:
"Para nós, párocos, a grande desdita – deplorava o Santo – é entorpecer-se a alma" , entendendo, com isso, o perigo de o pastor se habituar ao estado de pecado ou de indiferença em que vivem muitas das suas ovelhas. Com vigílias e jejuns, freava o corpo, para evitar que opusesse resistência à sua alma sacerdotal. E não se esquivava a mortificar-se a si mesmo, para bem das almas que lhe estavam confiadas e para contribuir para a expiação dos muitos pecados ouvidos em confissão.
Explicava a um colega sacerdote: "Dir-vos-ei qual é a minha receita: dou aos pecadores uma penitência pequena, e o resto faço-o eu, no lugar deles."
Independentemente das penitências concretas a que se sujeitava o Cura d'Ars, continua válido para todos, o núcleo do seu ensinamento: as almas custam o sangue de Cristo e o sacerdote não pode dedicar-se à sua salvação, se se recusa a contribuir com a sua parte, para pagar o "alto preço" da redenção.
No mundo atual, não menos do que nos tempos difíceis do Cura d'Ars, é preciso que os presbíteros, na sua vida e ação, se distingam por um vigoroso testemunho evangélico.
Paulo VI observou, justamente, que "o homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres ou então, se escuta os mestres, é porque eles são testemunhas". Para que não se forme um vazio existencial em nós e fique comprometida a eficácia do nosso ministério, é preciso não cessar de nos interrogarmos: "Somos verdadeiramente permeados pela palavra de Deus ? É verdade que ela é o alimento de que vivemos, mais de que o sejam o pão e as coisas deste mundo ? Conhecemo-la verdadeiramente ? Amamo-la ? Ocupamos interiormente desta palavra, de modo que a mesma dê, realmente. um timbre à nossa vida e uma forma ao nosso pensamento ?"
Assim como Jesus chamou os Doze para estarem com Ele (cf. Mc 3, 14) e só depois é que os enviou a pregarem, assim também nos nossos dias, os sacerdotes são chamados a assimilar aquele "novo estilo de vida" que foi inaugurado pelo Senhor Jesus e assumido pelos apóstolos.
Foi precisamente a adesão sem reservas a esse "novo estilo de vida" que caracterizou o trabalho ministerial do Cura d'Ars.
O Papa João XXIII, na carta encíclica Sacerdotii nostri primordia – publicada em 1959, centenário da morte de São João Maria Vianney – apresentava sua fisionomia ascética, referindo-se de modo especial ao tema dos "três conselhos evangélicos" considerados necessários também para os presbíteros: "Embora, para alcançar esta santidade de vida, não seja imposta ao sacerdote como própria do estado clerical, a prática dos conselhos evangélicos, entretanto esta representa para ele, como para todos os discípulos do Senhor, o caminho regular da santificação cristã."
O Cura d'Ars soube viver os "conselhos evangélicos" segundo modalidades apropriadas à sua condição de presbítero. Com efeito, sua pobreza não foi a mesma de um religioso ou de um monge, mas a requerida a um padre: embora manejasse muito dinheiro (dado que os peregrinos mais abonados não deixavam de se interessar por suas obras sociocaritativas), sabia que tudo era dado para a sua igreja, os seus pobres, os seus órfãos, as meninas do seu "Providence", e as suas famílias mais indigentes.
Por isso, ele "era rico para dar aos outros e era muito pobre para si mesmo". Explicava: "Meu segredo é simples: dar tudo e não guardar nada." Quando se encontrava de mãos vazias, dizia contente aos pobres que lhe se dirigiam: "Hoje sou pobre como vós, sou um de vós." Desse modo, pôde, ao fim da vida, afirmar com absoluta serenidade: "Não tenho mais nada. Agora o bom Deus pode chamar-me quando quiser!" Também sua castidade era aquela que se requeria a um padre para o seu ministério. Pode-se dizer que era a castidade conveniente a quem deve, habitualmente, tocar a Eucaristia e que, habitualmente, a fixa com todo o entusiasmo do coração e com o mesmo entusiasmo a dá a seus fiéis.
Dele se dizia que "a castidade brilhava no seu olhar" e os fiéis apercebiam-se disso, quando ele se voltava para o sacrário, fixando-o com os olhos de um enamorado.
Também a obediência de São João Maria Vianney foi toda encarnada na dolorosa adesão às exigências diárias do seu ministério. É sabido como o atormentava o pensamento de sua própria inaptidão para o ministério paroquial, e o desejo que tinha de fugir "para chorar sua pobre vida, na solidão".
Somente a obediência e a paixão pelas almas conseguiam convencê-lo a continuar no seu lugar. A si próprio e a seus fiéis explicava: "Não há duas maneiras boas de servir a Deus. Há apenas uma: servi-Lo como Ele quer ser servido." A regra de ouro para levar uma vida obediente parecia-lhe ser esta: "Fazer só aquilo que pode ser oferecido ao bom Deus."
No contexto da espiritualidade alimentada pela prática dos conselhos evangélicos, aproveito para dirigir aos sacerdotes, neste Ano a eles dedicado, um convite particular, a fim de que saibam acolher a nova Primavera que, em nossos dias, o Espírito suscita na Igreja, através, particularmente, dos movimentos eclesiais e das novas comunidades.
"O Espírito é multiforme nos seus dons. (…) Ele sopra onde quer. E o faz de maneira inesperada, em lugares imprevistos, e segundo formas precedentemente inimagináveis (…); mas nos demonstra também, que Ele age em vista do único Corpo e na unidade do único Corpo."
A propósito disso, vale a indicação do decreto Presbyterorum ordinis: "Sabendo discernir se os espíritos vêm de Deus, (os presbíteros) perscrutem com o sentido da fé, reconheçam com alegria e promovam com diligência os multiformes carismas dos leigos, tanto os humildes como os sublimes."
Esses dons que impelem não poucos para uma vida espiritual mais elevada, podem ser de proveito não só para os fiéis leigos, mas também para os próprios ministros. Com efeito, da comunhão entre ministros ordenados e carismas pode brotar "um válido impulso para um renovado compromisso da Igreja, no anúncio e no testemunho do Evangelho da esperança e da caridade, em todos os recantos do mundo".
Queria ainda, acrescentar, apoiado na exortação apostólica Pastores dabo vobis, do Papa João Paulo II, que o ministério ordenado tem uma radical "forma comunitária" e pode ser cumprido apenas na comunhão dos presbíteros com o seu bispo.
É preciso que essa comunhão entre os sacerdotes e com seus respectivos bispos, baseada no sacramento da Ordem e manifestada na concelebração eucarística, se traduza nas diversas formas concretas de uma fraternidade sacerdotal efetiva e afetiva.
Só desse modo é que os sacerdotes poderão viver em plenitude o dom do celibato e serão capazes de fazer florir comunidades cristãs onde se renovem os prodígios da primeira pregação do Evangelho.
O Ano Paulino, que está chegando ao fim, encaminha o nosso pensamento também para o Apóstolo dos Gentios, em quem refulge aos nossos olhos um modelo esplêndido de sacerdote, totalmente "entregue" a seu ministério.
"O amor de Cristo nos impele – escrevia ele – ao pensarmos que um só morreu por todos e que todos, portanto, morreram" (2 Cor 5, 14).
E acrescenta: Ele "morreu por todos, para que os vivos deixem de viver para si próprios, mas vivam para Aquele que morreu e ressuscitou por eles" (2 Cor 5, 15).
Que programa melhor do que esse poderia ser proposto a um sacerdote empenhado em avançar pela estrada da perfeição cristã ?
Amados sacerdotes, a celebração dos 150 anos da morte de São João Maria Vianney (1859) segue-se, imediatamente, às celebrações − há pouco encerradas − dos 150 anos das aparições de Lourdes (1858).
Já em 1959, o bem-aventurado Papa João XXIII anotara:
"Pouco antes que o Cura d'Ars concluísse sua longa carreira cheia de méritos, a Virgem Imaculada aparecera, noutra região da França, a uma menina humilde e pura, para lhe transmitir uma mensagem de oração e penitência, cuja imensa ressonância espiritual, há um século, é bem conhecida. Na realidade, a vida do santo sacerdote, cuja comemoração celebramos, fora de antemão uma viva ilustração das grandes verdades sobrenaturais ensinadas à vidente de Massabielle. Ele próprio nutria pela Imaculada Conceição da Santíssima Virgem uma vivíssima devoção, ele que, em 1836, havia consagrado sua paróquia a Maria concebida sem pecado, e acolheria com tanta fé e alegria, a definição dogmática de 1854."
O Santo Cura d'Ars sempre recordava a seus fiéis que "Jesus Cristo, depois de nos ter dado tudo aquilo que nos podia dar, quis ainda fazer-nos herdeiros de quanto Ele tem de mais precioso, ou seja, da sua Santa Mãe".
À Virgem Santíssima entrego este Ano Sacerdotal, pedindo-Lhe para suscitar no ânimo de cada presbítero, um generoso relançamento daqueles ideais de total doação a Cristo e à Igreja, que inspiraram o pensamento e a ação do Santo Cura d'Ars.
Com sua fervorosa vida de oração e seu amor apaixonado, por Jesus crucificado, João Maria Vianney alimentou sua cotidiana doação sem reservas a Deus e à Igreja.
Possa o seu exemplo suscitar, nos sacerdotes, aquele testemunho de unidade com o bispo, entre eles próprios e com os leigos, que é tão necessário hoje, como sempre o foi.
Não obstante o mal que existe no mundo, ressoa sempre atual a palavra de Cristo a seus apóstolos, no Cenáculo:
"No mundo, sofrereis tribulações. Mas tende confiança: Eu venci o mundo" (Jo 16, 33).
A fé no Divino Mestre dá-nos a força para olhar com confiança, para o futuro.
Amados sacerdotes , Cristo conta convosco.
A exemplo do Santo Cura d'Ars, deixai-vos conquistar por Ele e sereis , também vós, no mundo atual, mensageiros de esperança , de reconciliação , de paz.
Com a minha bênção.Vaticano, 16 de Junho de 2009.
Benedictus PP. XVI
Na próxima solenidade do Sacratíssimo Coração de Jesus, sexta-feira 19 de Junho de 2009 – dia dedicado tradicionalmente à oração pela santificação do clero – tenho em mente proclamar oficialmente um "Ano Sacerdotal" por ocasião do 150º aniversário do "dies natalis" de João Maria Vianney, o Santo Patrono de todos os párocos do mundo. Tal ano, que pretende contribuir para fomentar o empenho de renovação interior de todos os sacerdotes para um seu testemunho evangélico mais vigoroso e incisivo, terminará na mesma solenidade, em 2010. "O sacerdócio é o amor do Coração de Jesus" costumava dizer o Santo Cura d'Ars. Essa tocante afirmação nos permite, antes de tudo, evocar com ternura e gratidão, o dom imenso que são os sacerdotes, não só para a Igreja, mas também para a própria humanidade. Penso em todos os presbíteros que propõem, humilde e quotidianamente, aos fiéis cristãos e ao mundo inteiro, as palavras e os gestos de Cristo, procurando aderir a Ele com os pensamentos, a vontade, os sentimentos e o estilo de toda a sua existência.
Como não sublinhar suas fadigas apostólicas, seu serviço incansável e escondido, sua caridade que, por tendência, era universal ? E o que dizer da fidelidade corajosa de tantos sacerdotes que − não obstante dificuldades e incompreensões − continuam fiéis à sua vocação: a de "amigos de Cristo", por Ele de modo particular chamados, escolhidos e enviados?
Eu mesmo guardo ainda, no coração, a recordação do primeiro pároco junto de quem exerci o meu ministério de jovem sacerdote: deixou-me o exemplo de uma dedicação sem reservas ao próprio serviço sacerdotal, a ponto de encontrar a morte durante o próprio ato de levar o viático a um doente grave. Depois, revejo na memória os inumeráveis irmãos que encontrei e encontro, inclusive durante as minhas viagens pastorais às diversas nações, generosamente empenhados no exercício diário do seu ministério sacerdotal.
Mas a expressão utilizada pelo Santo Cura d'Ars evoca também o Coração traspassado de Cristo com a coroa de espinhos que O envolve.
E isso leva o pensamento a se deter nas inumeráveis situações de sofrimento em que se encontram imersos muitos sacerdotes, ou porque participantes da experiência humana da dor na multiplicidade das suas manifestações, ou porque incompreendidos pelos próprios destinatários do seu ministério: como não recordar os tantos sacerdotes ofendidos na sua dignidade, impedidos na sua missão e, às vezes, mesmo perseguidos até ao supremo testemunho do sangue?Infelizmente, existem também situações, nunca suficientemente deploradas, em que é a própria Igreja a sofrer pela infidelidade de alguns dos seus ministros. Daí advém, então, para o mundo, motivo de escândalo e de repulsa. O máximo que a Igreja pode extrair de tais casos, não é o relevar acintosamente as fraquezas dos seus ministros, quanto tomar uma renovada e consoladora consciência da grandeza do dom de Deus, concretizado em figuras esplêndidas de generosos pastores, de religiosos inflamados de amor por Deus e pelas almas, de diretores espirituais esclarecidos e pacientes. A esse respeito, os ensinamentos e exemplos de São João Maria Vianney podem oferecer a todos, um significativo ponto de referência. O Cura d'Ars era humilíssimo, mas consciente de ser, enquanto padre, um dom imenso para seu povo: "Um bom pastor, um pastor segundo o coração de Deus é o maior tesouro que o bom Deus pode conceder a uma paróquia e um dos dons mais preciosos da misericórdia divina."
Falava do sacerdócio como se não conseguisse alcançar plenamente a grandeza do dom e da tarefa confiados a uma criatura humana:
"Oh como é grande o padre! (…) Se lhe fosse dado compreender-se a si mesmo, morreria. (…) Deus obedece-lhe: ele pronuncia duas palavras e, à sua voz, Nosso Senhor desce do céu e encerra-se numa pequena hóstia."
E, ao explicar a seus fiéis a importância dos sacramentos, dizia: "Sem o sacramento da Ordem, não teríamos o Senhor. Quem O colocou ali naquele sacrário ? O sacerdote. Quem acolheu a vossa alma no primeiro momento do ingresso na vida ? O sacerdote. Quem a alimenta para lhe dar a força de realizar a sua peregrinação ? O sacerdote. Quem há de prepará-la para comparecer diante de Deus, lavando-a pela última vez no sangue de Jesus Cristo ? O sacerdote, sempre o sacerdote. E se esta alma chega a morrer (pelo pecado), quem a ressuscitará, quem lhe restituirá a serenidade e a paz? Ainda o sacerdote. (…) Depois de Deus, o sacerdote é tudo! (…) Ele próprio não se entenderá bem a si mesmo, senão no céu".
Essas afirmações nascidas do coração sacerdotal daquele santo pároco podem parecer excessivas. Nelas, porém, revela-se a sublime consideração em que ele tinha o sacramento do sacerdócio. Parecia subjugado por uma sensação de responsabilidade sem fim:
"Se compreendêssemos bem o que um padre é, sobre a terra, morreríamos: não de susto, mas de amor. (…) Sem o padre, a morte e a paixão de Nosso Senhor não teria servido para nada. É o padre que continua a obra da Redenção sobre a terra (…) De que valeria termos uma casa cheia de ouro, se não houvesse ninguém para nos abrir a porta ? O padre possui a chave dos tesouros celestes: é ele que abre a porta; é o ecônomo do bom Deus; o administrador dos seus bens (…) Deixai uma paróquia durante vinte anos sem padre, e lá se adorarão as bestas. (…) O padre não é padre para si mesmo, o é para vós."
Tinha chegado a Ars, uma pequena aldeia com 230 habitantes, precavido pelo bispo de que iria encontrar uma situação religiosamente precária: "Naquela paróquia, não há muito amor de Deus; infundi-lo-eis vós." Por conseguinte, achava-se plenamente consciente de que devia ir para lá a fim de encarnar a presença de Cristo, testemunhando sua ternura salvífica:
"(Meu Deus), concedei-me a conversão da minha paróquia; aceito sofrer tudo aquilo que quiserdes por todo o tempo da minha vida!" , foi com essa oração que começou sua missão.
E, à conversão da sua paróquia, dedicou-se o Santo Cura com todas as suas energias, colocando no ápice de cada uma de suas ideias, a formação cristã do povo a ele confiado. Amados irmãos no sacerdócio, peçamos ao Senhor Jesus, a graça de podermos, também nós, assimilar o método pastoral de São João Maria Vianney. A primeira coisa que devemos aprender é sua total identificação com o próprio ministério. Em Jesus, tendem a coincidir Pessoa e Missão: toda a sua ação salvífica era e é expressão do seu "Eu filial" que, desde toda a eternidade, está diante do Pai, em atitude de amorosa submissão à sua vontade.
Com modesta, mas verdadeira, analogia, também o sacerdote deve ansiar por essa identificação. Não se trata, certamente, de esquecer que a eficácia substancial do ministério permanece, independentemente da santidade do ministro; mas também não se pode deixar de ter em conta a extraordinária frutificação gerada do encontro entre a santidade objetiva do ministério, e a subjetiva do ministro.
O Cura d'Ars principiou, imediatamente, esse humilde e paciente trabalho de harmonização entre a sua vida de ministro e a santidade do ministério que lhe fora confiado, decidindo "habitar", mesmo materialmente, na sua igreja paroquial:
"Logo que chegou, escolheu a igreja para sua habitação. (…) Entrava na igreja antes da aurora e não saía de lá senão à tardinha, depois do Angelus. Quando precisavam dele, deviam procurá-lo lá" − lê-se na primeira biografia. O exagero devoto do pio hagiógrafo não deve fazer-nos esquecer o fato de que o Santo Cura soube também "habitar" ativamente, em todo o território da sua paróquia: visitava, sistematicamente, os doentes e as famílias; organizava missões populares e festas dos santos patronos; recolhia e administrava dinheiro para suas obras sociocaritativas e missionárias; embelezava sua igreja e a dotava de adornos sagrados; ocupava-se das órfãs do "Providence" (um instituto fundado por ele) e de suas educadoras; preocupava-se com a instrução das crianças; fundava confrarias e chamava os leigos para colaborarem com ele.Seu exemplo me induz a evidenciar os espaços de colaboração que é imperioso estender, cada vez mais, aos fiéis leigos com os quais os presbíteros formam um único povo sacerdotal e, no meio dos quais, em virtude do sacerdócio ministerial, se encontram "para levá-los, todos, à unidade, "amando-se uns aos outros com caridade fraterna, e tendo os outros por mais dignos" (Rm 12, 10)". Nesse contexto, há que recordar o caloroso e encorajador convite feito pelo Concílio Vaticano II aos presbíteros, para que "reconheçam e promovam sinceramente a dignidade e participação própria dos leigos na missão da Igreja. Estejam dispostos a ouvir os leigos, tendo, fraternalmente, em conta, seus desejos, e reconhecendo a experiência e competência deles nos diversos campos da atividade humana, para que, juntamente com eles, saibam reconhecer os sinais dos tempos". O Santo Cura ensinava seus paroquianos, sobretudo, com o testemunho da vida. Pelo seu exemplo, os fiéis aprendiam a rezar, detendo-se de bom grado diante do sacrário, para uma visita a Jesus-Eucaristia.
"Para rezar bem – explicava-lhes o Cura – não há necessidade de falar muito. Sabe-se que Jesus está ali, no tabernáculo sagrado: abramos-Lhe o nosso coração, alegremo-nos pela sua presença sagrada. Esta é a melhor oração."
E exortava:
"Vinde à comunhão, meus irmãos, vinde a Jesus. Vinde viver d'Ele para poderdes viver com Ele. É verdade que não sois dignos, mas tendes necessidade!"
Essa educação dos fiéis à presença eucarística e à comunhão adquiria um eficácia muito particular, quando o viam celebrar o santo sacrifício da missa. Quem ao mesmo assistia, afirmava que "não era possível encontrar uma figura que exprimisse melhor a adoração. (...) Contemplava a hóstia amorosamente".
Dizia ele:
"Todas as boas obras reunidas não igualam o valor do sacrifício da missa, porque aquelas são obra de homens, enquanto a santa missa é obra de Deus." Estava convencido de que todo o fervor da vida de um padre dependia da missa:
"A causa do relaxamento do sacerdote é porque não presta atenção à missa ! Meu Deus, como é de lamentar um padre que celebra (a missa) como se fizesse um coisa ordinária !"
E, ao celebrar, tinha tomado o costume de sempre oferecer também, o sacrifício da sua própria vida: "Como faz bem um padre oferecer-se em sacrifício a Deus todas as manhãs !"
Essa sintonia pessoal com o sacrifício da Cruz levava-o – por um único movimento interior – do altar ao confessionário. Os sacerdotes jamais deveriam resignar-se a ver seus confessionários desertos, nem limitar-se a constatar o menosprezo dos fiéis por esse sacramento.
Na França, no tempo do Santo Cura d'Ars, a confissão não era mais fácil nem mais frequente do que nos nossos dias, pois a tormenta revolucionária tinha longamente sufocado a prática religiosa. Mas ele procurou de todos os modos, com a pregação e o conselho persuasivo, fazer com que seus paroquianos redescobrissem o significado e a beleza da Penitência sacramental, apresentando-a como uma exigência íntima da presença eucarística.
Pôde, assim, dar início a um círculo virtuoso. Com as longas permanências na igreja junto do sacrário, fez com que os fiéis começassem a imitá-lo, indo até lá visitar Jesus, e, ao mesmo tempo, estivessem seguros de que lá encontrariam seu pároco disponível para ouvi-los e perdoá-los. Em seguida, a multidão crescente dos penitentes provenientes de toda a França, haveria de retê-lo no confessionário até 16 horas por dia.
Dizia-se, então, que Ars se tornara "o grande hospital das almas".
"A graça que ele obtinha (para a conversão dos pecadores) era tão forte, que aquela ia procurá-los sem lhes deixar um momento de trégua!": diz o primeiro biógrafo.
E, assim o pensava o Santo Cura d'Ars, quando afirmava:
"Não é o pecador que regressa a Deus para Lhe pedir perdão, mas é o próprio Deus que corre atrás do pecador e o faz voltar para Ele. Este bom Salvador é tão cheio de amor, que nos procura por todo o lado." Todos nós, sacerdotes, deveríamos sentir que nos tocam pessoalmente essas palavras que ele colocava na boca de Cristo: "Encarregarei os meus ministros de anunciarem aos pecadores que estou sempre pronto a recebê-los, que a minha misericórdia é infinita."
Do Santo Cura d'Ars, nós, sacerdotes, podemos aprender não só uma inexaurível confiança no sacramento da Penitência, que nos instigue a colocá-lo no centro das nossas preocupações pastorais, mas também o método do "diálogo de salvação" que nele se deve realizar.
O Cura d'Ars tinha maneiras diversas de comportar-se, segundo os vários penitentes.
Quem vinha ao seu confessionário atraído por uma íntima e humilde necessidade do perdão de Deus, encontrava nele o encorajamento para mergulhar na "torrente da misericórdia divina" que, no seu ímpeto, tudo arrasta e depura. E se aparecia alguém angustiado com o pensamento de sua debilidade e inconstância, temeroso de futuras quedas, o Cura d'Ars revelava-lhe o segredo de Deus, com um discurso de comovente beleza:
"O bom Deus sabe tudo. Ainda antes de vos confessardes, já sabe que voltareis a pecar e, todavia, vos perdoa. Como é grande o amor do nosso Deus, que vai até o ponto de esquecer voluntariamente o futuro, só para poder perdoar-nos!"
Diversamente, a quem se acusava de forma indolente e quase indiferente, expunha, através de suas próprias lágrimas, a séria e dolorosa evidência de quão "abominável" fosse aquele comportamento.
"Choro, porque vós não chorais" − exclamava ele. "Se ao menos o Senhor não fosse assim tão bom! Mas é assim bom ! Só um bárbaro poderia comportar-se assim diante de um Pai tão bom !"
Fazia brotar o arrependimento no coração dos indolentes, forçando-os a verem com os próprios olhos, o sofrimento de Deus, causado pelos pecados, quase "encarnado" no rosto do padre que os atendia na confissão. Entretanto, a quem se apresentava já desejoso e capaz de uma vida espiritual mais profunda, abria-lhe de par em par as profundidades do amor, explicando a inexprimível beleza de poder viver unidos a Deus e na sua presença:
"Tudo sob o olhar de Deus, tudo com Deus, tudo para agradar a Deus. (...) Como é belo !" E ensinava-lhes a rezar assim: "Meu Deus, dai-me a graça de Vos amar tanto quanto é possível que eu Vos ame!"
No seu tempo, o Cura d'Ars soube transformar o coração e a vida de muitas pessoas, porque conseguiu fazer-las sentir o amor misericordioso do Senhor. Também hoje, é igualmente urgente o anúncio e o testemunho da verdade do Amor: Deus caritas est (1 Jo 4, 8).
Com a Palavra e os Sacramentos do seu Jesus, João Maria Vianney sabia instruir seu povo, ainda que frequentemente suspirasse, convencido da sua pessoal inaptidão, a ponto de ter desejado, diversas vezes, subtrair-se às responsabilidades do ministério paroquial, do qual se sentia indigno.
Mas, com exemplar obediência, ficou sempre no seu lugar, porque o consumia a paixão apostólica pela salvação das almas. Procurava aderir totalmente à própria vocação e missão, por meio de uma severa ascese:
"Para nós, párocos, a grande desdita – deplorava o Santo – é entorpecer-se a alma" , entendendo, com isso, o perigo de o pastor se habituar ao estado de pecado ou de indiferença em que vivem muitas das suas ovelhas. Com vigílias e jejuns, freava o corpo, para evitar que opusesse resistência à sua alma sacerdotal. E não se esquivava a mortificar-se a si mesmo, para bem das almas que lhe estavam confiadas e para contribuir para a expiação dos muitos pecados ouvidos em confissão.
Explicava a um colega sacerdote: "Dir-vos-ei qual é a minha receita: dou aos pecadores uma penitência pequena, e o resto faço-o eu, no lugar deles."
Independentemente das penitências concretas a que se sujeitava o Cura d'Ars, continua válido para todos, o núcleo do seu ensinamento: as almas custam o sangue de Cristo e o sacerdote não pode dedicar-se à sua salvação, se se recusa a contribuir com a sua parte, para pagar o "alto preço" da redenção.
No mundo atual, não menos do que nos tempos difíceis do Cura d'Ars, é preciso que os presbíteros, na sua vida e ação, se distingam por um vigoroso testemunho evangélico.
Paulo VI observou, justamente, que "o homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres ou então, se escuta os mestres, é porque eles são testemunhas". Para que não se forme um vazio existencial em nós e fique comprometida a eficácia do nosso ministério, é preciso não cessar de nos interrogarmos: "Somos verdadeiramente permeados pela palavra de Deus ? É verdade que ela é o alimento de que vivemos, mais de que o sejam o pão e as coisas deste mundo ? Conhecemo-la verdadeiramente ? Amamo-la ? Ocupamos interiormente desta palavra, de modo que a mesma dê, realmente. um timbre à nossa vida e uma forma ao nosso pensamento ?"
Assim como Jesus chamou os Doze para estarem com Ele (cf. Mc 3, 14) e só depois é que os enviou a pregarem, assim também nos nossos dias, os sacerdotes são chamados a assimilar aquele "novo estilo de vida" que foi inaugurado pelo Senhor Jesus e assumido pelos apóstolos.
Foi precisamente a adesão sem reservas a esse "novo estilo de vida" que caracterizou o trabalho ministerial do Cura d'Ars.
O Papa João XXIII, na carta encíclica Sacerdotii nostri primordia – publicada em 1959, centenário da morte de São João Maria Vianney – apresentava sua fisionomia ascética, referindo-se de modo especial ao tema dos "três conselhos evangélicos" considerados necessários também para os presbíteros: "Embora, para alcançar esta santidade de vida, não seja imposta ao sacerdote como própria do estado clerical, a prática dos conselhos evangélicos, entretanto esta representa para ele, como para todos os discípulos do Senhor, o caminho regular da santificação cristã."
O Cura d'Ars soube viver os "conselhos evangélicos" segundo modalidades apropriadas à sua condição de presbítero. Com efeito, sua pobreza não foi a mesma de um religioso ou de um monge, mas a requerida a um padre: embora manejasse muito dinheiro (dado que os peregrinos mais abonados não deixavam de se interessar por suas obras sociocaritativas), sabia que tudo era dado para a sua igreja, os seus pobres, os seus órfãos, as meninas do seu "Providence", e as suas famílias mais indigentes.
Por isso, ele "era rico para dar aos outros e era muito pobre para si mesmo". Explicava: "Meu segredo é simples: dar tudo e não guardar nada." Quando se encontrava de mãos vazias, dizia contente aos pobres que lhe se dirigiam: "Hoje sou pobre como vós, sou um de vós." Desse modo, pôde, ao fim da vida, afirmar com absoluta serenidade: "Não tenho mais nada. Agora o bom Deus pode chamar-me quando quiser!" Também sua castidade era aquela que se requeria a um padre para o seu ministério. Pode-se dizer que era a castidade conveniente a quem deve, habitualmente, tocar a Eucaristia e que, habitualmente, a fixa com todo o entusiasmo do coração e com o mesmo entusiasmo a dá a seus fiéis.
Dele se dizia que "a castidade brilhava no seu olhar" e os fiéis apercebiam-se disso, quando ele se voltava para o sacrário, fixando-o com os olhos de um enamorado.
Também a obediência de São João Maria Vianney foi toda encarnada na dolorosa adesão às exigências diárias do seu ministério. É sabido como o atormentava o pensamento de sua própria inaptidão para o ministério paroquial, e o desejo que tinha de fugir "para chorar sua pobre vida, na solidão".
Somente a obediência e a paixão pelas almas conseguiam convencê-lo a continuar no seu lugar. A si próprio e a seus fiéis explicava: "Não há duas maneiras boas de servir a Deus. Há apenas uma: servi-Lo como Ele quer ser servido." A regra de ouro para levar uma vida obediente parecia-lhe ser esta: "Fazer só aquilo que pode ser oferecido ao bom Deus."
No contexto da espiritualidade alimentada pela prática dos conselhos evangélicos, aproveito para dirigir aos sacerdotes, neste Ano a eles dedicado, um convite particular, a fim de que saibam acolher a nova Primavera que, em nossos dias, o Espírito suscita na Igreja, através, particularmente, dos movimentos eclesiais e das novas comunidades.
"O Espírito é multiforme nos seus dons. (…) Ele sopra onde quer. E o faz de maneira inesperada, em lugares imprevistos, e segundo formas precedentemente inimagináveis (…); mas nos demonstra também, que Ele age em vista do único Corpo e na unidade do único Corpo."
A propósito disso, vale a indicação do decreto Presbyterorum ordinis: "Sabendo discernir se os espíritos vêm de Deus, (os presbíteros) perscrutem com o sentido da fé, reconheçam com alegria e promovam com diligência os multiformes carismas dos leigos, tanto os humildes como os sublimes."
Esses dons que impelem não poucos para uma vida espiritual mais elevada, podem ser de proveito não só para os fiéis leigos, mas também para os próprios ministros. Com efeito, da comunhão entre ministros ordenados e carismas pode brotar "um válido impulso para um renovado compromisso da Igreja, no anúncio e no testemunho do Evangelho da esperança e da caridade, em todos os recantos do mundo".
Queria ainda, acrescentar, apoiado na exortação apostólica Pastores dabo vobis, do Papa João Paulo II, que o ministério ordenado tem uma radical "forma comunitária" e pode ser cumprido apenas na comunhão dos presbíteros com o seu bispo.
É preciso que essa comunhão entre os sacerdotes e com seus respectivos bispos, baseada no sacramento da Ordem e manifestada na concelebração eucarística, se traduza nas diversas formas concretas de uma fraternidade sacerdotal efetiva e afetiva.
Só desse modo é que os sacerdotes poderão viver em plenitude o dom do celibato e serão capazes de fazer florir comunidades cristãs onde se renovem os prodígios da primeira pregação do Evangelho.
O Ano Paulino, que está chegando ao fim, encaminha o nosso pensamento também para o Apóstolo dos Gentios, em quem refulge aos nossos olhos um modelo esplêndido de sacerdote, totalmente "entregue" a seu ministério.
"O amor de Cristo nos impele – escrevia ele – ao pensarmos que um só morreu por todos e que todos, portanto, morreram" (2 Cor 5, 14).
E acrescenta: Ele "morreu por todos, para que os vivos deixem de viver para si próprios, mas vivam para Aquele que morreu e ressuscitou por eles" (2 Cor 5, 15).
Que programa melhor do que esse poderia ser proposto a um sacerdote empenhado em avançar pela estrada da perfeição cristã ?
Amados sacerdotes, a celebração dos 150 anos da morte de São João Maria Vianney (1859) segue-se, imediatamente, às celebrações − há pouco encerradas − dos 150 anos das aparições de Lourdes (1858).
Já em 1959, o bem-aventurado Papa João XXIII anotara:
"Pouco antes que o Cura d'Ars concluísse sua longa carreira cheia de méritos, a Virgem Imaculada aparecera, noutra região da França, a uma menina humilde e pura, para lhe transmitir uma mensagem de oração e penitência, cuja imensa ressonância espiritual, há um século, é bem conhecida. Na realidade, a vida do santo sacerdote, cuja comemoração celebramos, fora de antemão uma viva ilustração das grandes verdades sobrenaturais ensinadas à vidente de Massabielle. Ele próprio nutria pela Imaculada Conceição da Santíssima Virgem uma vivíssima devoção, ele que, em 1836, havia consagrado sua paróquia a Maria concebida sem pecado, e acolheria com tanta fé e alegria, a definição dogmática de 1854."
O Santo Cura d'Ars sempre recordava a seus fiéis que "Jesus Cristo, depois de nos ter dado tudo aquilo que nos podia dar, quis ainda fazer-nos herdeiros de quanto Ele tem de mais precioso, ou seja, da sua Santa Mãe".
À Virgem Santíssima entrego este Ano Sacerdotal, pedindo-Lhe para suscitar no ânimo de cada presbítero, um generoso relançamento daqueles ideais de total doação a Cristo e à Igreja, que inspiraram o pensamento e a ação do Santo Cura d'Ars.
Com sua fervorosa vida de oração e seu amor apaixonado, por Jesus crucificado, João Maria Vianney alimentou sua cotidiana doação sem reservas a Deus e à Igreja.
Possa o seu exemplo suscitar, nos sacerdotes, aquele testemunho de unidade com o bispo, entre eles próprios e com os leigos, que é tão necessário hoje, como sempre o foi.
Não obstante o mal que existe no mundo, ressoa sempre atual a palavra de Cristo a seus apóstolos, no Cenáculo:
"No mundo, sofrereis tribulações. Mas tende confiança: Eu venci o mundo" (Jo 16, 33).
A fé no Divino Mestre dá-nos a força para olhar com confiança, para o futuro.
Amados sacerdotes , Cristo conta convosco.
A exemplo do Santo Cura d'Ars, deixai-vos conquistar por Ele e sereis , também vós, no mundo atual, mensageiros de esperança , de reconciliação , de paz.
Com a minha bênção.Vaticano, 16 de Junho de 2009.
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